Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Alguém sabe o que é um R1B?

por Olympus Mons, em 04.01.14

 

 

 

Já que estávamos numa de  genética, vou-vos contar uma história que tenho a certeza estará errada (ou não!) ou pelo menos terá tons de cinzento. O problema é que ninguém nesta altura a conseguirá provar errada.

Mas deixem-me explicar. Haverá um ponto neste texto em que vou trocar R1b por Tejanos ( de rio Tejo) mas obviamente que me estarei sempre a referir ao haplogrupo R1b.  R1b é uma linhagem masculina, do cromossoma Y, que os pais passam para os filhos (mas não para as filhas) e através destas mutações genéticas sabemos por onde andaram os antepassados. Estes SNP/STR (short tandem repeats) são os mesmos que o seu pai tinha, e já tinha o pai dele e assim pelo tempo acima até recuar dezenas de milhares de anos.

 Em Portugal, Espanha, França e Reino Unido somos esmagadoramente R1B. Somos todos descendentes do mesmo pequeno grupo de pessoas (sub clade L11).  Alemanha é o sitio onde se encontra a maior mistura de linhagens Y, com proporções iguais de r1b e R1a, com I1, N, etc.  Já na europa de leste são esmagadoramente R1A (a guerra entre os irmãos R1b e R1a será  talvez um dia outro post), no médio oriente J, etc. 

 

Mas vamos fazer uma viagem de 10,000 anos. E partimos do Tejo e voltamos ao Tejo. 

 

Ok. Oficialmente os R1b são as pessoas do refúgio ibérico. Ou seja durante a glaciação, antes deste período do Holoceno (11,000 anos) havia um grupo muito pequeno de humanos que viviam aqui na península ibérica (200? 300?). De Espanha para cima era tudo glaciares. E não é muito difícil de imaginar que eles estavam nos pontos mais amenos e com mais acesso a por exemplo um rio e mar, logo imaginemos algo como Lisboa. E a partir de aqui vamos chamar-lhes tejanos  (de rio tejo).  Isto porque uma coisa é certo. Foi do estuário do Tejo que se iniciou a cultura Beaker bell, e esta mudou a Europa como fogo em palha seca.  Beaker bell (potes de barro) era cultura, hierarquia, religião. Mas vamos ter que voltar um pouco atrás.

Há 10,000 anos atrás este pessoal do Tejo por aqui pescava , caçava, apanhava  bagas, etc  e começou a reparar que o clima estava a aquecer. Mas por aqui ficou. Cerca de 8-9 mil anos atrás passaram por aqui uns homens diferentes. Eles tinham vindo da Anatólia (Turquia - Siria),  pelo mediterrâneo. Eram os G2A (como por exemplo Joseph stalin). Estes eram os agricultores originais do neolítico. Foram os homens que trouxeram a agricultura e disseminaram-na pelo mundo. Otzi (Homem de 7 mil anos encontrado gelado nos Alpes) era G2a, assim como o Y-DNA dos primeiros agricultores encontrados na europa (os LBK). Assim foi até há 6 mil anos atrás … até subitamente desaparecerem praticamente da europa e tudo o que se encontra depois dessas datas são os BBC (Cultura beaker bell) que são o tal pessoal do Tejo (R1b) a espalhar  agricultura pela europa atlântica. Os tais tejanos (R1b) pareceram sempre ter uma característica que é não serem agressivos inicialmente, aceitar, observar e depois … como diziam os romanos ?  - veni vidi vici.

Os G2a eram montanheses do Cáucaso (aliás onde há hoje em dia G2a é usualmente nas zonas montanhosas da europa) e talvez por isso tenham passado os Alpes com naturalidade e os tejanos os tenham seguido. Alguns. Porque os que ficaram do lado de cá das montanhas, como por exemplo os Bascos ainda hoje são em mais de 90% tejanos (R1b). Mas os tejanos sempre parecem ter sido assim como que pouco ameaçadores, algo harmonizadores para os outros até ao momento em que se surgem como uma força incontrolável. Desta forma,  e mil anos depois,  quem procriava com sucesso eram os tejanos Beaker bell e os G2a já nem se encontram no ADN antigo que se vai examinando. 

 

Mas algo como há 5,000 anos atrás já as coisas deviam estar a aquecer entre os Tejanos (r1b) e os seus irmãos R1a do leste… ou não. Porque os tejanos (tal como os portugueses) tal como atrás dizia, parecem ter a característica de se dar bem com todos os que se encontravam no seu caminho. Até ao dia. Reparem que aprenderam agricultura com os G2a e transformaram-se nos agricultores de excelência da europa atlântica. Encontraram os R1a a cavalo (estes eram os malucos dos cavaleiros indo-europeus) quando se moveram para leste e não os devem ter logo afrontado porque a verdade é que quando os voltarmos a ver historicamente os tejanos, 1000 anos depois, já eram cavaleiros mestres da chariots na figura de hittites e já falavam uma língua Indo-europeia (como os R1a). Alem disso usavam machados como os tais R1a, a tal cultura do machado, a cultura Corded Ware culture.

Sim, os hittites. Voltamos a encontrar os tejanos (sei que alguns contestam que fossem os mesmos, mas 1000 anos é muito tempo) nem mais nem menos na terra originária dos G2a (Anatólia). Incrível. E na terra dos G2a sabe-se que chegaram cerca de 4 mil anos atrás e ficaram numa pequena  vila, Hattusa , no norte de Anatólia (Turquia). Mas o que sabia deles até ao século 20 era pela bíblia e seriam uma pequena tribo,  parte das tribos de canaan (que bate certo), as tais que Moises andou depois à procura,  estando por isso perto das tribos de Abraão (ou sendo uma das). Enquanto os filhos de Abraão (haplogrupo JIc3d) formavam as tribos judaicas e as tribos Adnani (arabes - por isso maomé também era JiC3d como muitos dos judeus! ) os R1b talvez decidissem que  não queriam nada com aquela confusão e foram para hattusa. Poucos séculos depois eram um império colossal.

Falamos da civilização egípcia porque fizeram pirâmides para a história e os Hittites nada tinham construido a nível de grandes monumentos. Como disse só a bíblia os referia e até se achava que era um mito. No século 20 descobriu-se as ruinas e percebeu-se que verdadeiramente tinham inventado a idade do ferro. E durante 5 séculos dominaram a região. Quem ler um bocado sobre os hittites (no youtube comentado por Jeremy Irons é brutal) percebe como eles foram mesmo os percursores de muito do que foram depois os europeus...  E tinham a tal característica: quando encontravam quem não os afrontasse formavam alianças e fraternidades sem violência. Quem os enfrentava era dizimado. Só não acabaram com os Egípcios por sorte (batalha de Kadesh) e neste ponto entra aquele episódio que é o dos maiores mistérios históricos:  Primeiro o facto de há poucos anos no documentário do Discovery channel mostrar a sequenciação genética de tutankamon e aquilo que se vê no ecrã do PC lá atrás no documentário era um R1b (tejano). Pode ser que aquilo que estavam a mostrar no ecrã não era o DNA de tutankamon (para a televisão vale tudo).  Se era então ele era R1b! o que leva ao outro mistério com os hittites. Quando o faraó morreu a mulher pediu a Suppiluliuma, seu arqui-rival Hittite, que lhe enviasse um dos filhos para casar com ela porque ela nunca aceitaria casar com um dos seus súbitos. O soberano Hittite achou que era brincadeira mas após troca de manuscritos lá mandou o filho… que foi logo assassinado.

Mas, como todos os impérios, o hitita acabou por desaparecer.

 

Mas durante os próximos milénios continuámos a ouvir falar deles…

Por essa altura já se ouvia relatos dos Tejanos (R1b)  na figura de troianos (descendentes dos Hittites) e 700 anos depois  (há 2700 anos) de Espartanos e Dorianos (tejanos!) nas suas batalhas  com a grega  J2, G2 e E1b1b … sabemos como as coisas deram umas valentes traulitadas com os gregos.

No momento em que Esparta caia perante os visigodos, mesmo com a ajuda de mercenários celtas (celta = Tejanos R1b!) já descendentes de Troianos, formavam outra bolsa de r1b na região de lazio (latium) – chamava-se Roma . E novamente, alguns séculos depois eram os centuriões romanos que concluíram o trabalho dos seus pais hittites, dos troianos e espartanos,  conquistando a Grécia e a bacia do mediterrâneo toda.  Levou 3 mil anos mas os tejanos lá conseguiram.

Após a queda de Roma voltamos a encontrar os tejanos ( R1b), 1000 anos depois, numa pequena bolsa (800 mil almas), no ponto mais a oeste da europa, num pais chamado Portugal.  Há 500 anos atrás, tendo aprendido as artes da navegar contra o vento com os E3b (arabes), tal como antes a agricultura com os G2A (agricultores do neolítico), a locomoção a cavalo e as hierarquias guerreiras com os R1a (guerreiros indo-europeus) , dizia eu, agora com o que aprenderam com os árabes lançavam-se de barco para terras nunca navegadas. Mantinham a tradição dos R1b: Observar, interagir com comércio e quando confrontados altamente violentos.  Muito para além dos Hitities, dos Troianos, Espartanos e Romanos, agora era o mundo o palco dos descendentes desses 200 do Tejo, agora chamados de Portugueses.

 

Atrás dos R1b portugueses foram os seus irmãos mais a norte. Espanha, França e Reino Unido. Hoje em dia encontramos a parte saliente desse pessoal do Tejo, após milhares de anos de choro atrás de choro, de filho atrás de filho,  nos Estados Unidos, sendo este o ultimo império dos Tejanos (R1b).

 

Incrível, não é?

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

Sem imagem de perfil

De tina a 05.01.2014 às 19:55

Fascinante, sim senhor.
Imagem de perfil

De Olympus Mons a 06.01.2014 às 12:29

Viva.
Portugal está a voltar ao centro da história, novamente, devido essencialmente ao facto de haver muitas provas agora (radio-carbono) que os locais de Bell Beaker (BBC) mais antigos serem no estuário do tejo.
E nada terá sido uma revolução tão grande como a disseminação dos BBC (R1b).
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 06.01.2014 às 17:50

Olá...
Creio que não deverá estar muito longe da verdade... pois conheço várias pessoas que partilham dessa mesma tese.. se bem que nalguns casos dão asas à imaginação.. ao ponto de dizerem que somos (os R1b) os sobreviventes da tal famosa Atlântida! Enfim... No entanto, e segundo alguns estudos genéticos, os portugueses (para não variar) parecem possuir características únicas.. aqui vai o link...
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9382919?ordinalpos=1&itool=EntrezSystem2.PEntrez.Pubmed.Pubmed_ResultsPanel.Pubmed_RVDocSum
"Abstract
HLA-A, -B, -DRB1, -DQA1, and DQB1 alleles were studied in Iberian and Algerian populations by serology and DNA sequence methodologies. The genetic and cultural relatedness among Basques, Spaniards, and paleo-North Africans (Berbers or Tamazights) was established. Portuguese people have also maintained a certain degree of cultural and ethnic-specific characteristics since ancient times. The results of the present HLA study in Portuguese populations show that they have features in common with Basques and Spaniards from Madrid: a high frequency of the HLA-haplotypes A29-B44-DR7 (ancient western Europeans), A2-B7-DR15 (ancient Europeans and paleo-North Africans), and A1-B8-DR3 (Europeans) are found as common characteristics. Portuguese and Basques do not show the Mediterranean A33-B14-DR1 haplotype, suggesting a lower admixture with Mediterraneans; Spaniards and Algerians do have this haplotype in a relatively high frequency, indicating a more extensive Mediterranean genetic influence. The paleo-North African haplotype A30-B18-DR3 present in Basques, Algerians, and Spaniards is not found in Portuguese either. The Portuguese have a characteristic unique among world populations: a high frequency of HLA-A25-B18-DR15 and A26-B38-DR13, which may reflect a still detectable founder effect coming from ancient Portuguese, i.e., oestrimnios and conios; Basques and Algerians also show specific haplotypes, A11-B27-DR1 and A2-B35-DR11, respectively, probably showing a relatively lower degree of admixture. A neighbor-joining dendrogram place Basques, Portuguese, Spaniards, and Algerians closer to each other and more separated from other populations. Genetic, cultural, geological, and linguistic evidence also supports the hypothesis that people coming from a fertile Saharan area emigrated towards the north (southern Europe, Mesopotamia, the Mediterranean Islands, and the North African coast) when the climate changed drastically to hotter and drier ca 10 000 years B.C." Maria Rebelo
Imagem de perfil

De Olympus Mons a 08.01.2014 às 11:47

OLá Maria,
Obrigado. Já tinha lido excertos mas não o paper. E concordo com as ilações demasiado latas.

Essa história da Atlantida tem a ver com os vazios nos registos, que até eu tentei preencher na minha história. Na verdade os mais antigos R1b na Europa encontrados até hoje tem 6 mil anos... mas os r1b seguramente tem mais de 18,000. Como é que vieram do mar negro até ao tejo sem qualquer rasto?!?!

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D


Links

Blogs