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Tinha prometido terminar esta série sobre antropologia com um post sobre HLA (human leukocyte antigens).

Muitas vezes aqui falei de Mtdna ( Dna Mitocondrial) que as mães passam aos filhos  e de DNA do cromossoma Y que os pais passam aos filhos daí criando linhagens e haplogrupos genéticos específicos.  É daí que vem a conversa dos R1B do cromossoma Y e das Helenas do DNA mitocondrial. Naturalmente o load genético de cada um de nós depois é carregado pela passagem de genes que não são específicos de um daqueles tipos atrás referido mas sim autosomal (a maioria do nosso load genético).

Tudo isto são marcas que ficam nos genes das pessoas e que estas passam ao longo do tempo e das eras às suas proles e assim verificando estas marcas entre pessoas consegue-se perceber quão relacionadas Filogeneticamente são entre si.

HLA é uma dessas partes autossomais!

 

HLA são também cicatrizes adaptativas que ficam nos genes do seu sistema imunitário relativo a essa pressão dos antigénios que encontraram. Os humanos, como todos as formas vivas são o resultado adaptativo nomeadamente da pressão ambiental a que tiveram sujeitos ao longo do tempo e das tais eras.  Por isso quando os humanos encontraram corpos que lhes eram estranhos o sistema imunitário reage com os antigens de forma a criar as reacções dos anticorpos, do seu sistema imunitário. Por isso esses alelos no cromossoma 6 por lá ficam e são uma excelente maneira de saber por onde andaram os seus antepassados.

 

Muito do que eu vou dizer nem é novidade. Está por aí dito pelos trabalhos de Antonio Arnaiz-Villena … desde 1997! Pese embora eu partilhe o criticismo aos dendogramas de Arnaiz-vilhena que não lembrariam nem ao menino Jesus… mas o que é facto é que estão lá, enterrado debaixo das suas visões politicas, os dados científicos.

 

Analisar os portugueses é encontrar  o HLA A2-B7-DR15. Este é conhecido como Europeu antigo e Paleo norte-africano.  Chamemos-lhe EPA.  E  não nos iludamos o EPA é partilhado pelos R1B da europa ocidental e pelos Africanos (paleo), aqueles que habitavam a área muito antes da sua população actual, os Árabes. Estamos a falar de Berbers e de Tamazights do norte de África que na minha opinião conviveram com os R1B quando eles por ali passaram. O EPA encontra-se em alta frequência nos argelinos (por onde passaram os R1b), nos portugueses, espanhóis, bascos, austríacos e Reino Unido, com incidências elevadas nos portugueses, bascos franceses, pessoal da Cornualha e atrevo-me a dizer que se procuraram encontram na Irlanda, escócia e Pais de gales , tal como na verdade em todo sul da Inglaterra… porque esta marca seguiu os R1b do estuário do Tejo em toda a sua Celtificação (ou pelo menos largas partes da mesma)  da Europa ocidental.

 

Esta é, na minha opinião mais uma prova da passagem dos R1b por África.

 

Já que estamos nisto do HLA, convém relembrar que os Portugueses (e em doses menores por exemplo os brasileiros e americanos pela nossa migração) possuem genes únicos que são o HLA-A25-B18-DR15 e A26-B38-DR13. Chamemos-lhe os Luso1 de o Luso2.  Isto representa uma menor  admixture da nossa parte. Convém lembrar que os estudos a que me refiro se centraram em pessoas das regiões entre o Tejo e o douro (por isso das outras regiões não sei).  Mas a existência da localidade destes genes implica realmente a existência de uma população local que não sofreu uma mistura muito grande com o passar dos milénios e que representará o legado dos misteriosos Oestreminios (provavelmente) mais tarde identificados como os Lusitanos.

 

 

Tal como é a norte de Portugal se concentra de forma mais acentuada o legado deste Paleo Norte Africano indicando que provavelmente nas incursões Árabes na península ibérica os primeiros a fugir para norte foram precisamente o legado dos habitantes mais antigos do norte de África (berberes).  Em Portugal, mesmo as clades de mutações do cromossoma Y nos mostram que não há assim muito sangue árabe em Portugal (muito menos que seria de assumir) mas sim berber. Dos Árabes não ficou uma admixture muito acentuada, não.  Excepto nos alentejanos (se é que 10%-20% se considera muito).

 

 

E já agora, tanto o A30-B18-DR3 também  berber ou o A33-B14-DR1 considerado um gene Mediterrâneo também só se encontra (pese embora em concentrações baixas) no norte (trás os montes) e no sul (Alentejo) mas é inexistente no Centro de Portugal. Mas no fundo isto indica por exemplo um menor admixture genético dos portugueses do que por exemplo os espanhois.

 

Mas o mais importante era mesmo que alguém investisse em investigar os Castros de Zambujal  (Oestreminios e amigos R1b?) e já agora que os estudos que estão a ser feitos em Perdigões, a sul de Évora ao pé do guadiana (coinos e amigos R1b?), também envolva o máximo possível de filogenética e estudos genéticos em geral.

 

Talvez seja wishfull thinking mas valia a pena.

Abrir parques temáticos com edificações representativas da origem dos R1b , Bell Beakers e Celtas posso garantir que trazia muita, mas muita gente.

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Os cegos e os que não querem ver

por Olympus Mons, em 09.03.14

Segurem-me que eu ainda faço um paper e submeto ao jornal of antrophology.

 

A mente humana não tolera vazios. E o maior vazio na actualidade antropológica é toda a confusão na pré-história europeia… Não. Temos que ser precisos. O mistério é quem eram e de onde veio a linhagem genética masculina europeia, os R1b da europa ocidental. Para a maior parte dos historiadores, antropologistas e paleo-geneticista europeus e norte-americanos existem uma verdade que lá ao fundo no cérebro os chateia. Essa verdade (e como verdade leia-se a história mais plausível), essa coisa que não se diz,  é somente esta:

 

 Os R1B da europa ocidental, vieram pelo norte de África provenientes do Cáucaso, com uma língua que não era indo – europeia mas era parecida, que vieram com o Haplogrupo mtdna H (ou pelo menos parte). Que entraram na europa pela península ibérica, que na ambientação a esta nova  casa atingiram o seu apogeu no estuário do Tejo, que partiram dali como bell beakers (a primeira vez que se viu humanos em contexto de cultura) que dominaram a europa ocidental e mais tarde o mundo.

 

Quem fizer um paper com isto que vos vou escrever tem os holofotes do mundo antropológico sobre si.

 

R1b – Estepes e Médio Oriente (R1b1)

Entre 12 mil anos e 8 mil anos atrás os r1b eram a Sub Clade M343 originária do Cáucaso e foram descendo vindo do Mar negro e do Mar Cáspio, pelo médio oriente. Esta deve ter sido um período histórico curioso, porque se foram cruzando com pessoas de outras haplogrupos (G, J, E) e como as misturas autosomal (load genético que determina nosso aspecto físico) eram menores podiam identificar-se bem uns aos outros como membros da mesma tribo  e claramente identificar quem não era.

Toda a gente assumiu durante anos (e ainda se faz um esforço brutal para fechar os olhos) que os R1b M335 (Anatólia) foram atrás dos G2a na conquista da europa como agricultores do neolítico mas a verdade é que não se encontram R1bs nem por cima nem por baixo do mar negro, nem no resto da europa durante o neolítico. Na europa aparecem muito depois há 5,000 mil anos atrás (como R1b bell beaker).

 

R1b África – Enquanto neste inicio do neolítico (9-8 mil anos) os G2A da Anatólia partiram pelo mediterrâneo norte para conquistar a europa como agricultores os R1b partiram pelo mediterrâneo sul (Africa).  Os  V88 (R1b1c)  acabaram  Curiosamente a meio de África  e os  R1b M269 (R1b1a - nós europeus) passámos pelo Egipto e foram para a Argélia.  Já num post anterior falei sobre o tutankhamun, o National Geographic e o facto de a imagem que eles mostraram numa das imagens da descodificação genética era de um r1b. Lembram-se? Começa a fazer sentido. Se as autoridades egípcias revelassem os resultado das análises genéticas à sua múmia (que se recusam determinantemente a fazer- porque será?) teria interesse saber se ele (caso se confirme ser R1b) se era de V88 (que acabaram em algumas tribos da África central e hoje devido ao admixture são negros) ou M269 ( que acabaram na Europa).

 

No meu post anterior , Por (não) falar em alterações climáticas,  está um mapa climático de todo o período holoceno.  Se lá forem ver reparam no período de climate optimum 8-6 mil anos atrás em que as condições de habitabilidade no norte de África eram muito boas. Mas depois podem reparar, algo como há 6200 anos atrás,  aquele longo período de frio (na europa), que significou para os R1b que estavam no norte de África, tal como para os agricultores do neolítico mais a norte na europa (devido ao Frio) , um período de grandes dificuldades devido ao avanço brutal do Sahara e do  clima quente e seco.

Fica a curiosidade de que (provavelmente claro) os R1b passaram pelo Egipto antes do aparecimento das primeiras dinastias Egípcias  e que o inicio do bell beaker na Europa começou exactamente no mesmo período do inicio das dinastias arcaicas no antigo Egipto. Que tem em comum? Verifiquem no meu post anterior quando começa o segundo Holoceno Climate Optimum.

 

Os R1b começam a  passar o mediterrâneo para a península ibérica. E mais especificamente para lá do guadiana (rio Ana) ou seja para Portugal.  Em África ficou o legado genético e linguístico (nos berberes e Tamazights) . 

Não sei dizer muito sobre estes. Não sei  nada sobre a história deles (nem acho que se tenha feito esses estudos genéticos em profundidade) . Mas sei que, primeiro, têm um número muito elevado de MtDna do haplogrupo H tal como a globalidade dos europeus ( e ao contrário dos outros na região)  e claro que sabemos  que são o grupo paleolítico do norte de África (habitantes originais)  e que a sua língua ancestral se assemelha e muito ás línguas ibéricas ancestrais (que já lá vamos).  Evidente que com tudo o que passaram nos milénios seguintes nada  terá restado da linhagem R1b, primeiro pela evasão dos J2 que deram nos cartagineses e muito recentemente pelos seus habitantes actuais, os árabes (E3b)  que estão lá há meia dúzia de dias. Mas como sabemos homens e elementos do sexo feminino não dá muita hipótese da linhagem ter sobrevivido. Claro que a linhagem Mtdna, do haplogrupo H, por lá ficou e bem implantada (também explica esse mistério). Matam-se os homens mas obviamente que não as mulheres, como bem sabemos.  Apesar de já haver muito DNA H na europa  (vieram com os Agricultores G  do neolítico) a verdade é que a sua dessiminação é concomitante com a dos bell beaker R1b e que por exemplo, as populações do actual pais Basco sofreram uma substituição do seu Mtdna K pelo H por volta dessa altura.  

 

 Os R1b quando passaram o mediterrâneo para o lado de cá acabaram em Portugal. Não devia ser um grupo muito grande. Mas por alguma razão passaram para lá do rio guadiana e muito rápido para lá do Tejo. Na verdade já cá habitavam humanos (por isso os portugueses tem ainda dois genes únicos no mundo) mas a verdade é que pouco depois (1000 anos?) existia a cidade de Zambujal em torres vedras (ver o post Eu que nem tenho nada a ver com esta área!), existiam pequenas aldeias fortificadas ao longo do estuário do tejo, e imensas e vibrantes destes aglomerados a sul de Évora.

E nessa altura, estes povos amantes das suas placas de 15 cm, estavam a fazer os potes do bell-beaker. Potes estes que tem semelhanças muito grandes com outros potes anteriores ao bell beaker...  sim advinhou. os potes de barro do norte de Africa! Como os retirados do cemitério de Skhirat. 

Alem disso, pelo norte de Africa encontram-se setas em imensos locais, setas muito parecidas com as setas dos R1b Bell Beakers, que como sabemos eram os arqueiros deste periodo.

 

Mas a verdade é que pouco tempo depois estão a espalhar a cultura, a hierarquia, a ordem social, a cerveja e o meade,  por essa europa fora e a espalhar a linhagem R1b pela europa ocidental. A europa deixou de ser grupelhos de pessoas a viver mais ou menos juntos para ter cultura.

 

Os que cá ficaram, do estuário do Tejo  e da cidade de Zambujal transformaram nos Oestrimnios e sul do Tejo, a partir do vibrante grupo a sul de Évora, nos Coinios.   

Algum tempo depois eram aqui os Kunettes (algarve) os  Celtici (Alentejo) e keltoi e  os do norte do Tejo em Lusitanos.   E os Tartessos…. Os tartessos e a sua língua é outra das grandes confusões que é resolvida pela vinda dos R1b por África.

 

R1b e a confusão da língua.

A  língua tartessiana. E a confusão toda que existe na comunidade linguística por causa dos Bascos e do tartessiano e dos celtas. 

Quem entende o que eu acabei de descrever pode perceber a confusão.

Este língua, e os textos das placas de Mesas do Castelinho (Almodôvar) ou fonte velha, estão ainda hoje não classificados e sendo registado as suas semelhança com outras paleo-línguas ibéricas, basco e …antiga língua berbere. 

Contudo, como John Koch defende tem também grandes semelhanças com o celta (quando se elimina a coisa estúpida de achar que celta, celta mesmo é o celta  da Irlanda, provavelmente a ultima parte a ser celtificada) e com sequencias inteiras da língua Indo-europeia porque na verdade os R1b vieram com uma língua Indo-europeia tal como nessa altura os R1A vinham pela europa central com outra, muito parecida, língua indo –europeia.

 

 Confessadamente a língua basca continua envolvida em enigma . porque é de todas a que menos relação tem com qualquer elemento  indo-europeu.  Mas não será de todo impossível imaginar que tendo sofrido uma verdadeira substituição do MtDna (mitocondrial DNA) do haplogrupo K para o H (que menciono acima) nestes 5 mil anos que por alguma razão tenham mantido a estrutura da antiga língua e seja essa a razão pela qual mantem tantos traços distintivos das língua Pie (proto Indo european). Aliás essa passagem PIE-Celta-Basco  é abordada por Gianfranco Forni (Evidence for Basque as an Indo-European Language) , que de uma língua original tenha adquirido traços celtas (na verdade R1b e Indo-europeia) trazidos pelos lusitanos quando substituíram aquele load genético referido atrás.  Por isso existem todas as questões levantadas por Theo Vennemann,  e  também todas a vezes que se tenta associar o Basco a línguas do Cáucaso (de onde originam os R1b e os R1a) , ao Katvelian e tchetcheno, etc. – Sim as língua europeias antigas eram um mixórdia de inputs e talvez por isso tenham sido homogeneizadas com facilidade por uma língua mais estruturada geograficamente como as língua Indo-Europeia.

 

 

Assim, esta confusão toda das línguas Paleo-ibéricas, com os traços locais, dos fenícios e outros, mas também com traços Celtas e Indo-europeus, só existe porque não se assume que os R1b da Europa ocidental vieram por África, se calhar até apanhando elementos dos berberes, mantendo traços característicos e distintos relativos ao Indo-europeu puro dos R1a e dos Kurgan da cultura Corded Ware que se deslocavam pela europa Central - Quando se encontraram não deve ter sido um problema muito complicado para os cérebros dos R1b aceitarem, assumirem e assimilarem, línguas indo-europeias (outras).

No fundo eram, pelo menos em parte, também as suas, somente destituídas de uma miríade de elementos diferentes foneticamente.

E por isso, deste substrato bell beaker e R1b, nascem os celtas, com os seus escudos em forma e V, com espadas em folha, as lanças ibéricas com forma ogival…tal como a dos irlandeses. É só parar de olhar para a história de Hallstatt e La Tène (de onde se julgava ter vindo os Celtas) e olhar para realidade.

 

Bela história Olympus… mas que provas tens?

Ah! Várias. Mas isso é o próximo post.  Porque temos que falar de HLA (Human Leukocyte  Antigens) para dar a estocada final …. E alguém sabe porquê?

 

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Por (não) falar em alterações climáticas.

por Olympus Mons, em 02.03.14

 

 

 

 

Eu não sei porque os agricultores do HP G2A substituíram em grande parte os caçadores Recolectores  HP C por essa  Europa fora. Como dizia o outro não estava lá, não vi.

 

Contudo espanta-me como não se refere as alterações climáticas. Aliás, não me espanta. Porque como sabemos este período interglaciar é marcado por um “estabilidade” incrível da temperatura e só os malandros dos capitalistas com o seu petróleo barato é que estão a aumentar a temperatura do planeta. Realmente…!

 

Mas voltando ao mundo real.

Quem olha para esta imagem não pode deixar de pensar nos danos tremendos que o LIA (little Ice age – do lado direito da imagem) provocou na idade média na europa -Dark Ages, a idade das trevas.  Provocou fome, miséria, peste e morte terríficas por essa europa fora.

  

olhando para a imagem consegue-se ver o período de 2 mil anos em que as colheitas fabulosas por essa Europa fora, quando as temperaturas deviam ser bem mais elevadas que nos nossos dias, levaram ao sucesso dos agricultores do neolítico (8-6 mil anos). Colheira atrás de colheita terão levado a que esses agricultores fossem vistos como parceiros preferidos pelas mulheres. Uma população caçadora-recolectora tem uma criança de 4 em 4 anos, enquanto uma população agricultora tem filhos quase de ano a ano.

 

Mas logo a seguir podem ver as alterações climáticas brutais que ocorreram.  Se  400 anos de frio provocou o que provocou em populações mais desenvolvidas na idade média,  aqueles  quase 1,5 mil anos de  Big Ice Age  devem ter sido devastadores para aqueles  agricultores. Ano após ano de falhanço de colheitas deve ter sido arrasador.  Bem mais de um milénio disto deve ter dizimado estas populações a um mínimo. E não deve ter sido coincidência o aparecimento dos primeiros  conglomerados populacionais maiores (proto-cidades e vilas)

 – Escusam de andar aí a pensar que foram os R1b e os R1A que lhes trataram da saúde ( J ).

 

Por esta altura só devia haver um sítio na europa onde se estava bem. Na europa do sul.  E aqui, a sul do Douro então devia ser maravilhoso. Dava para caçar, pescar, plantar e até prospectar. Quando há 5 mil anos atrás voltou o tempo da Vida louca, o segundo período do Holocene optimum apareceu então os bell-beaker de Portugal  (R1b) e o pessoal dos machados do Leste Europeu (R1a).  Este período assistiu ao aparecimento das grandes civilizações a norte do mediterrâneo e à queda dos mesmos. Se calhar aqueles períodos a azul, de frio, podem ter ajudado á festa e terá sempre sido acompanhado por movimentos de populações. Tal como o aparecimento do império Romano coincidiu com novo período de clima optimum (Roman climate optimum). Tal como o pequeno período à azul terá coincidido com a sua queda.

 

Claro que não só o clima contribuiu para os eventos. Mas deve ter dado uma ajuda.

 

Coincidências e clima. É o que é. Mas isso era antes do Aquecimento Global por causas antropogénicas.  Todos esses períodos desapareceram como que por artes mágicas. Agora é só Hockey sticks!

 

 

 

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Eu que nem tenho nada a ver com esta área!

por Olympus Mons, em 02.03.14

 

 

 

 

 Esta conversa dos R1b é realmente espantosa. Isto de eles só serem visíveis nos últimos 5000 anos sem se saber como verdadeiramente aqui  chegaram é um mistério (e aqui é provavelmente e em grande parte Portugal). Um mistério que curiosamente não interessa particularmente aos portugueses. Interessa ao resto do mundo… mas não aos Portugueses – Deve ser porque temos poucas pessoas formadas em história em Portugal (!).

 

Mas OK.  Todas aquelas linhagens genéticas masculinas dos C que já nem existe, dos G2A que são residuais hoje dia quando eram de longe a maior linhagem no neolítico, esta coisa de não se conseguir ligar os R1B à cultura Indo-europeia, em grande parte porque ninguém é mais R1b que os Bascos e a língua deles é das poucas europeias que não são de todo língua indo-europeia.

 

Começando há 5000 anos podemos saltar milénios e vamos  vendo os R1b a espahar a cultura bell –beaker  nessa Europa fora como fogo em palha seca.  Continue a fazer  fast forward aos séculos e depois é voltar a encontra-los como Dorianos, como os Hittites (pese embora estes possam ter vindo das estepes do Cáucaso), como os troianos, Espartanos, romanos e navegadores portugueses. Esta linhagem patriarcal é realmente admirável. 2 Mil anos levaram até controlar (com os romanos) toda a europa e norte de África. Alguns séculos valentes depois dominavam o globo com portugueses! (e espanhóis, Franceses e Ingleses) … mas vamos parar. Isso já se sabe.

 

 Agora há que voltar atrás. Rewind!

 

Há 5000 mil anos atrás a europa era uma enorme wasteland. Limpinha de gelo após o auge do primeiro Periodo Óptimo do clima do holoceno (holocene Climate Optimum) entre 8 e 6 mil anos atrás e a iniciar o segundo (5000-3500 anos) numa europa com agricultores levantinos do G2A espalhados pelas estepes a viver em pequenos grupos que contrastavam com os cada vez menos abundantes caçadores recolectores originais da europa , espalhados pelos campos de cultivo de cereais ainda assim uma Europa vazia .

Mas aqui, no estuário do Tejo estava o centro da europa, de uma Europa que nem centro tinha mas onde já se formava a maior “cidade” da europa – Cidade à volta do castro do Zambujal (junto a torres vedras). Muito antes de Lisboa (3000 anos atrás) aparecer com o seu nome de Allis Ubbo, muito antes de ser Olissipo(-nis), mais a norte existia Zambujal (Torres Vedras). Nessa altura os 14 KM do rio Sizandro até ao mar era muito diferente sendo uma verdadeira língua do Mar terra a dentro. E do Zambujal com certeza que se navegaria também até ao estuário do Tejo onde outros grupos de instalavam ali para os lados de alverca, Vila franca, etc.  – Aqui começava a Cultura metalúrgica do bronze. E foram esses industriais do bronze que criaram a cultura Beaker que foi na verdade a primeira vez que os humanos deixaram de ser um bando e passaram a ter uma cultura, passaram a ter ideologia (qualquer que fosse)  e religião (qualquer que ela fosse… bullshit! Todos sabemos foi a percursora da religião celta, mas isso é para outro dia).   

 Convém lembrar que nessa altura, lá para o leste da Europa, provavelmente vindo das Estepes do Cáucaso começaram a vir os R1A da cultura Corded Ware, ou se quiser a cultura dos Machados de guerra, com características diferente desta do R1b e sem de todo demonstrar a diversidade de aspectos que estava subjacente ao dos R1b. – Não era a mesma coisa!

 

 

 

Radiocarbon dating seems to support that the earliest "Maritime" Bell Beaker design style is encountered in Iberia, specifically in the vibrant copper-using communities of the Tagus estuary inPortugal around 2800-2700 BC and spread from there to many parts of western Europe.[3][13] An overview of all available sources from southern Germany concluded that Bell Beaker was a new and independent culture in that area, contemporary with the Corded Ware culture.[14][15]

 

 Este pessoal  do estuário do Tejo  e especialmente Zambujal era prospector de metais e logo devia ter uma boa quantidade de metalurgia – Será que se deu aqui, nesta “cidade” junto ao rio Sizandro que nessa altura iria do mar até ao estuário do Tejo, o inicio do próprio conceito de comércio?  E os barcos navegavam tanto o Sizandro e o Tejo como entravam pelo mar a dentro junto a Santa Cruz após as Ericeira. E Isso foi a disseminação Marítima da Beaker – Cultura, comércio à escala pan-europeia,  hierarquia, armamento diverso e uma estrutura social complexa. Além disso tinham essa coisa que nunca se tinha visto – Um chefe!

Sim, um chefe e álcool. Meade e cerveja. E era assim que se apresentavam aos povos que iam encontrando. Uns copos depois e eram todos amigos (ou enterravam-lhes uma faca nas costas).

 

 

 

 

Mas vamos ficar aqui no Tejo mais um bocado. especialmente para falar sobre este outro traço unico de Portugal.

 

 

Existe algo que só havia aqui (Portugal).  Que são as placas de 15cm (da imagem ao lado) que estes R1b  produziam -  Que exprimiam e qual a sua significância?

Representaria algo ideológico e era muito importante para eles porque eram enterrados com estes objectos.

O pessoal que aqui vivia está separado entre dois grandes focos. Este do estuário do Tejo e o outro abaixo de Èvora, junto ao Guadiana (rio Ana).  Se olharem para um mapa verão que Portugal é partido em 3 faixas que entram pela península ibérica adentro.

 

 

 

 

 

A faixa entre o Guadiana e o Tejo, a faixa entre o Tejo e o Douro e faixa a norte do Douro.

Os rios eram grandes barreiras culturais. E estas placas foram elementos identificativos destes grupos.  O grupo enorme de pequenos clãs que vivia abaixo de Évora e o grupo a norte do Tejo.  Com o passar dos anos estes dois grupos foram ganhando traços culturais destintos. Na verdade são a mesma gente mas dividida por alguma razão Sociocultural. E olhando para as fortificações que foram construídas durante mil anos à volta de Zambujal a relação entre estes irmãos não deve ter sido sempre muito pacífica.   Foi desta relação conflituosa entre irmãos que fez com os beaker folk fossem imbatíveis. Eles apareciam como comerciantes de artefactos bonitos de cobre, como um gajos porreiros que bebiam e partilhavam cerveja,  e ainda por cima com uma estrutura guerreira.  – Isto foi o fenómeno Beaker.  Nunca se tinha visto nada assim e não se voltou a ver no período seguinte.

 

E  já agora que estamos nisto. Vamos falar de celtas. Os mapas das populações de alguns milhares de anos depois do que descrevi mostra a faixa do guadiana como Celtas e do Norte do Tejo como lusitanos. Mas era tudo a mesma gente.

 

E o professor John Koch, tem razão.  Claro que tem!  E só porque durante um século se ensinou que os celts tinham vindo das tribos germânicas não significa nada e está na altura de mudar a conversa. Temos pena.

Sim Tartessian é celta. E se Tartessian é celta então os celtas vieram daqui. E não só vieram daqui como os Celtas são a evolução natural dos bell beaker portugueses.  

 

Mas claro que com a falta de pessoas formadas em história isto é tudo muito difícil de ser promovido e de fazer papers nos jornais internacionais de referência (que estão sequiosos por trabalhos nestas áreas). Aliás, o pouco dinheiro que há vai para a Raquel Varela e subsidiar os papers dela sobre as relações de trabalho e sobre as Greves e direitos Sociais na revolução dos Cravos.

 

Cada povo terá sempre aquilo que merece (!) - Pr muito esforço que faça vai sempre dar ao seu regression to the mean. E o nosso mean parece ser cada vez pior. Sim, temos pena.

 

 

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