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Será este o teste?

por Olympus Mons, em 28.10.13

“One of the funny things about the stock market is that every time one person buys, another sells, and both think they are astute.”
–William Feather”

 

Se reparem escrevi o post  As bolhas financeiras e a esquerda (a 8/10/2013) ainda antes da atribuição do prémio novel da economia deste ano (2013) que foi atribuído a economistas (pelos menos 2 deles) que curiosamente abordam exactamente o mesmo tema. Também agora saiu o livro da Alan Greenspan, antigo presidente do FED em que um dos focal points dele no livro é que afinal existe uma maior irracionalidade nos mercados e no sector financeiro do que se achava possível. O que se está agora a perceber é algo óbvio! - Nunca deixes humanos à solta, porque nós não fomos desenhados para a verdade, fomos desenhados para o sucesso… Chama-se selecção natural!

 

Tal como dois dos economistas prémios Nobel da economia deste ano nos indicam, tal como Alan Greenspan agora parece ter descoberto, tal como Colin Camerer  nos mostra nos seus trabalhos, tal como outros autores também começam a evidenciar em diversos trabalhos (alguns em neurociência), quando toca  aos processos neurológicos de decisão toda a carne é metida no assador e quando o grau de complexidade é enorme, como no caso dos mercados financeiros, as tentativas de inferir razão e intenções leva à percepção do (s) mercado (s) como uma entidade singular, com vontade própria, que leva á personificação dos mesmos que é claramente perigosa.  Perigosa porque os estudos demonstram que temos um comportamento muito diferente quando estamos a jogar com uma outra pessoa ou contra, por exemplo, um computador. Perigosa porque se personificarmos vamos tentar aplicar inferências de TOM (theory of mind), colocar-me nos sapatos de alguém, ou seja tentar perceber o que essa pessoa (mercado) sabe que nós não sabemos e como tal incorporar esse conhecimento, esse 2nd order belief e nem percebemos que não existe racionalidade por detrás do que estamos a assistir, não passando tudo de uma bolha de inferências em prol da satisfação da euforia reinante.

 

Mas, para além de me gabar de ter colocado antes do acontecimento um post relacionado com premio Nobel, porque falar nisso agora?

 

Porque vai ser curioso ver quem vai resolver o problema! A esquerda ou a direita?  E se for a esquerda percebemos que o patamar de esquerdização estará muito perto se ser norma.  No dia em que até questões de funcionamento dos mercados de capitais mundial são decididos pela esquerda (processos cognitivos de) então sabemos que é altura de perceber que a guerra está perdida e vamos viver as consequências: sejam elas boas ou más.

 

Ora a esquerda é normativa. Ou seja a parte da moral e ética que se preocupa é no essencial normativo. Não é por mero acaso que se costuma dizer que o Harm/care e fairness/reciprocity é a parte normativa da ética e a parte do loyalty/ingroup,  Authority/Respect, etc são a parte descritiva (descriptive) da ética e da moral. A esquerda, como expliquei no meu post sobre Haidt só conhece, só reconhece, a parte normativa (prescriptive) e por isso a esquerda é toda virada para impôr regras (normativos) aos outros( Politic Correctness , burocracia, etc.).

 

Direita = Descriptive ethics (What do people think is right?)  // Esquerda =  Normative (prescriptive) ethics( How should people act?)

 

Se chamar cada um dos grupos a resolver o problema enunciado terá algo muito parecido com os seguintes axiomas:

 

Esquerda - Chamada a resolver esta questão irá definir regras no modo como o valor dos assets é gerado/atribuído. Por exemplo, assim que houver um determinado asset (ou conjunto identificado de) que esteja a atingir um valor muito alto ou com determinado ratio incremental irá haver normativos que impedem o valor de continuar a crescer. A interpretação que determinado valor não está estabelecido tornará nula sua evolução. Isto é a esquerda: Tem prescrição de medicamento para tudo.

 

Direita- Chamada a resolver este problema, sendo mais descritiva do que normativa, irá procurar incluir um instrumento de avaliação deste tipo de fenómenos por exemplo atribuindo, a quem quiser consultar, um índice de risco de bolha... Acertou, algo muito parecido com o serviço das agências de rating, se calhar mais diversificado, mais detalhado e com índices e ratios que representam riscos de irracionalidade no dia-a-dia da operação bolsista. Isto é a Direita: Avisa e pune, mas no entretanto cada um está por sua conta e risco.

 

 

 

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