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99% não é suficiente

por Olympus Mons, em 10.02.14

 

E o igualitarismo tem um outro nome – Insucesso.

Atenção! - Se a preferência for pelo igualitarismo ao invés do sucesso não tem problema. Tem é que ser assumido. Na Coreia do Norte está assumido.

 

Contudo existem lições simples, simples, que estranhamente são muito difíceis de ser aprendidas.

 

Aparentemente todas as pessoas, grupos, fenótipos, países, etc que tem sucesso partilham 3 características: Sentimento de superioridade, Insegurança e controlo do impulso (controlo do Hyperbolic discounting ou present bias).

 

Amy Chua, aquela que escreveu Tiger Moms , sobre o modo como os asiáticos educam os filhos para o sucesso e o ocidentais para o insucesso volta a falar sobre o assunto num livro. Naturalmente com mais cuidado que isto de ofender o fascismo cultural de esquerda e a brigada Political Correctness  no ocidente tem custos muito elevados. Desta vez ela tem mais cuidado. Mostra respeitinho e eles gostam apesar de não propriamente o conseguirem estender aos outros  - The Triple Package: How Three Unlikely Traits Explain the Rise and Fall of Cultural Groups in America.

 

São vários os estudos que nos demonstram que ter as características para ter sucesso, seja uma pessoa ou um país, tem a ver com a capacidade de determinado grupo, muçulmano, mórmon, cristão , branco, negro , às cores e às bolinhas consiga conjecturar, confeccionar sobre si próprios (in group/loyalty). Todos eles têm que ter algo a provar.

 

Depois tem que considerar que não foi bom o suficiente. Tem que ter a capacidade de se medir sempre contra os expected outcomes do seu Orbifrontal Cortex – Essa é a insegurança: Porque fica sempre abaixo das expectativas que computou. Quem avalia pessoas de elevado potencial repara nesse pormenor. Auto-avaliam-se sempre muito por baixo. Nada do que fazem é verdadeiramente suficiente.

 

Por ultimo, quem tem sucesso tem pouca vida. A vida é simples. Não atendem telefonemas a toda a hora, não tem “coisas” que tem mesmo que fazer, tem uma vida muito frugal e muito pouco detalhada. Compare a vida de pessoas de sucesso e espanta-se como tem um hedonismo muito pequeno. Parecem ter um controlo incrível sobre os sabores e prazeres do dia-a-dia. Estão sempre mentalmente noutro lugar, sempre muito focadas.

 

Assim, formar pessoas para o sucesso, e porque não para o crescimento económico, é formar pessoas que tem uma auto-estima mais reduzida, que estão sempre stressadas por ser under-achivers e por não terem verdadeiramente atingido o objectivo.

Eu não faço isso aos meus filhos. Sou exigente. Mas trabalho muito a auto-estima. Prefiro assim, é o trade-off. Mas os meus filhos sabem o que é controlar a dopamina, sabem o que é desconto hiperbólico de ganhos futuros e sabem que os outros são os outros porque eles são medidos pelos padrões e critérios da família e não pelos da comunidade.

É mesmo assim. É deixar que criem identidades, ingroup, que lhes dê a sensação que têm mesmo que se esforçar, pese embora muitos à sua volta estejam entretidos a saborear, porque são especiais, porque são diferentes, porque são eles próprios. Diferentes das outras formigas e conseguem ignorar os exemplos das cigarras à sua volta.

 

Formar pessoas para o sucesso é ser exigente com os nossos filhos, é dizer que 99% não chega, é dizer que que nos sacrificamos para eles terem mais oportunidades, que a nossa vida é difícil e eles têm que fazer com que tenha valido a pena…. Eh pá! A onde? Em Portugal? Um pais que viveu da inflação, desvalorização da moeda, depois da divida, de endividar os filhos e para o fim até os netos e agora estão todos na reforma a gritar pelos direitos garantidos e a palavrear das 20 às 24 horas em todos os canais de televisão? -  Não, não me parece que tenhamos muitas hipóteses. Aliás, acho que nem na europa se encontra esse milleu necessário ao sucesso. É a fatalidade da mobilidade (social mobility) que agora parece que é a vez dos outros.

 

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