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Eu que nem tenho nada a ver com esta área!

por Olympus Mons, em 02.03.14

 

 

 

 

 Esta conversa dos R1b é realmente espantosa. Isto de eles só serem visíveis nos últimos 5000 anos sem se saber como verdadeiramente aqui  chegaram é um mistério (e aqui é provavelmente e em grande parte Portugal). Um mistério que curiosamente não interessa particularmente aos portugueses. Interessa ao resto do mundo… mas não aos Portugueses – Deve ser porque temos poucas pessoas formadas em história em Portugal (!).

 

Mas OK.  Todas aquelas linhagens genéticas masculinas dos C que já nem existe, dos G2A que são residuais hoje dia quando eram de longe a maior linhagem no neolítico, esta coisa de não se conseguir ligar os R1B à cultura Indo-europeia, em grande parte porque ninguém é mais R1b que os Bascos e a língua deles é das poucas europeias que não são de todo língua indo-europeia.

 

Começando há 5000 anos podemos saltar milénios e vamos  vendo os R1b a espahar a cultura bell –beaker  nessa Europa fora como fogo em palha seca.  Continue a fazer  fast forward aos séculos e depois é voltar a encontra-los como Dorianos, como os Hittites (pese embora estes possam ter vindo das estepes do Cáucaso), como os troianos, Espartanos, romanos e navegadores portugueses. Esta linhagem patriarcal é realmente admirável. 2 Mil anos levaram até controlar (com os romanos) toda a europa e norte de África. Alguns séculos valentes depois dominavam o globo com portugueses! (e espanhóis, Franceses e Ingleses) … mas vamos parar. Isso já se sabe.

 

 Agora há que voltar atrás. Rewind!

 

Há 5000 mil anos atrás a europa era uma enorme wasteland. Limpinha de gelo após o auge do primeiro Periodo Óptimo do clima do holoceno (holocene Climate Optimum) entre 8 e 6 mil anos atrás e a iniciar o segundo (5000-3500 anos) numa europa com agricultores levantinos do G2A espalhados pelas estepes a viver em pequenos grupos que contrastavam com os cada vez menos abundantes caçadores recolectores originais da europa , espalhados pelos campos de cultivo de cereais ainda assim uma Europa vazia .

Mas aqui, no estuário do Tejo estava o centro da europa, de uma Europa que nem centro tinha mas onde já se formava a maior “cidade” da europa – Cidade à volta do castro do Zambujal (junto a torres vedras). Muito antes de Lisboa (3000 anos atrás) aparecer com o seu nome de Allis Ubbo, muito antes de ser Olissipo(-nis), mais a norte existia Zambujal (Torres Vedras). Nessa altura os 14 KM do rio Sizandro até ao mar era muito diferente sendo uma verdadeira língua do Mar terra a dentro. E do Zambujal com certeza que se navegaria também até ao estuário do Tejo onde outros grupos de instalavam ali para os lados de alverca, Vila franca, etc.  – Aqui começava a Cultura metalúrgica do bronze. E foram esses industriais do bronze que criaram a cultura Beaker que foi na verdade a primeira vez que os humanos deixaram de ser um bando e passaram a ter uma cultura, passaram a ter ideologia (qualquer que fosse)  e religião (qualquer que ela fosse… bullshit! Todos sabemos foi a percursora da religião celta, mas isso é para outro dia).   

 Convém lembrar que nessa altura, lá para o leste da Europa, provavelmente vindo das Estepes do Cáucaso começaram a vir os R1A da cultura Corded Ware, ou se quiser a cultura dos Machados de guerra, com características diferente desta do R1b e sem de todo demonstrar a diversidade de aspectos que estava subjacente ao dos R1b. – Não era a mesma coisa!

 

 

 

Radiocarbon dating seems to support that the earliest "Maritime" Bell Beaker design style is encountered in Iberia, specifically in the vibrant copper-using communities of the Tagus estuary inPortugal around 2800-2700 BC and spread from there to many parts of western Europe.[3][13] An overview of all available sources from southern Germany concluded that Bell Beaker was a new and independent culture in that area, contemporary with the Corded Ware culture.[14][15]

 

 Este pessoal  do estuário do Tejo  e especialmente Zambujal era prospector de metais e logo devia ter uma boa quantidade de metalurgia – Será que se deu aqui, nesta “cidade” junto ao rio Sizandro que nessa altura iria do mar até ao estuário do Tejo, o inicio do próprio conceito de comércio?  E os barcos navegavam tanto o Sizandro e o Tejo como entravam pelo mar a dentro junto a Santa Cruz após as Ericeira. E Isso foi a disseminação Marítima da Beaker – Cultura, comércio à escala pan-europeia,  hierarquia, armamento diverso e uma estrutura social complexa. Além disso tinham essa coisa que nunca se tinha visto – Um chefe!

Sim, um chefe e álcool. Meade e cerveja. E era assim que se apresentavam aos povos que iam encontrando. Uns copos depois e eram todos amigos (ou enterravam-lhes uma faca nas costas).

 

 

 

 

Mas vamos ficar aqui no Tejo mais um bocado. especialmente para falar sobre este outro traço unico de Portugal.

 

 

Existe algo que só havia aqui (Portugal).  Que são as placas de 15cm (da imagem ao lado) que estes R1b  produziam -  Que exprimiam e qual a sua significância?

Representaria algo ideológico e era muito importante para eles porque eram enterrados com estes objectos.

O pessoal que aqui vivia está separado entre dois grandes focos. Este do estuário do Tejo e o outro abaixo de Èvora, junto ao Guadiana (rio Ana).  Se olharem para um mapa verão que Portugal é partido em 3 faixas que entram pela península ibérica adentro.

 

 

 

 

 

A faixa entre o Guadiana e o Tejo, a faixa entre o Tejo e o Douro e faixa a norte do Douro.

Os rios eram grandes barreiras culturais. E estas placas foram elementos identificativos destes grupos.  O grupo enorme de pequenos clãs que vivia abaixo de Évora e o grupo a norte do Tejo.  Com o passar dos anos estes dois grupos foram ganhando traços culturais destintos. Na verdade são a mesma gente mas dividida por alguma razão Sociocultural. E olhando para as fortificações que foram construídas durante mil anos à volta de Zambujal a relação entre estes irmãos não deve ter sido sempre muito pacífica.   Foi desta relação conflituosa entre irmãos que fez com os beaker folk fossem imbatíveis. Eles apareciam como comerciantes de artefactos bonitos de cobre, como um gajos porreiros que bebiam e partilhavam cerveja,  e ainda por cima com uma estrutura guerreira.  – Isto foi o fenómeno Beaker.  Nunca se tinha visto nada assim e não se voltou a ver no período seguinte.

 

E  já agora que estamos nisto. Vamos falar de celtas. Os mapas das populações de alguns milhares de anos depois do que descrevi mostra a faixa do guadiana como Celtas e do Norte do Tejo como lusitanos. Mas era tudo a mesma gente.

 

E o professor John Koch, tem razão.  Claro que tem!  E só porque durante um século se ensinou que os celts tinham vindo das tribos germânicas não significa nada e está na altura de mudar a conversa. Temos pena.

Sim Tartessian é celta. E se Tartessian é celta então os celtas vieram daqui. E não só vieram daqui como os Celtas são a evolução natural dos bell beaker portugueses.  

 

Mas claro que com a falta de pessoas formadas em história isto é tudo muito difícil de ser promovido e de fazer papers nos jornais internacionais de referência (que estão sequiosos por trabalhos nestas áreas). Aliás, o pouco dinheiro que há vai para a Raquel Varela e subsidiar os papers dela sobre as relações de trabalho e sobre as Greves e direitos Sociais na revolução dos Cravos.

 

Cada povo terá sempre aquilo que merece (!) - Pr muito esforço que faça vai sempre dar ao seu regression to the mean. E o nosso mean parece ser cada vez pior. Sim, temos pena.

 

 

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