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O novo regime

por Olympus Mons, em 09.11.15

 

 

Quando observo o panorama político ao dia de hoje tenho algumas asserções imediatas.

 Primeiro que à semelhança do que tem sucedido noutros países nos últimos anos a clivagem, o cisma, ente pessoas de esquerda e direita vai ser uma realidade marcante em Portugal durante muito tempo.

Portugal vivia uma benignidade resultante do combate ao período pós revolucionário em que o centro era o epicentro de toda a política em Portugal, permitindo por parte dos well informed a permutação de qual das duas forças politicas tinha conjunturalmente o poder, e essa era a nossa proteção contra a atuação dos ill informed . O PS desde ontem (e não só o António Costa) cravou uma nova realidade. Que fique claro que essa é a responsabilidade deles.

Quando em vários locais do mundo ocidental se regista um acréscimo brutal de desagravo e agressividade para com as forças políticas do outro lado do espectro politico se calhar era uma questão de tempo até o fenómeno chegar a Portugal. O problema é que quem por norma inicia estes processos (esquerda) parece sempre acabar por ficar surpreendido com a eternização dessa realidade para além do lhes convém. Caso típico é, como sempre, os EUA.

O valor de “warmth” para com a outra força politica (conservador vs Liberal, ou republicano vs democrata) sempre foi, mais ou menos, ameno e consistente até meio do mandato de Bush II onde começou a declinar de forma muito acentuada (lembrar das imagens de Bush Nazi, etc.). Quando Obama assumiu o controlo da administração americana passou, para as pessoas de esquerda, a “estar tudo bem” e tem sido com grande “apreensão” que repararam que afinal o dislike entre as forças politica afinal ainda se agudizou muito, mas muito, mais (passou de quase 40% para menos de 20%!). Para alguém de esquerda como é que é (era) possível que as pessoas de direita agora não vissem como estava tudo bem e era altura de todos adorarem o novo totem da esquerda. Mas que gente mais mal formada e mal-intencionada. Contudo esta nova realidade, hoje, é aceite como a nova normalidade nos EUA.

 

Em Portugal da segunda metade desta década ou és de esquerda ou és de direita. Não haverá partido (s) de charneira. Isto tudo implica que, muito provavelmente, em Portugal o arco da governação não voltará a governar sem maioria parlamentar e se tudo correr como nos outros países o CDS não voltará a ser opção para o PS se coligar ficando este sempre dependente de acordos com um conjunto de agremiações politicas à sua esquerda que do ponto de vista programático lhe são muito diferentes ou quiçá até alienígenas no conteúdo da praxis politica (onde está muito perto do PSD).  

Mas o mundo irá dar muitas voltas e, tão certo como o destino, quando lhe for conveniente o PS irá querer voltar ao velho regime (que é o seu e se nada mais é só irónico que seja ele a destrui-lo) e ficará profundamente ofendido e indignado que os partidos à sua direita sejam tão “irresponsáveis” que não coloquem os interesses da nação acima dos seus interesses partidários.  Ser socialista é ser suficientemente de esquerda para não perceber sequer o que o Karma é,  ser socialista é não perceber que para alguns, ou “outros”, aquilo que tens hoje nunca é desassociado do que fizeste ontem.

O problema é que nestes processos é depois muito difícil voltar a atrás. Em especial com essa variável em ação neste momento em Portugal que é em política sempre um momento muito perigoso: Generational changing of the guard.  Conhecido como a morte das amizades. Observem os young turks dos dois lados e vejam, como por norma, existe uma agressividade e desprezo latente na atitude.

 

 Quanto a António costa…hhummm, talvez seja melhor abordar o que ele fez num próximo post.

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