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Como já escrevi num post, em democracia é essencial que se deixe a ignorância (enquanto medida por PIQ – Political IQ) seguir a regra dos grandes números. Espalha-se pelo espectro político e anula-se. Não querendo ofender considero que a extrema-esquerda faz parte da ignorância dos ill informed -Essa foi a lição que o Tsipras e o Syriza nos deram (até pela rapidez com que “viraram” social democratas!).

 

 

 

Escrevi eu na altura em http://barradeferro.blogs.sapo.pt/o-milagre-da-agregacao-16243:

“E a ignorância é importante porque esta implica que se deixa que de forma não sistemática, sem erros sistemáticos (e isso é importante!), que os ignorantes se anulem. Em ciência política é assumido que as pessoas, o povo, não sabe por norma do que está a falar ou das variáveis intrínsecas das várias partes que compõem uma política. Logo pendem de forma algo aleatória (na minha opinião por favorecimento de uma determinada preferência cognitiva) para um lado ou para o outro. - Se deixarmos que isto aconteça, o que é conhecido como a lei de números grandes (law of large nunbers) implica que os 90% que votam e não percebem nada do assunto (ill informed-  e este nome é horrível para caracterizar quem tem mais que fazer da vida, qualquer que seja a razão, do que seguir fenómenos políticos) vão votar de forma a anular-se uns aos outros e serão os restantes 10% (mais ou menos) que ao tomar uma decisão decidem o futuro do país (os well informed).

O meu problema é que António Costa pode ter introduzido um erro sistémico de utilização a seu favor dos votos dos “Well Informed” visto ter utilizado uma insciência, um desconhecimento efetivo sobre os seus planos de agremiação de todas as forças políticas menos votadas, que perderam as eleições, para aceder ao poder e assim perverter um sentido geral de voto da população.

O “erro sistemático” foi assim introduzido quando costa utiliza os votos dos “well informed” (que não faziam mesmo a mínima ideia do que ele iria fazer, relembre-se o espanto geral nos dias subsequentes à eleição) para perverter a ordem (do centro ou centrão se preferir) e tomar o poder de assalto.

Explicando -  Num sistema politico nunca é de brincar com essa “população” dos well informed porque no fundo eles são os Xn da lei dos grandes números nesta equação. Após 40 anos de “observações” (era essa a tal tradição que tanto se falou), após X1 (eleição1), X2 (eleição2), X3 (eleição 4) eles representam o average das “observações” que deram acesso ao poder sendo assim o E(X) – ou seja o expected value da random variable que realmente importa dentro do referido sistema - quando se preverte isto, a equação tem um erro.

 

O que Costa fez, seja quais forem as consequências para o futuro, foi inserir um erro nesta equação e como tal não surpreenderá ninguém que ela se transforme em algo inútil. A partir de agora vamos criar observações da população para uma nova equação. E isto não deveria ser feito pelo maior perdedor da eleições. Isso é torna este momento politico ainda mais estranho. Permitir que alguem que acedeu ao poder do seu partido de uma forma, digamos, menos lisa e que a seguir a ter uma derrota estrondosa nas eleições do seu pais decide fazer uma alteração destas ao regime é, no minimo, de todo desaconselhavel para a saude da democracia.  

 

Para quem gostasse do anterior regime (que não era o meu caso) ainda há uma esperança.

Uma coisa é certa, este novo regime vai ser polarizado. E não me pareça que o perfil português se dê muito bem com estes extremos. E sendo assim vamos assistir, se tudo correr bem ao PS a uma tentativa muito mais rápido do que muitos considerarão possível nesta altura, de querer voltar à anterior ética descritiva do anterior regime ou estado politico (que já de si era do PS). A questão é se o PSD/CDS o farão devido à natureza mais carmática da direita em que que aquilo que ontem fizeste tem que corresponder a consequências hoje (boas e más). Vai ser interessante observar até que ponto a direita, se isto acontecer, cerra fileiras e faz os país esquerdista pagar o preço (e por consequência todo o país). Ou se por outro lado deixará o pragmatismo politico imperar e deixará voltar, pelo menos até certa medida, o antigo regime.

 

Caveat (alarme): Paulo Portas, Paulo Portas, Paulo Portas!!!

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2 comentários

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De Rodolfo a 13.11.2015 às 12:50

Está enganado, caro bloguer. O sistema político não é aleatório. É mais o que nós físicos chamamos de ressonância. Dou-lhe um exemplo: diga ao seu filho para limpar o pó ao quarto dele. Ele provavelmente limpará mais nuns sítios do que noutros. O que o bloguer diz é que, segundo a lei doa grandes números, depois de muitas vezes a limpar o pó ao quarto, ao fim de um tempo ele estará uniformemente limpo. Pergunte à sua esposa se isto é verdade, e ela lhe dirá que não é. E não é porquê?! Porque o seu filho não vai limpar atrás do armário nunca, então o pó neste sítio mais acumular-se, formando uma 'ressonância'... o comportamento humano é mais descrito por ressonâncias do que por comportamento aleatório.
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De Rodolfo a 13.11.2015 às 13:06

Ainda quanto ao comentário anterior, para confirmar tente fazer a seguinte experiência: Crie um partido que defenda o 'assassínio de todas as crianças com idade inferior a 8 anos', e logo verá que não terá a sua parte do 'random behaviour'. As pessoas comportar-se-ão precisamente como eu disse, com ressonância, ou seja ninguém vai votar em si (igual ao seu filho não limpar atrás do armário).

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