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Tinha prometido terminar esta série sobre antropologia com um post sobre HLA (human leukocyte antigens).

Muitas vezes aqui falei de Mtdna ( Dna Mitocondrial) que as mães passam aos filhos  e de DNA do cromossoma Y que os pais passam aos filhos daí criando linhagens e haplogrupos genéticos específicos.  É daí que vem a conversa dos R1B do cromossoma Y e das Helenas do DNA mitocondrial. Naturalmente o load genético de cada um de nós depois é carregado pela passagem de genes que não são específicos de um daqueles tipos atrás referido mas sim autosomal (a maioria do nosso load genético).

Tudo isto são marcas que ficam nos genes das pessoas e que estas passam ao longo do tempo e das eras às suas proles e assim verificando estas marcas entre pessoas consegue-se perceber quão relacionadas Filogeneticamente são entre si.

HLA é uma dessas partes autossomais!

 

HLA são também cicatrizes adaptativas que ficam nos genes do seu sistema imunitário relativo a essa pressão dos antigénios que encontraram. Os humanos, como todos as formas vivas são o resultado adaptativo nomeadamente da pressão ambiental a que tiveram sujeitos ao longo do tempo e das tais eras.  Por isso quando os humanos encontraram corpos que lhes eram estranhos o sistema imunitário reage com os antigens de forma a criar as reacções dos anticorpos, do seu sistema imunitário. Por isso esses alelos no cromossoma 6 por lá ficam e são uma excelente maneira de saber por onde andaram os seus antepassados.

 

Muito do que eu vou dizer nem é novidade. Está por aí dito pelos trabalhos de Antonio Arnaiz-Villena … desde 1997! Pese embora eu partilhe o criticismo aos dendogramas de Arnaiz-vilhena que não lembrariam nem ao menino Jesus… mas o que é facto é que estão lá, enterrado debaixo das suas visões politicas, os dados científicos.

 

Analisar os portugueses é encontrar  o HLA A2-B7-DR15. Este é conhecido como Europeu antigo e Paleo norte-africano.  Chamemos-lhe EPA.  E  não nos iludamos o EPA é partilhado pelos R1B da europa ocidental e pelos Africanos (paleo), aqueles que habitavam a área muito antes da sua população actual, os Árabes. Estamos a falar de Berbers e de Tamazights do norte de África que na minha opinião conviveram com os R1B quando eles por ali passaram. O EPA encontra-se em alta frequência nos argelinos (por onde passaram os R1b), nos portugueses, espanhóis, bascos, austríacos e Reino Unido, com incidências elevadas nos portugueses, bascos franceses, pessoal da Cornualha e atrevo-me a dizer que se procuraram encontram na Irlanda, escócia e Pais de gales , tal como na verdade em todo sul da Inglaterra… porque esta marca seguiu os R1b do estuário do Tejo em toda a sua Celtificação (ou pelo menos largas partes da mesma)  da Europa ocidental.

 

Esta é, na minha opinião mais uma prova da passagem dos R1b por África.

 

Já que estamos nisto do HLA, convém relembrar que os Portugueses (e em doses menores por exemplo os brasileiros e americanos pela nossa migração) possuem genes únicos que são o HLA-A25-B18-DR15 e A26-B38-DR13. Chamemos-lhe os Luso1 de o Luso2.  Isto representa uma menor  admixture da nossa parte. Convém lembrar que os estudos a que me refiro se centraram em pessoas das regiões entre o Tejo e o douro (por isso das outras regiões não sei).  Mas a existência da localidade destes genes implica realmente a existência de uma população local que não sofreu uma mistura muito grande com o passar dos milénios e que representará o legado dos misteriosos Oestreminios (provavelmente) mais tarde identificados como os Lusitanos.

 

 

Tal como é a norte de Portugal se concentra de forma mais acentuada o legado deste Paleo Norte Africano indicando que provavelmente nas incursões Árabes na península ibérica os primeiros a fugir para norte foram precisamente o legado dos habitantes mais antigos do norte de África (berberes).  Em Portugal, mesmo as clades de mutações do cromossoma Y nos mostram que não há assim muito sangue árabe em Portugal (muito menos que seria de assumir) mas sim berber. Dos Árabes não ficou uma admixture muito acentuada, não.  Excepto nos alentejanos (se é que 10%-20% se considera muito).

 

 

E já agora, tanto o A30-B18-DR3 também  berber ou o A33-B14-DR1 considerado um gene Mediterrâneo também só se encontra (pese embora em concentrações baixas) no norte (trás os montes) e no sul (Alentejo) mas é inexistente no Centro de Portugal. Mas no fundo isto indica por exemplo um menor admixture genético dos portugueses do que por exemplo os espanhois.

 

Mas o mais importante era mesmo que alguém investisse em investigar os Castros de Zambujal  (Oestreminios e amigos R1b?) e já agora que os estudos que estão a ser feitos em Perdigões, a sul de Évora ao pé do guadiana (coinos e amigos R1b?), também envolva o máximo possível de filogenética e estudos genéticos em geral.

 

Talvez seja wishfull thinking mas valia a pena.

Abrir parques temáticos com edificações representativas da origem dos R1b , Bell Beakers e Celtas posso garantir que trazia muita, mas muita gente.

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2 comentários

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De Anónimo a 21.03.2014 às 16:11

É melhor despachar-se com o paper pois a NASA (que pelos vistos também se dedica agora a profecias) afirma com toda a certeza absoluta em modo cientifico que a civilização industrial está condenada ao colapso irreversível.... Creio que não vão sobrar nem Dads nem Cads para contar a história...

http://www.theguardian.com/environment/earth-insight/2014/mar/14/nasa-civilisation-irreversible-collapse-study-scientists

Maria Rebelo
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De Olympus Mons a 25.03.2014 às 09:36

Assim que li Goddard space center e modelos, desisti logo. :-)

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