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TAP.... for dummies na COSTA portuguesa.

por Olympus Mons, em 22.12.15

 

TAP - Não me é usual comentar em post este tipo de tema. Mas no caso da TAP abro uma exceção. Isto surge de um comentário do “zé Laranja” sobre o facto de eu considerar que a esquerda fala muito "à esquerda", mas como todo a gente decide "à direita". A diferença entre os dois é o momento em que isso ocorre sendo que os segundos fazem-no com base em expected outcomes que antecipadamente computam (muitas vezes corretamente mas naturalmente nem sempre) e os primeiros de forma algo bayesiana, fazem um processo em que as coisas são continuamente reavaliadas até que chegam à conclusão na maioria das vezes são iguais à conclusão e processo de decisão que a direita tomou lá atrás. O problema, é que nem sempre os resultados de uma decisão tomada lá atrás é o mesmo de uma decisão tomada extemporaneamente muito tempo depois.

 

A TAP, vai continuar privatizada. Claro que vai!

 

A TAP vai continuar privatizada e com a maioria do capital privado, porque o mercado, ou os mercados, aonde a TAP labora, ou seja a indústria à qual pertence, está em mudança. A probabilidade da TAP sobreviver sem ser no contexto completamente liberalizado em que a sua indústria se tornou é efetivamente 0%. E, curiosamente se houve entidade ou entidades que destruíram completamente a hipótese de continuar a haver companhas aéreas de bandeira foram as instituições Europeias que permitiram todas as liberdades do mundo às low costs (e provavelmente bem) e como tal a TAP, como outras empresas noutras indústrias, tem que se reinventar.  

A TAP sendo uma empresa que exporta mais de 80% do seu produto, sendo uma empresa que vende em mercados à volta do planeta inteiro, tem que possuir o dinamismo necessário à sobrevivência na concorrência direta com todos os que providenciam a mesma oferta que a TAP. Isto é o epicentro do conceito de concorrência sendo o oposto do conceito de estatal que existe para servir os interesses de uma determinada subpopulação.

Só se sobrevive na indústria do transporte aéreo se houver sinergias com outras empresas com domínio de outros mercados (essencialmente mercados internos grandes), se houver uma simplificação total de processos que permitam a venda, o lidar com a procura, num mundo de Marketing e canais Digital, se houver uma oferta de experiencia a bordo inovadora e moderna (como novos aviões) … tudo coisas que são muito, mas muito, difíceis fazer quando se está na esfera dos interesses de um estado e quando até o dialogo de decorre é, à luz de um mundo moderno, disfuncional.

 

Claro que a TAP vai continuar privada, claro que vai fomentar grandes sinergias com a AZUL, claro que vai incrementar parcerias com empresas do grupo gateway do neeleman para efeitos de metasearches e OLAs, claro que vai fazer interline e code-share com a jetblue e vai implementar novos conceitos de retailing e branding sales  em conjunção com estas e outras entidades, etc.

 

Ora, com isto é claro que vai reduzir a sua participação no PIB (que é considerável) vai reduzir pessoal e pagar menos ordenados em Porgugal, vai comprar menos bens e serviços em Portugal, sim, mas pelo menos vai existir. E vai estar aqui a contribuir para a riqueza do país versus nem existir -  Porque essa é mesmo a outra opção. É só que o Antonio Costa vai levar algum tempo a perceber isto. 

 

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A guerra entre Bayesianos e Frequentistas

por Olympus Mons, em 25.10.13

 

 

 

 Esta é para o meu amigo Bruno Marques,

 

No seguimento do post anterior esta explicação parece-me importante. Porque isto tem que estar em pedra:

 

As pessoas de direita  (pela OFC/VMPFC) necessitam de viver a avaliar o resultado do seu comportamento e os incentivos que suportam esse comportamento (incentive value of a behavioral outcome) assim como a determinar o valor de um resultado relativo, fazendo o match, com a opção que originou esse resultado (credit assignement), ou seja o que fiz eu (ou outros) e qual delas ( das actuações/regras, etc) é que depois originou então este resultado.  Depois fica registado (provavelmente na OFC) para uso posterior.

Tal como faz parte dos processos em que se sentem confortáveis comparar qual o valor de cada uma das alternativas disponíveis para escolher, essencialmente com base no seu valor subjectivo (… sem necessariamente calcular o resultado do valor expectável a dividir pelo esforço),  assim qual dessas alternativas se apresenta como a mais correta de forma subjectiva (e subjectivo não em relação a ele como pessoa mas à alternativa).  No momento em que decide isto, fica ancorado a este momento. Mesmo no futuro, qualquer avaliação de eventos voltará ao ponto em que isto foi decidido (até á próxima análise que compute outra amostra da realidade).

 

 

As pessoas de esquerda (pela ACC/DLPFC), pegam no valor expectável de determinada opção e integram essa informação , concertam, com o valor da acção que se vai tomar (que se espera tomar) para procurar qual a utilidade dessa opção. Alguém de esquerda está sempre a procurar o importância funcional, a utility.  Aliás por isso diminuem mais o valor de uma determinada opção se o esforço para a atingir for grande, continuamente calculando custo/benefício da recompensa prevista. Nesse cálculo vão incessantemente registando a história recente da escolhas e dos resultados obtidos, gerando reward prediction error,  erros na previsão das recompensas (que muitas vezes vem da OFC e VMPFC). Na esquerda esta actividade toda da ACC liga com a DLPFC que sendo onde reside a working memory  e onde são computadas uma variedade enorme de informação importante para o comportamento imediato e este é assim reajustado conforme , se quiserem, o rolling average dessa informação e conforme essa informação vai alterando assim são alteradas em conformidade as crenças e o comportamento sem verdadeiramente dar importância ao que se achava no início do processo.

 

 

Esta diferença entre modelos cognitivos é muito importante e eu deveria parar por aqui. Por isso releia os dois parágrafos anteriores antes de prosseguir e se quiser até abandone o Post e volte noutra altura:

 

Assim e por incrível que pareça, nesta esquerdização do mundo,  os terrenos onde decorrem as batalhas são dos mais incríveis que se possa imaginar. Um dos mais curiosos é o da estatística e a ascensão das lógicas Bayesianas . E esta muito famosa guerra entre Bayesianos e frequentistas é mais importante do que aquilo que se possa pensar. A lógica Bayesiana (lógica da esquerda muito baseado nos primeiros parágrafos) é muito diferente filosoficamente da lógica frequentista (lógica da direita muito baseado nos primeiros parágrafos). Bem, pelo menos eu acredito que assim seja.

 

Alguém de direita, perdão frequentista, dirá: O mundo é de uma determinada maneira mas eu não sei como é. E na verdade não te consigo dizer como o mundo é só através dos dados, porque estes são sempre finitos, com várias incongruências e eu olho para eles com desconfiança. Assim vou usar estatísticas para alinhar as alternativas e ver quais é que ficam mais ou menos fora da realidade que observo. Ser frequentista significa que só se faz afirmações sobre o mundo em si e não sobre as minhas crenças sobre ele.  São feitas apreciações sobre os dados e o seu significado, mas não sobre a hipótese (mundo) porque ela ou é, ou não é, e não está condicionada verdadeiramente aos dados (do qual se é, mais ou menos,  céptico).

 

Alguém de esquerda, perdão Bayesiano diz :  o mundo é de  uma determinada maneira mas eu não sei como é. Tudo o que tenho são estes dados aqui que são finitos e delimitados. Assim vou usar esses dados para inferir quão provável será cada um dos diferentes estados do mundo. Ser Bayesiano implica fazer afirmações sobre as minhas crenças sobre o mundo, mas não perde tempo a questionar o significado dos dados, computa e depois infere sobre a hipótese (mundo) sendo que a hipótese está toda condicionada aos dados que ele insere para computar. Quando inserir novos dados volta a computar e a olhar então para o mundo (hipótese) outra vez e o resultado que estiver presente passa a ser a sua (nova) crença.

 

Portanto , um Bayesiano dirá: provavelmente não há vida em marte. E quer dizer literalmente isto. Que ele acredita, que ele infere, que existe uma probabilidade baixa de haver vida em marte. Um frequentista só pode dizer que que os dados que usou não permitem dizer que há vida em marte. É muito diferente. Um faz apreciações sobre os dados o outro sobre a hipótese. Mas ao final do dia ou há ou não há vida em marte e esse “se há ou não há” não tem nada a ver com os dados!

 

 

Confuso? Também achei. Mas correto!

 

 

Nota: Toda a gente entende que qualquer pessoa independentemente da sua ideologia possui a capacidade de gerar qualquer dos processos cognitivos acima descritos, certo? A ideologia é meramente a escolha de em quais dos processos a pessoa se sente naturalmente mais confortável, logo que usa por default.

 

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