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Douglas Murray

por Olympus Mons, em 23.12.15

 

Agora que se aproxima o fim do ano:

Este ano descobri Douglas Murray.  A par de pessoas como Nial Ferguson que sigo faz algum tempo, este ano descobri  para meu deleite mais este, tal como Nial, refrescante escocês.

 

 

          https://www.youtube.com/watch?v=jbsfdreLwT8

          https://www.youtube.com/watch?v=xPNWZg0jZwY

 

Inteligente, Gay e de direita, é um dos vários antibióticos contra um fenómeno que devassa o mundo e que parece estar a espalhar-se a uma velocidade estonteante.

 Um fenómeno global em que a estupidez é aceite como uma característica perfeitamente normal, funcional e até produtiva. Veja-se a Catarina Martins.

Uma total incapacidade de cognitive reflection parece grassar no mundo. Bom exemplo é o New York times publicar coisas como overdose mata mais de meio milhão de pessoas por ano nos EUA. Uma total ausência de noção de factos e de realidade. Qualquer pessoa que viva neste mundo sabe que seria impossível numa população de 300 milhões ter meio milhão a morrer ao ano de Overdose mesmo que não faça a mais pequena ideia sobre o assunto -  Alguém deve investigar se não estão a nascer consideravelmente mais idiotas por minuto do que a proverbial unidade.

 

Um dia à noite, coloque uns auriculares e divirta-se.

         https://www.youtube.com/watch?v=8XwFWRRyMsk

 

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TAP.... for dummies na COSTA portuguesa.

por Olympus Mons, em 22.12.15

 

TAP - Não me é usual comentar em post este tipo de tema. Mas no caso da TAP abro uma exceção. Isto surge de um comentário do “zé Laranja” sobre o facto de eu considerar que a esquerda fala muito "à esquerda", mas como todo a gente decide "à direita". A diferença entre os dois é o momento em que isso ocorre sendo que os segundos fazem-no com base em expected outcomes que antecipadamente computam (muitas vezes corretamente mas naturalmente nem sempre) e os primeiros de forma algo bayesiana, fazem um processo em que as coisas são continuamente reavaliadas até que chegam à conclusão na maioria das vezes são iguais à conclusão e processo de decisão que a direita tomou lá atrás. O problema, é que nem sempre os resultados de uma decisão tomada lá atrás é o mesmo de uma decisão tomada extemporaneamente muito tempo depois.

 

A TAP, vai continuar privatizada. Claro que vai!

 

A TAP vai continuar privatizada e com a maioria do capital privado, porque o mercado, ou os mercados, aonde a TAP labora, ou seja a indústria à qual pertence, está em mudança. A probabilidade da TAP sobreviver sem ser no contexto completamente liberalizado em que a sua indústria se tornou é efetivamente 0%. E, curiosamente se houve entidade ou entidades que destruíram completamente a hipótese de continuar a haver companhas aéreas de bandeira foram as instituições Europeias que permitiram todas as liberdades do mundo às low costs (e provavelmente bem) e como tal a TAP, como outras empresas noutras indústrias, tem que se reinventar.  

A TAP sendo uma empresa que exporta mais de 80% do seu produto, sendo uma empresa que vende em mercados à volta do planeta inteiro, tem que possuir o dinamismo necessário à sobrevivência na concorrência direta com todos os que providenciam a mesma oferta que a TAP. Isto é o epicentro do conceito de concorrência sendo o oposto do conceito de estatal que existe para servir os interesses de uma determinada subpopulação.

Só se sobrevive na indústria do transporte aéreo se houver sinergias com outras empresas com domínio de outros mercados (essencialmente mercados internos grandes), se houver uma simplificação total de processos que permitam a venda, o lidar com a procura, num mundo de Marketing e canais Digital, se houver uma oferta de experiencia a bordo inovadora e moderna (como novos aviões) … tudo coisas que são muito, mas muito, difíceis fazer quando se está na esfera dos interesses de um estado e quando até o dialogo de decorre é, à luz de um mundo moderno, disfuncional.

 

Claro que a TAP vai continuar privada, claro que vai fomentar grandes sinergias com a AZUL, claro que vai incrementar parcerias com empresas do grupo gateway do neeleman para efeitos de metasearches e OLAs, claro que vai fazer interline e code-share com a jetblue e vai implementar novos conceitos de retailing e branding sales  em conjunção com estas e outras entidades, etc.

 

Ora, com isto é claro que vai reduzir a sua participação no PIB (que é considerável) vai reduzir pessoal e pagar menos ordenados em Porgugal, vai comprar menos bens e serviços em Portugal, sim, mas pelo menos vai existir. E vai estar aqui a contribuir para a riqueza do país versus nem existir -  Porque essa é mesmo a outra opção. É só que o Antonio Costa vai levar algum tempo a perceber isto. 

 

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Tão betinhos que somos!

por Olympus Mons, em 19.12.15

No meu post

 Nostradamus 3.5 ... Ou o modo como a direita não aprende (http://barradeferro.blogs.sapo.pt/nostradamus-3-5-ou-o-modo-como-a-21098)

 

Enfatizava coisas como:

 


   o golpe de estado (sort of)" que a esquerda está a fazer ao país não é porque vai tomar o poder e governar à esquerda mas sim porque vai tomar o poder e governar sem grande distinção da direita!”

 

 

Nem algumas semanas depois, quando ouvimos falar de como a extrema esquerda afinal engole sapos com bastante facilidade, fica aqui estas perolas da nossa direita parlamentar. Realmente costa sabe o que está a fazer…

 

Analisaremos caso a caso”, garante ao Observador o porta-voz, Filipe Lobo d’ Ávila. “Se o PS apresenta as nossas coisas, temos que votar a favor. Não votaremos contra propostas que nós próprios apresentámos. Além disso, temos que ter em atenção aquilo com que nos tínhamos comprometido com as pessoas”, secunda Telmo Correia

 

 

Parabens ao usurpador.

 

 

 

 

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Yuuppiii- O fim da austeridade

por Olympus Mons, em 19.11.15

 

 

Sabem porque quando um deputado do Bloco de esquerda é espancado por um cigano (passa a ter memória episódica) muda o seu discurso e passa a pedir atuações e choice behaviour que apelam as consequências do tal evento que lhe ficou marcado na memória?

Pela razão oposta que faz com que a esquerda não tenha medo do regresso da troika. Não lhes doeu verdadeiramente (pelo menos fisicamente). Mas eu explico.

 

Existe alguma falta de interpretação sobre os eventos políticos da nossa parte. Sempre que alguém de inclinação politica mais à direita fala ou escreve na média fá-lo sempre com referência a consequências futuras nefastas. Não resulta. Não quando se fala com alguém de esquerda.

Ou é, naturalmente, algo simples de elaborar e fácil de discernir ou então está a falar para o boneco. Achar que um Galamba, ou uma isabel Moreira, ou Catarina Martins, ou Francisco lousã ou até, aparentemente, um António Costa (não, este é diferente) vai ficar impressionado com o expected outcome da conversa de destratado orçamental é uma pura perca de tempo.

 

Não é falta de inteligência (obvio) falta de sentido de responsabilidade ou inconsciência (menos óbvio), ou até loucura (já depende da definição). É só que não são esses os mecanismos e processos cognitivos preferenciais e inerentes a quem é de esquerda. Só isso. Também não entro num plenário do PC e acho que os vou convencer das virtudes do capitalismo. E se não o faço então por que razão o grande argumento que nós fazemos é para pessoas que tem as preferências cognitivas semelhantes? Para nos convencer ainda mais? - Pode fazer sentido desde que seja para cerrarmos fileiras.

 

No cérebro, os mecanismos de choice behaviour são grandemente influenciados por a Amygdala, Orbifrontal e Insula. Quem lê os meus posts anteriores sabe que se associa (eu acima de todos os outros) a direita à AOV (Amydala-Orbifrontal- VMPFC) e a esquerda à IAD (Insula-ACC-Dlpfc). 

Neste contexto da ameaça e incerteza da austeridade a insula não deve contribuir muito. Visto que contribui somente  com estados internos do corpo (homeostáticos) e memória futura desses estados internos. Ora, se a austeridade não tiver criado, frio, fome, dor então não está registada como memória episódica (autorreferencial) não elícita grandemente a Insula e não conta para este rosário de antecipação de consequências nefastas as escolhas.  

 

Já a amygdala (que as pessoas de direita têm maior) é responsável por nos processos de choice behaviour trazer tanto a memória declarativa (lembrar o que aconteceu no passado) assim como o RMC (Reward Mediate conditioning)  que é o “se voltas a cometer este erro vai doer” e assim  juntar as pontas para levar as coisas a um bom porto num  “appropriate action-outcome associations” que deverá promover o expected outcome bom (positivo). Não quer dizer que seja sempre assim, quer sim dizer que por norma acontece aquilo (expected outcome).

Não é por mero acaso que em situações de incerteza se vota à direita.

 O que acabei de explicar é exatamente a razão por que assim acontece. Em situações de incerteza, que os humanos detestam, a amygdala acende como um pirilampo para resolver o problema… Se fores de direita. De esquerda só se o teu rabo estiver diretamente em risco. Caso contrário vais filosofar para o DLPFC e ACC. 

Assim. Conversas do papão do regresso da troika só fariam sentido se o povo português (pelo menos o de esquerda) tivesse passado fome, frio, doenças (temperatura corpo) etc. , e convenhamos, 7% de contração do PIB não é suficiente para deixar verdadeiramente marcas. Tinha que ser algo a rondar os 50% da saída de Portugal do euro.

 

Assim, querem livrar-se da esquerda durante longos e bons anos? – Esqueçam o Costa, ponham o Jerónimo em São Bento!

 

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Gostava imenso de ter mais tempo para escrever um pouco mais sobre estas questões de genética populacional. Tanto a nível pré-histórico (Paleolítico, neolítico, idade do ferro, Bronze, etc.) como numa perspetiva inovadora sobre eventos históricos, estas análises estão a mudar a nossa visão do mundo.

Até para aliviar um bocado as temáticas abordadas nos últimos dias. Ok.

Escrevo isto porque tive a ler the Italian genome reflects the history of Europe and the Mediterranean basin  e na verdade a diferença, o fixation Index, entre um italiano do Norte e um italiano do sul é por exemplo maior que a diferença entre um Português e um alemão. Ou entre um irlandês e um alemão (ou pelo menos parte considerável da Alemanha).  Fst 0.0013 é igual ou maior que a maioria (mais de 50%) de todas as combinações entre os povos europeus.

 

Já escrevi no post (De Catalães a Bascos. Duas coisas bem diferentes) sobre a independência da Catalunha que estes não se diferenciam geneticamente em nada (ou quase) dos espanhóis de Madrid. Mas, na verdade num mundo de incertezas em que vivemos existiria no futuro hipoteticamente um “Pais” que seria composto por Portugal, Espanha e…. Norte de Itália. Aliás, existe em várias análises PCA (principal componente)  de genes e polimorfismos comuns que criam este cluster de pessoas.   

Ethnicity Gedrosia Siberian NW_Afric SE_Asian Atlantic_Med North_Europ
Espanha 6.00 0.50 3.25 0.20 54.35 21.95
Norte Italia 5.76 0.28 2.80 0.26 39.36 24.61
Portugal 6.33 0.21 6.24 0.28 47.14 22.28

 

Ethnicity S_Asian E_Afric SW_Asian E_Asian Caucasus S_Saharan
Espanha 0.20 0.05 5.20 0.00 7.75 0.60
Norte Italia 0.06 0.39 5.44 0.29 20.20 0.54
Portugal 0.73 0.77 4.89 0.09 10.58 0.46

 

Com estas percentagens de genes destes clusters geográficos, como apresentado no quadro acima, as analises de principal components criam um cluster de pessoas que são geneticamente “mais” parecidas. Assim haveria um país de pessoas geneticamente "mais próximas" composto pela peninsula ibérica e norte de itália (Pidmonte,lombardia,romangna, etc). Aliás como outros "paises" podem surgir noutras areas geográficas da europa.

Alias, nota-se em Portugal o numero elevado de genes do norte de Africa, que na verdade ninguem sabe se são antigos (paleolitico/neolitico) ou da invasão arabe sec. VII-X (só por si isto dava um post enorme). Sendo sempre esse o traço distintivo que uso mesmo sem ver a nacionalidade no 23andMe se é português (procuro cerca de 6% de genes do norte de Africa), assim como uso a percentagem de genes negros (S_Saharan) para saber se estamos perante um Portugues (0.5%) ou um Brasileiro  de origem portuguesa (3.5%).

Deste ponto em diante dava para escrever um livro....

 

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Parece que afinal vão todos pelo teu caminho...!

 

 

 

 

 

 

 

 

Após os atentados desta sexta feira passadas, 13 de Novembro, tenho estado a observar os comentários, tanto nos media como nos jornais online e blogs, a alusão à reação dos estados unidos e do mundo ocidental nem geral na sequência dos atentados do 11 de Setembro e posterior guerra no Iraque, como responsabilidade direta por estes actos de terrorismo na europa. Lá vem a conversa do Bush, do Blair e afins.

Não tem mal nenhum. Muito do que eu aqui escrevo é precisamente para elencar de exemplos em que na verdade podemos (mas não devemos) olhar para o esquerdismo (todo) como uma forma de impairment cognitivo (em nada relacionado com a inteligência). Por isso esta narrativa que fazem não tem mal nenhum. O mal é que ninguém lhes faça cair a ficha.

 

Aquilo que me aborrece é que ninguém responda imediatamente inquirindo-os se já repararam que quem faz atentados na europa não é nem Afegão (e existem muitos por aí), nem iraquiano (então não eram esses que se deviam vingar) ou até, sequer, palestiniano (!). Quem faz atentados são hispano-marroquinos (de primeira ou segunda geração), Brito-paquistaneses e na frança essencialmente magrebinos.  

 

Não lhes cai a ficha e pensar que se calhar a gravação que repetem incessantemente possa estar errada?

 

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13 de Novembro de 2015

por Olympus Mons, em 14.11.15

 

 

Estamos a enfrentar o Estado Islâmico ou o Islão?

 

 

Nem é assim tão difícil de descobrir. É só não confabular, o que em termos práticos significa calar a esquerda. A frança tem já quase 10% da sua população muçulmana, cerca de 5 milhões, basta ignorar tweets, opinion makers, líderes religiosos na europa, lideres políticos de países de maioria muçulmana e, em geral, estados de alma do momento…. E basta meramente ir perguntar a essa população o que acha dos atentados de ontem. Estes e outros. E não deve ser agora. Deve ser feito dentro de um ano. - Aquilo que depois de tratados os dados estatísticos dessa sondagem resultar será a resposta se enfrentamos o ISIS ou o Islão.

 

Também não interessará particularmente a resposta dos muçulmanos mais velhos que esses não fazem atentados. Tem que ir perguntar aos jovens entre os 16 e 35 anos o que eles pensam dos atentados.

 

E já que falamos da diferença entre grupos, visto que de acordo com os estudos da Pew Global que tenho lido (especialmente o de Julho de 2015), o receio mais acentuado do extremismo islâmicos nos seus países está grandemente enraizados nas pessoas mais velhas ou ideologicamente mais à direita (com diferenças de até 30pp) , convém também, já agora, perguntar aos franceses de idades entre os 18 e 30 anos e ideologicamente mais de esquerda se… e agora? já sentem o receio?

 

Este post terá continuidade... 11:21h

 E esta pergunta é importante. Porque logo a seguir aos atentados ao Charlie Hebdo e ao mercado Kosher, a opinião dos franceses em geral e em particular as de franceses de inclinação ideológica de esquerda aumentou de forma considerável. Por isso estes escalar não são um crescendo de resposta dos extremistas a um incremento por parte da sociedade francesa de islamofobia.

O que nos reserva o futuro?

O que fizermos dele, desde que se mantenha em mente que a diversidade cultural é tóxica e funciona de forma muito semelhante às células cancerígenas.

Por norma não referencio autores de direita, até porque em algumas das vertentes e áreas de investigação que aqui abordo nem existe outra espécie que não seja de esquerda. Seja Eric kaufmann, seja mesmo Jonathan Haidt ou Joshua green.  Nesta altura convém mencionar Robert D Putnan , que já mencionei no A REALIDADE É UMA “BITCH” (http://barradeferro.blogs.sapo.pt/6497.html) .

Putnan é dos , se não o, mais influente sociologo politico vivo. Desde Obama até todo e qualquer instituto social, tem-no ou aos seus trabalhos como referência. 

Já agora, Putnan foi muito criticado por ter publicado dados em 2000 mas só em 2007 publicou as conclusões. Porquê? Porque os dados demonstravam que tudo que andava a ser publicado, todas as teorias e tangas esquerdoides do contact hypothesis  e da Conflict theory eram invalidadas pelos seus dados. Como tal fez aquilo que qualquer esquerdoide faz, porque pode e só eles o podem fazer sem perder completamente a reputação científica, escondeu dados.    Mas escrevia eu sobre os trabalhos da psicologia comunitárias que assentam muito sobre os trabalhos de Putnan:

 “….O problema é que todo o output desta disciplina vai no sentido contrário aos objectivos da própria disciplina. Desde os trabalhos de Steve Sailer até Robert Putnan todos, para espanto total das suas mentes politicamente correctas descobrem que não se consegue de todo ter o melhor dos dois mundos. Ou tens uma comunidade coesa ou tens uma comunidade diversificada.  Diversificar étnico-culturalmente determinada comunidade leva invariavelmente à redução da confiança (mesmo dentro de pessoas da mesma raça), do altruísmo, cooperação, etc.  – Agora até andam às voltas com modelos computorizados que invariavelmente retornam resultados perfeitamente óbvios:

 

These findings are sobering. Because homophily and proximity are so ingrained in the way humans interact, the models demonstrated that it was impossible to simultaneously foster diversity and cohesion “in all reasonably likely worlds.” In fact, the trends are so strong that no effective social policy could combat them, according to Neal. As he put it in a statement, “In essence, when it comes to neighborhood desegregation and social cohesion, you can't have your cake and eat it too.

 

Reparem, isto é escrito por pessoas que em Portugal votariam no Bloco de esquerda, se é que isso serve de referência para alguma coisa.

A minha pergunta inicial era se estávamos a enfrentar o ISIS ou o islão.  A nossa sobrevivência cultural depende da resposta. E é bom que não confabulem no momento de a ouvir (!). Se é que alguém vai verdadeiramente alguma vez fazer a pergunta.

 

Mas sobre Putnan não ficaremos por aqui.  Antes de "ler" a reposta à pergunta infra mencionada, temos que perceber o que Putnan nos diz com “Diversity and trust within communities “ - Mas isso fica para outro post.

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O novo regime

por Olympus Mons, em 09.11.15

 

 

Quando observo o panorama político ao dia de hoje tenho algumas asserções imediatas.

 Primeiro que à semelhança do que tem sucedido noutros países nos últimos anos a clivagem, o cisma, ente pessoas de esquerda e direita vai ser uma realidade marcante em Portugal durante muito tempo.

Portugal vivia uma benignidade resultante do combate ao período pós revolucionário em que o centro era o epicentro de toda a política em Portugal, permitindo por parte dos well informed a permutação de qual das duas forças politicas tinha conjunturalmente o poder, e essa era a nossa proteção contra a atuação dos ill informed . O PS desde ontem (e não só o António Costa) cravou uma nova realidade. Que fique claro que essa é a responsabilidade deles.

Quando em vários locais do mundo ocidental se regista um acréscimo brutal de desagravo e agressividade para com as forças políticas do outro lado do espectro politico se calhar era uma questão de tempo até o fenómeno chegar a Portugal. O problema é que quem por norma inicia estes processos (esquerda) parece sempre acabar por ficar surpreendido com a eternização dessa realidade para além do lhes convém. Caso típico é, como sempre, os EUA.

O valor de “warmth” para com a outra força politica (conservador vs Liberal, ou republicano vs democrata) sempre foi, mais ou menos, ameno e consistente até meio do mandato de Bush II onde começou a declinar de forma muito acentuada (lembrar das imagens de Bush Nazi, etc.). Quando Obama assumiu o controlo da administração americana passou, para as pessoas de esquerda, a “estar tudo bem” e tem sido com grande “apreensão” que repararam que afinal o dislike entre as forças politica afinal ainda se agudizou muito, mas muito, mais (passou de quase 40% para menos de 20%!). Para alguém de esquerda como é que é (era) possível que as pessoas de direita agora não vissem como estava tudo bem e era altura de todos adorarem o novo totem da esquerda. Mas que gente mais mal formada e mal-intencionada. Contudo esta nova realidade, hoje, é aceite como a nova normalidade nos EUA.

 

Em Portugal da segunda metade desta década ou és de esquerda ou és de direita. Não haverá partido (s) de charneira. Isto tudo implica que, muito provavelmente, em Portugal o arco da governação não voltará a governar sem maioria parlamentar e se tudo correr como nos outros países o CDS não voltará a ser opção para o PS se coligar ficando este sempre dependente de acordos com um conjunto de agremiações politicas à sua esquerda que do ponto de vista programático lhe são muito diferentes ou quiçá até alienígenas no conteúdo da praxis politica (onde está muito perto do PSD).  

Mas o mundo irá dar muitas voltas e, tão certo como o destino, quando lhe for conveniente o PS irá querer voltar ao velho regime (que é o seu e se nada mais é só irónico que seja ele a destrui-lo) e ficará profundamente ofendido e indignado que os partidos à sua direita sejam tão “irresponsáveis” que não coloquem os interesses da nação acima dos seus interesses partidários.  Ser socialista é ser suficientemente de esquerda para não perceber sequer o que o Karma é,  ser socialista é não perceber que para alguns, ou “outros”, aquilo que tens hoje nunca é desassociado do que fizeste ontem.

O problema é que nestes processos é depois muito difícil voltar a atrás. Em especial com essa variável em ação neste momento em Portugal que é em política sempre um momento muito perigoso: Generational changing of the guard.  Conhecido como a morte das amizades. Observem os young turks dos dois lados e vejam, como por norma, existe uma agressividade e desprezo latente na atitude.

 

 Quanto a António costa…hhummm, talvez seja melhor abordar o que ele fez num próximo post.

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Pessoas que eu gostava de ouvir mais...

por Olympus Mons, em 07.11.15

 

Uma delícia este senhor ontem na TVI a desmascarar (ligeiramente porque quis ser cordial) a Constança cunha e Sá, ao pedir-lhe que enunciasse onde o governo tinha ido muito longe no liberalismo económico e ela responde nas privatizações. Ao que ele respondeu que todas aquelas estavam no memorando do PS!

A expressão da CCS foi… impagável.

 

 

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 Tinha prometido fazer antes update ao post Nostradamus 3.0 mas não resisto antes em escrever o Nostradamus 3.5.

Isto a propósito das notícias de hoje de que o acordo da esquerda afinal contempla a manutenção da austeridade na plenitude do seu conteúdo …

 Tal como fui avisando em diversos comentários …

 

 

  ” o golpe de estado (sort of)" que a esquerda está a fazer ao país não é porque vai tomar o poder e governar à esquerda mas sim porque vai tomar o poder e governar sem grande distinção da direita!”

 

Fico sempre exasperado e algo desiludido quando observo a “direita” a não entender o que é a “esquerda” e nestas circunstâncias (Syriza, Democraty party, terceiras vias, etc) ficar à espera que a esquerda se comporte na real forma, matéria e teor, do seu discurso e narrativa.

 

 No mais vernáculo dos “Eh Pá!” só me resta fazer “facepalm”.

 

 Tal como tenho tentado alertar, isto significa que toda a conversa a que temos assistido nas ultimas semanas por parte de comentarista ideologicamente mais chegados à direita de como um governo de esquerda com o PS+BE+PCP/PEV advinha um descalabro económico e que dentro de pouco tempo cá teremos de volta os credores e a troika e inenarráveis catástrofes é o erro da direita. Esse menosprezar da esquerda, quase paternal, como se olhássemos para eles com um sorriso condescendente nos lábios.

 

Atenção (!):

Ser de esquerda é meramente uma preferência neurocognitiva, acentuada, pelos pathways dorsais () no neocortex em detrimento dos processos inerentes aos pathways ventrais. Quanto mais à esquerda a pessoa é mais isola os progressos cognitivos (Ventrais- amygdala, VMPFC e OFC) que são responsáveis por estados autorreferenciais e autobiográficos. No entanto sejas de esquerda, direita ou marciano quando o assunto deixa de ser uma narrativa abstrata e passa a ser um processo de decisões (decisition making) toda a gente, mas toda a gente, usa a parte ventral do cérebro e acaba por globalmente tomar as mesmas decisões (com um determinado grau de variância). Por isso se diz que a direita é egoísta (porque é sempre autorreferencial) e a esquerda é Hipócrita ( porque diz uma coisa mas depois faz outra).  Já há mais de 2 séculos que o pai da direita, Edmund Burke, nos assegurava que ser de direita não é uma filosofia (como é  a esquerda) é uma atitude de vida

 

“Conservatism is not so much a philosophy as an attitude, a constant force, performing a timeless function in the development of a free society, and corresponding to a deep and permanent requirement of human nature itself."[5]

 

Quando estes eventos surgem a direita tem que aprender a colocar o foco na hipocrisia (!) sendo que o evidenciar desta, o deixar claro ao publico o que a esquerda tem dito de forma programática sobre a realidade,   é a verdadeira arma e antidoto que a direita tem contra a esquerda.

Os dois artigos cujos links tenho no final deste post são emblemáticos. É que quando a esquerda não se comporta, nos processos de decisão, como os anormais irresponsáveis que parece indiciar o seu discurso ficamos, nós todos, muito irritados por afinal eles fazerem aquilo que nós desde o início dizíamos que tinha que ser feito e que nos era de todo impensável não ser dessa forma. Pategos!

  

http://observador.pt/opiniao/acabou-a-austeridade-reformados-vao-ter-aumento-de-18-euros/

 http://observador.pt/opiniao/a-minha-austeridade-e-melhor-do-que-a-tua/

 

Update 6/11/2015 : é disto que eu estou a falar.  I S T O. É assim que se faz:

Escreve num comentário um leitor do observador (Jorge Dinis).

O governo PSD/CDS, insensível, psicopata, fascista e mais não sei o quê, aumentou as pensões mínimas, sociais e rurais de 189€, 227€ e 246€ (em 2011) para respectivamente 201€, 241€ e 262€ (em 2015), um aumento anual médio de 3€, 3,5€ e 4€. Já o governo unido da esquerda (PS/BE/CDU) vai subir, respectivamente, estas pensões 0,3%, em 60 cêntimos, 72 cêntimos e 78 cêntimos. Assim se vêm o respeito pela dignidade dos que menos têm.

 

 

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Porque será que me ocorreu isto?

por Olympus Mons, em 18.11.13

Relacionado com o meu post anterior, ou talvez não  ;-) , lembrei-me do estudo de Hendrika H. van Hell sobre o Canábis no  cérebro (Evidence for involvement of the insula in the psychotropic effects of THC in humans) .

 

Ler o estudo é só Insula e ACC, Insula e ACC, Insula e ACC! - Se calhar não existe relação entre as atitudes da esquerda para com esta droga e a sensibilidade da esquerda à IAD (Insula-ACC- DLPFC). Pois sim abelha…!

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Já sabíamos, não era?

por Olympus Mons, em 15.11.13

“was commonly associated  with both types of deception (pretending to know and

pretending not to know), whereas activity of the anterior cingulate

cortex (ACC) was only associated with pretending not to know.

Regional cerebral blood flow (rCBF) increase in the ACC was

positively correlated with that in the dorsolateral prefrontal cortex

only during pretending not to know. These results suggest that the

lateral and medial prefrontal cortices have general roles in

deception, whereas the ACC contributes specifically to pretending

not to know.”

 

 

 

Toda a gente mente.

E por mais que os estudos associem o DLPFC (e como aqui vamos ver a ACC) à mentira e ao engano (deception)   de outros, não faz sentido dizer a mentira está unicamente ligado á esquerda IAD (insula-ACC- DLPFC).  Aquilo que se sabe é que estando mais ligados à AOV, as pessoas de direita sofrerão uma penalização emocional maior. Até prova em contrário fico-me por aqui nesse assunto.

A onde não paro é na crença que a esquerda tem uma predilecção para um tipo específico de mentira. E é um tipo de mentira que me irrita. Irrita e irrita: O modo como reescreve os eventos. Nos estereótipos da esquerda está aquela coisa do apagar pessoas das imagens, reescrever descaradamente eventos históricos. Nos debates tudo é rescrito ao momento actual. Por isso este estudo de Abe et al é tão interessante.

 

A Mentira da esquerda não é fingir que sabe alguma coisa. A especialidade da esquerda é fingir  que não sabia, que não viu, que não foi assim.

 

Elucidativo!

 

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Não esquecer...

por Olympus Mons, em 10.11.13

 

Para a Tina por nao ter respondido ao tina a 03.11.2013 às 15:18




“The Role of the Ventromedial Prefrontal Cortex in Abstract

State-Based Inference during Decision Making in Humans

Alan N. Hampton,1 Peter Bossaerts,1,2 and John P. O’Doherty1,2

1Computation and Neural Systems Program and 2Division of Humanities and Social Sciences, California Institute of Technology, Pasadena, California 91125

Many real-life decision-making problems incorporate higher-order structure, involving interdependencies between different stimuli,  actions, and subsequent rewards. It is not known whether brain regions implicated in decision making, such as the ventromedial

prefrontal cortex (vmPFC), use a stored model of the task structure to guide choice (model-based decision making) or merely learn action  or state values without assuming higher-order structure as in standard reinforcement learning. To discriminate between these possibilities,

we scanned human subjects with functional magnetic resonance imaging while they performed a simple decision-making task with higher-order structure, probabilistic reversal learning. We found that neural activity in a key decision-making region, the vmPFC, was more consistent with a computational model that exploits higher-order structure than with simple reinforcement learning. These results suggest that brain regions, such as the vmPFC, use an abstract model of task structure to guide behavioral choice, computations that may underlie the human capacity for complex social interactions and abstract strategizing.”





Sempre gostei deste estudo de Hampton de 2006. Penso que descreve bem o estereótipo da ideologia de esquerda e da Direita.  Descrimina muito bem os pathways da IAD (esquerda) e da AOV (Direita).  No fundo o que este estudo nos diz é que na AOV (Amygdala, Orbifrontal cortex e ventromedial prefrontal cortex) está muito mais do que meramente RL (reiforcement learning como os macaquinhos) e existem modelos abstractos bem mais complexos. E nessa complexidade da AOV está uma estruturante, inexorável, inabalável atenção, uma expectativa do positivo, à ocorrência dos expected outcomes que se concretizam e em última análise aos sucessos da vida e das escolhas. Simultaneamente mostra os caminhos da IAD (Insula, ACC e Dorsolateral prefrontal cortex) e a relação que tem com as expectativas de insucesso, com uma expectativa à priori do incorrecto, do insucesso e uma continua activação (que naturalmente pode ser útil) de mecanismo de mudança.

 


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Será este o teste?

por Olympus Mons, em 28.10.13

“One of the funny things about the stock market is that every time one person buys, another sells, and both think they are astute.”
–William Feather”

 

Se reparem escrevi o post  As bolhas financeiras e a esquerda (a 8/10/2013) ainda antes da atribuição do prémio novel da economia deste ano (2013) que foi atribuído a economistas (pelos menos 2 deles) que curiosamente abordam exactamente o mesmo tema. Também agora saiu o livro da Alan Greenspan, antigo presidente do FED em que um dos focal points dele no livro é que afinal existe uma maior irracionalidade nos mercados e no sector financeiro do que se achava possível. O que se está agora a perceber é algo óbvio! - Nunca deixes humanos à solta, porque nós não fomos desenhados para a verdade, fomos desenhados para o sucesso… Chama-se selecção natural!

 

Tal como dois dos economistas prémios Nobel da economia deste ano nos indicam, tal como Alan Greenspan agora parece ter descoberto, tal como Colin Camerer  nos mostra nos seus trabalhos, tal como outros autores também começam a evidenciar em diversos trabalhos (alguns em neurociência), quando toca  aos processos neurológicos de decisão toda a carne é metida no assador e quando o grau de complexidade é enorme, como no caso dos mercados financeiros, as tentativas de inferir razão e intenções leva à percepção do (s) mercado (s) como uma entidade singular, com vontade própria, que leva á personificação dos mesmos que é claramente perigosa.  Perigosa porque os estudos demonstram que temos um comportamento muito diferente quando estamos a jogar com uma outra pessoa ou contra, por exemplo, um computador. Perigosa porque se personificarmos vamos tentar aplicar inferências de TOM (theory of mind), colocar-me nos sapatos de alguém, ou seja tentar perceber o que essa pessoa (mercado) sabe que nós não sabemos e como tal incorporar esse conhecimento, esse 2nd order belief e nem percebemos que não existe racionalidade por detrás do que estamos a assistir, não passando tudo de uma bolha de inferências em prol da satisfação da euforia reinante.

 

Mas, para além de me gabar de ter colocado antes do acontecimento um post relacionado com premio Nobel, porque falar nisso agora?

 

Porque vai ser curioso ver quem vai resolver o problema! A esquerda ou a direita?  E se for a esquerda percebemos que o patamar de esquerdização estará muito perto se ser norma.  No dia em que até questões de funcionamento dos mercados de capitais mundial são decididos pela esquerda (processos cognitivos de) então sabemos que é altura de perceber que a guerra está perdida e vamos viver as consequências: sejam elas boas ou más.

 

Ora a esquerda é normativa. Ou seja a parte da moral e ética que se preocupa é no essencial normativo. Não é por mero acaso que se costuma dizer que o Harm/care e fairness/reciprocity é a parte normativa da ética e a parte do loyalty/ingroup,  Authority/Respect, etc são a parte descritiva (descriptive) da ética e da moral. A esquerda, como expliquei no meu post sobre Haidt só conhece, só reconhece, a parte normativa (prescriptive) e por isso a esquerda é toda virada para impôr regras (normativos) aos outros( Politic Correctness , burocracia, etc.).

 

Direita = Descriptive ethics (What do people think is right?)  // Esquerda =  Normative (prescriptive) ethics( How should people act?)

 

Se chamar cada um dos grupos a resolver o problema enunciado terá algo muito parecido com os seguintes axiomas:

 

Esquerda - Chamada a resolver esta questão irá definir regras no modo como o valor dos assets é gerado/atribuído. Por exemplo, assim que houver um determinado asset (ou conjunto identificado de) que esteja a atingir um valor muito alto ou com determinado ratio incremental irá haver normativos que impedem o valor de continuar a crescer. A interpretação que determinado valor não está estabelecido tornará nula sua evolução. Isto é a esquerda: Tem prescrição de medicamento para tudo.

 

Direita- Chamada a resolver este problema, sendo mais descritiva do que normativa, irá procurar incluir um instrumento de avaliação deste tipo de fenómenos por exemplo atribuindo, a quem quiser consultar, um índice de risco de bolha... Acertou, algo muito parecido com o serviço das agências de rating, se calhar mais diversificado, mais detalhado e com índices e ratios que representam riscos de irracionalidade no dia-a-dia da operação bolsista. Isto é a Direita: Avisa e pune, mas no entretanto cada um está por sua conta e risco.

 

 

 

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A guerra entre Bayesianos e Frequentistas

por Olympus Mons, em 25.10.13

 

 

 

 Esta é para o meu amigo Bruno Marques,

 

No seguimento do post anterior esta explicação parece-me importante. Porque isto tem que estar em pedra:

 

As pessoas de direita  (pela OFC/VMPFC) necessitam de viver a avaliar o resultado do seu comportamento e os incentivos que suportam esse comportamento (incentive value of a behavioral outcome) assim como a determinar o valor de um resultado relativo, fazendo o match, com a opção que originou esse resultado (credit assignement), ou seja o que fiz eu (ou outros) e qual delas ( das actuações/regras, etc) é que depois originou então este resultado.  Depois fica registado (provavelmente na OFC) para uso posterior.

Tal como faz parte dos processos em que se sentem confortáveis comparar qual o valor de cada uma das alternativas disponíveis para escolher, essencialmente com base no seu valor subjectivo (… sem necessariamente calcular o resultado do valor expectável a dividir pelo esforço),  assim qual dessas alternativas se apresenta como a mais correta de forma subjectiva (e subjectivo não em relação a ele como pessoa mas à alternativa).  No momento em que decide isto, fica ancorado a este momento. Mesmo no futuro, qualquer avaliação de eventos voltará ao ponto em que isto foi decidido (até á próxima análise que compute outra amostra da realidade).

 

 

As pessoas de esquerda (pela ACC/DLPFC), pegam no valor expectável de determinada opção e integram essa informação , concertam, com o valor da acção que se vai tomar (que se espera tomar) para procurar qual a utilidade dessa opção. Alguém de esquerda está sempre a procurar o importância funcional, a utility.  Aliás por isso diminuem mais o valor de uma determinada opção se o esforço para a atingir for grande, continuamente calculando custo/benefício da recompensa prevista. Nesse cálculo vão incessantemente registando a história recente da escolhas e dos resultados obtidos, gerando reward prediction error,  erros na previsão das recompensas (que muitas vezes vem da OFC e VMPFC). Na esquerda esta actividade toda da ACC liga com a DLPFC que sendo onde reside a working memory  e onde são computadas uma variedade enorme de informação importante para o comportamento imediato e este é assim reajustado conforme , se quiserem, o rolling average dessa informação e conforme essa informação vai alterando assim são alteradas em conformidade as crenças e o comportamento sem verdadeiramente dar importância ao que se achava no início do processo.

 

 

Esta diferença entre modelos cognitivos é muito importante e eu deveria parar por aqui. Por isso releia os dois parágrafos anteriores antes de prosseguir e se quiser até abandone o Post e volte noutra altura:

 

Assim e por incrível que pareça, nesta esquerdização do mundo,  os terrenos onde decorrem as batalhas são dos mais incríveis que se possa imaginar. Um dos mais curiosos é o da estatística e a ascensão das lógicas Bayesianas . E esta muito famosa guerra entre Bayesianos e frequentistas é mais importante do que aquilo que se possa pensar. A lógica Bayesiana (lógica da esquerda muito baseado nos primeiros parágrafos) é muito diferente filosoficamente da lógica frequentista (lógica da direita muito baseado nos primeiros parágrafos). Bem, pelo menos eu acredito que assim seja.

 

Alguém de direita, perdão frequentista, dirá: O mundo é de uma determinada maneira mas eu não sei como é. E na verdade não te consigo dizer como o mundo é só através dos dados, porque estes são sempre finitos, com várias incongruências e eu olho para eles com desconfiança. Assim vou usar estatísticas para alinhar as alternativas e ver quais é que ficam mais ou menos fora da realidade que observo. Ser frequentista significa que só se faz afirmações sobre o mundo em si e não sobre as minhas crenças sobre ele.  São feitas apreciações sobre os dados e o seu significado, mas não sobre a hipótese (mundo) porque ela ou é, ou não é, e não está condicionada verdadeiramente aos dados (do qual se é, mais ou menos,  céptico).

 

Alguém de esquerda, perdão Bayesiano diz :  o mundo é de  uma determinada maneira mas eu não sei como é. Tudo o que tenho são estes dados aqui que são finitos e delimitados. Assim vou usar esses dados para inferir quão provável será cada um dos diferentes estados do mundo. Ser Bayesiano implica fazer afirmações sobre as minhas crenças sobre o mundo, mas não perde tempo a questionar o significado dos dados, computa e depois infere sobre a hipótese (mundo) sendo que a hipótese está toda condicionada aos dados que ele insere para computar. Quando inserir novos dados volta a computar e a olhar então para o mundo (hipótese) outra vez e o resultado que estiver presente passa a ser a sua (nova) crença.

 

Portanto , um Bayesiano dirá: provavelmente não há vida em marte. E quer dizer literalmente isto. Que ele acredita, que ele infere, que existe uma probabilidade baixa de haver vida em marte. Um frequentista só pode dizer que que os dados que usou não permitem dizer que há vida em marte. É muito diferente. Um faz apreciações sobre os dados o outro sobre a hipótese. Mas ao final do dia ou há ou não há vida em marte e esse “se há ou não há” não tem nada a ver com os dados!

 

 

Confuso? Também achei. Mas correto!

 

 

Nota: Toda a gente entende que qualquer pessoa independentemente da sua ideologia possui a capacidade de gerar qualquer dos processos cognitivos acima descritos, certo? A ideologia é meramente a escolha de em quais dos processos a pessoa se sente naturalmente mais confortável, logo que usa por default.

 

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A crise económica em Portugal

por Olympus Mons, em 24.10.13

 

 

 

 

Quem me conhece sabe que eu entendo que ser de esquerda é a reminiscências do homem do paleolítico, do caçador-recolector e que ser de direita é o reflexo nos nossos genes do agricultor do neolítico, dos 10,000 anos que moldaram a evolução. Siga a psicologia de alguém de direita e encontra o agricultor neolítico: A ideia do semear para colher, o guardar para semear, o sacrificar para colher, a propriedade como sagrada - atributo dado pelo sacrifício feito até à colheita (período em que se passava fome) que até á redução na altura das pessoas levou (e a pessoas mais esguias)... Mas 50,000 anos de psicologia paleolítica não se apagam.

 

 Deixem-me, no entanto, ir direito ao assunto! – A importância da ACC (Anterior Cingulate Cortex) na psicologia de esquerda vê-se no modo como os portugueses (de esquerda na sua essência) abordam toda esta questão da crise económica.  Quando estamos a viver, a tomar opções e decisões temos que apurar qual o valor expectável. Como seres inteligentes e com memória,  a valia de algo estará em grande parte codificado algures entre o OFC (Orbifrotntal cortex) e o VMPFC ( Ventromedial prefrontal cortex) e está lá escrito em pedra (mais ou menos) como expected outocome (resultado expectável).  Não se iludam é aqui, na redução da incerteza, que vivem as pessoas de direita: existe um plano, ele representa o melhor que se consegue apurar pela avaliação do resultado expectável das opções possíveis e é para ser executado. Foi assim com o plano do Sócrates, foi assim com a troika  e o actual governo.  Reduzir o deficit (que ao final do dia é dívida) e inverter as condições macro económica como a balança comercial, cobrir os investimentos com as poupanças, procurar incrementar o peso dos bens transaccionáveis na economia. Ou seja, vamos semear, vamos sacrificar e vamos colher. Este é o mundo da direita. Expected outcome das opções tomadas (que não quer dizer que estejam corretas ou que se concretizem)  determinadas pela confiança cega que possuem que a sua VMPFC/OFC (que dominam) realmente olhou para as várias opções e escolheu a acertada e sem sobra de dúvida a mais adequada para o objectivo (goal) que se está motivado para atingir (kennerly et al).

 

  

Mas entra a ACC. E a esquerda vive confortável na ACC. -  E neste caso a função da ACC é integrar informação que promova (reinforcement) determinados actos/comportamento com base na informação que recolheu num período temporalmente contíguo avaliando o seu expected value (não o outcome ),  dito de outra forma qual a sua  utility – que se vai realmente ganhar com isso.  

 

Ou seja a esquerda integra o que se está a passar à sua volta (ou que se passou recentemente) para perceber qual o comportamento que deve assumir:  Este encode entre os resultados e a actuação imediatamente a seguir é o domínio da ACC e da DLPFC (o A e o D do pathways de esquerda). A direita, considerou as opções, atribui-lhe um valor, escolheu aquela que acha é a correta… mas integra muito mal (tardiamente) as consequências que ocorre durante o discorrer do plano (o que tanto pode ser bom como mau).

O que é computado na ACC vai tentando impor alterações no comportamento (imediatas) conforme as recompensas que se vai obtendo no decorrer do processo. Austeridade, desemprego, impostos (negative outcomes) são imediatamente computados como erro e o cérebro de alguém de esquerda grita, erro, erro, erro! A não concretização de impactos anunciados (como cortes ou reduções salariais) que não se concretizam são imediatamente computados como recompensas (rewards) e como a ACC está sempre a calcular, a integrar, as ultimas recompensas/erro no average do cálculo de probabilidades de acção-efeito, cada vez que uma medida em Portugal não é concretizada (seja por acção do TC ou outra) vai reforçar o comportamento das pessoas de esquerda. E não esquecer que esta pathway de esquerda liga muito à working memory da DLPFC (memória de trabalho).

 

 Já estão a perceber o trabalho dos media? – Os media (composto na essência por pessoas de esquerda) não processam relações de expected outcome, nada disso, reproduzem infindavelmente os efeitos (fictive ou reais) para alimentar essa working memory que por sua vez incita cada vez mais a ACC a determinada visão ou comportamento. E a cada vitória da esquerda mais o referido comportamento se torna repetido, na verdade muito como uma bola de neve, como um crescendo, cada vez … reinforcement history to guide their choices.  É sempre o momento actual e o seu peso relativo, e não o passado nem o futuro, que interessa.  

Nós tínhamos verdadeiramente duas hipóteses: abandonar o euro e isso muito provavelmente concretizaria cenários em que se dava um default da dívida soberana (se não para quê sair), por conseguinte um default das empresas e o colapso do sistema bancário. Cálculos de um custo por português a rondar os €9,0000-€11,000 logo na saída e de €3,000-€4,000 nos anos subsequentes não andarão muito longe da realidade. Logo uma contracção do PIB a rondar os 40%-50%.

Óbvio que opção por opção ter reduções de 3% ano no PIB bate qualquer dia da semana conscientemente promover contracção de 40%-50% do PIB num só ano…. Contudo, para quem é de esquerda isso é matéria de certa forma irrelevante. A opção escolhida (austeridade), tal como é apresentada diariamente aos portugueses dominada pelos seus efeitos negativos provoca no cérebro de esquerda mais erros do que uma versão beta do Windows. Se todos os dias na televisão passasse 20 minutos de segmentos mostrando o  que seria a nossa vida fora do euro e com uma contracção do PIB a rondar os 50% no essencial todos estes “erros na ACC” tinham um contributo bastante mais reduzido para o average das consequências nefastas que a nossa actual situação elícita. Para alguém de direita a única pergunta que faz todos os dias é “are we there yet? Are we there Yet?” e todas as estratégias de delonga, de dilação, são profundamente perturbadoras porque só servirão para prolongar aquilo que (na sua opinião) é inevitável, aquilo que ele (certo ou errado) tem como expected outcome.

 

Reparem que nenhuma das duas formulações parece ser verdadeiramente correta ou se quiserem apropriada. Ser escravo do carpir das presentes agruras, com vista ao presente hedonístico (alivio das condições), não vai resolver nada (atira-nos para fora do euro quando muito) por muito folclore que seja feito e por muito bem até que descreva as falhas racionais subjacentes à opção da direita (baixa utility do esforço) que falha porque uma dívida pública de 130% do PIB dificilmente será pagável ou resolúvel mesmo que se atinja equilíbrios macroeconómicos nem sequer sendo claro que existe uma recompensa futura que nos vai permitir não pagar a dívida (parte) e continuar no euro.

  

Quem é capaz de formular então as proposições corretas?

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Haidt é importante nesta conversa. E é importante porque sendo ele parte de uma comunidade, a da psicologia social, onde mais de 90% se identificam como de esquerda ou extrema-esquerda soube tomar o comprimido vermelho e olhar para as pessoas do outro lado da barricada. Conta ele que decidiu que iria descobrir o que havia de errado com o cérebro das pessoas de direita e nesse sentido partiu para uma investigação pelas mais diversas culturas procurando descobrir aquilo que era comum a todos.

Haidt descobriu que os humanos, nas suas diversas formas culturais, possuem essencialmente 5 pilares morais, 5 fundamentos éticos (agora passou a 6) :

          1. Harm/Care
          2. Fairness/Reciprocity
          3. Ingroup/Loyalty
          4. Authority/Respect
          5. Purity/Sanctity 

Contudo Haidt reparou que as pessoas que eram de esquerda somente valorizam dois dos pilares (harm/care e Fairness/reciprocity) e são as pessoas de direita que verdadeiramente incorporam todo o espectro. Olhando graficamente para a representação gráfica destas diferenças, encontramos as pessoas de direita a valorizar todos os cinco botões do equalizador moral e as pessoas de esquerda no máximo do Harm/care (tal como os de direita), no máximo do fairness/reciprocity (ligeiramente mais alto que os de direita) e depois uma queda brutal nos outros 3 pilares (ao contrário das pessoas de direita que mantém sempre lá em cima). Como Haidt explicou no Colbert report na verdade as pessoas de direita são … mais complexas. E Haidt não esconde (tendo sido ele um Liberal a vida toda) que as pessoas de esquerda têm uma vida moral, uma vivência moral, bem mais pobre que as pessoas de direita e isso parece revelar-se no facto de as pessoas de direita, aparentemente, serem mais felizes.

 

Durante décadas todo o postular moral tem sido feito com base nos dois primeiros pilares e isso hoje em dia é notório na literatura, nos media, nos canais de informação, Harm/Care -Fairness/reciprocity, Harm/Care-fairness/reciprocity ,  Harm/Care-fairness/reciprocity  … mas nada sobeja para os outros pilares. Como todos, de esquerda e de direita, possuem aqueles dois pilares é uma aposta segura para as fórmulas de comunicação e do ponto de vista de quem é de esquerda correta… mas para quem não é de esquerda falta as restantes componentes e isso pode estar a revelar-se num alheamento destes perante o este novo mundo da esquerda.  

 

As pessoas de esquerda não saberão onde parar. Disso tenho a certeza. Porque obviamente só quando o mundo fosse momentaneamente à sua medida estaria bem. E o mundo à sua medida não será nunca, antes estará (presente).  A esquerda (nos processos cognitivos de avaliação) não tem bem passado nem futuro . As apreciações ocorrem sobre o presente em detrimento das circunstâncias do tal passado e sem medir propriamente as consequências (valor expectável) no futuro… tudo está sujeito às condições do presente e isto nasce da prevalência total da working memory da DLPFC que serve para se navegar o momento actual e influencia grandemente os seus processos de avaliação e de decisão. 

As pessoas de direita viverão num mundo à medida de pessoas de esquerda até um certo ponto mas chegará o momento em que será um mundo formalmente demasiado normativo e como tal não funcional (para ninguém)  - Não é por mero acaso que as pessoas de esquerda não se organizam e vivem num mundo de esquerda só deles. Pessoas de esquerda habitam habitats, mais ou menos, de direita. Sendo mais de metade da população mundial tão simples que era essas pessoas de esquerda fazerem uma comunidade só deles (fácil de organizar neste mundo de social media) e num ápice transformavam o mundo… mas porque não acontece?

 

Ora, as sociedades ocidentais ainda são suficientemente flexiveis para que ambos os fenótipos ideológicos encontram mecanismos para organizarem as suas existências… contudo deverá chegar a um ponto, penso que não muito longe no futuro, em que isso não se verificará. Aí resultarão meramente duas hipóteses: Existir uma forma de opt-out para as pessoas de direita, uma opção de saírem e viverem num ambiente menos formalmente normativos, mais karmatico, com passado e futuro, regido por regras de expected outcomes,  pelas consequências das acções tomadas no passado com base no valor atribuído à opção escolhida… ou, alternativamente, como sempre acontece, será um reagir violento, muito violento – E convenhamos, já não há necessidade, nem pachorra, para coisas violentas!

 

http://www.youtube.com/watch?v=jHc-yMcfAY4

 

 

 

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As bolhas financeiras e a esquerda

por Olympus Mons, em 08.10.13

 

 

 







      Qual acha que era  (é) a inclinação política de Bernie Maddoff? Pois, parece mentira – extrema, extrema gauche.


 

 

 

 

 

 

 

 Ao contrário do que o pessoal pensa as bolhas financeiras não são geradas pelo pessoal de direita nas salas de trade devido à sua ganância. Não, são provocadas pelo pessoal de esquerda e sua ininterrupta inferência sobre os outros (é o que dá não ter estereótipos no cérebro).

 

As instituições modernas são complexas. E os mercados financeiros são um dos pináculos dessa complexidade. Se só existisse pessoal de direita na sala (viciados no Vmpfc) aqueles observavam os valores a inflacionar e até acompanhavam até um determinado nível, mas rapidamente parariam porque o modo como é feita a codificação da recompensa deixaria de ser razoável (ou justificável) para o cérebro “contabilista” da direita. Mas na sala há pessoal de esquerda (DLPFC), mesmo que seja dentro da mesma pessoa, e este pessoal provoca no trade um fenómeno curioso: Quando a bolha começa a inflacionar é o pessoal de esquerda  (ou o duende de esquerda dentro do trader) que promove o cavalgar da bolha porque o DLPFC diz-lhes que aquilo está a acontecer porque alguém sabe de alguma coisa sobre aquele portfólio (eles, sempre o eles), insiders que sabem de algo que eles não sabem e leva a toda essa dinâmica de 2nd order believes da DLPC que por sua vez origina o galgar de apostas atrás de apostas - são os sinais sociais da DLPFC que afectam as estimativas de valor da VMPFC  e dessa forma aumentando a propensão para embarcar nestas acções a quando das variações na intensidade das ordens que estão a ser colocadas em determinado portefólio.

O pessoal de esquerda  sabe que é verdade. O DLPFC pode ser bom em situações sociais mundanas mas esta capacidade é terrível quando é aplicada aos mercados porque o DLPFC engana o VMPFC a computar as métricas financeiras através da inferência (e todos sabemos que a esquerda infere, infere, infere) das intenções de outros levando às tais bolhas financeiras.

 

Pelo menos é isso que Camerer e De martino nos mostraram com In the Mind of the Market: Theory of Mind Biases Value Computation During Financial Bubbles.

 


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Almoço com Von Economo

por Olympus Mons, em 08.10.13

Já tinha certezas sobre o IAD (Insula-Anterior Cingulate-Dorsolateral prefrontal cortex) e a sua ligação a pathways neurológicos da esquerda quanto encontrei Von Economo.  Não, não é uma pessoa. São Spindle Neurons - São neurónios de uma determinada forma que só se encontram em alguns mamíferos e somente naqueles de grande sociabilidade: Gorilas, chimpanzés, baleias, golfinhos, etc. e que teoricamente (não é fácil observá-los… os neurónios não as espécies) permitem um tráfego mais intenso entre as áreas que conectam.

Porque falo deles? Será uma coincidência que se encontrem…wait for it, wait for it…na Insula, na Anterior Cingulate e sim, adivinharam, no DLPFC.

 

Mas porque falo nisto?

 

“Abnormal spindle neuron development may be linked to several psychotic disorders, typically those characterized by distortions of reality, disturbances of thought, disturbances of language, and withdrawal from social contact…”

 

Alguém mais se lembrou de Mário Soares ou de Francisco Louçã?

 

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O xenofobismo/racismo da direita

por Olympus Mons, em 02.10.13

 

Convém tirar do caminho algumas pedras. Vamos começar pela direita. O estereótipo é: racista/xenófobo.

As pessoas ideologicamente de direita são conservadoras e como tal apegadas às características do seu próprio grupo.  Contudo o racismo/xenofobismo  das pessoas de direita é por estereótipo (Schreiber et al). Na verdade os “racistasde direita não ligam mesmo nada à raça da pessoa. Ligam ao estereótipo que é construído sobre a mesma. A partir do momento em que determinada pessoa, independentemente da sua raça, é contextualizada fora do seu estereótipo não é registada recrutamento da amygdala e redução da actividade no Medial prefrontal cortex. Todo o driver deste comportamento se centra na instintiva aversão que estas pessoas têm ao norm violations. Aliás estudos anteriores já tinham registado a curiosidade de em experiencias com doação de verbas as pessoas de esquerda manifestarem um maior racismo do que as pessoas de direita. É que a amygdala não é activada pela raça é activada pela percepção de ameaça. E isto é importante porque entender alguém de direita é entender essa aversão natural que estas têm ao Norm violation, não exactamente ao outro. Ou seja racismo/xenofobismo da direita não tem nada a ver com a cor da pele, naturalidade, ou outra forma de identificação, visto a reacção neurológica  ocorrer na mesma forma e medida mesmo que a pessoa identificada com a violação da norma tenha a característica racial, ou outra, igual a quem faz o julgamento.

 A redução drástica da actividade na Medial prefrontal cortex (debaixo do VMPFC), necessária à desumanização de quem é percepcionado como outcast não ocorre de todo correlacionado à raça mas sim a essa violação das normas sociais. Não deixa de ser curioso que o conselho que se deveria dar a alguém de, por exemplo, raça diferente do grupo dominante deveria ser o que de não actuar de acordo com o estereótipo que lhe está associado mas sim fazer um esforço para respeitar as normas pelas quais esse grupo dominante vive e morre, e ao invés aquilo que se vê incentivado pela esquerda é para que se relativize ao máximo as referidas regras tendo em consideração as características (regras) intrínsecas a esse (s)  grupo (s) minoritário (s).

E isto é importante porque a violação das normas está no centro da necessidade de qualquer forma de governação. Daí que este mecanismo seja essencial para a existência das civilizações. 

Assim já se entende que não é por mero acaso que instintivamente a esquerda procura por todos os meios destruir os estereótipos. A destruição dos estereótipos pode muito bem representar a destruição dos mecanismos que sustentam qualquer sociedade (existente) e se a adição de pessoas de características diferentes num grupo dominante só é pacífica com a imposição inexorável do cumprimento das referidas regras sociais que fazem com que todos sejamos iguais (aparentemente assim é, para as pessoas de direita pelo menos), que pretende a esquerda? Que pretende este fenótipo de pessoas que só se sente verdadeiramente atingido se as pessoas que originam o comportamento adversativo para consigo forem da mesma raça (estranho) e não se forem de raça diferente? Serão as pessoas ideais para liderar as mudanças?

 

Pode-se legitimamente argumentar que os estereótipos são uma forma errada de caracterizar qualquer grupo… mas aí não se entenderá porque as pessoas de raça negra tem exactamente a mesma reacção de threat reaction perante pessoas da sua raça (lieberman et al) e não o têm perante pessoas de raça caucasiana.

Pode-se legitimamente argumentar que a descaracterização de qualquer grupo minoritário em favor de regras que lhe são exógenas é uma agressão… Mas aí tem que se se entender que o não cumprimento das regras sociais também é uma agressão para com, pelo menos, uma parte considerável da população residente. - E agora? Até que ponto se vai criminalizar as pessoas que manifestem opiniões racistas?

 

Everyones A Little Bit Racist

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A barra de ferro de Phineas Gage

por Olympus Mons, em 01.10.13

           Primeiro a motivação. Um facto que amiúde me arrelia: Nos media muitas vezes se coloca a questão se ainda faz algum sentido falar de esquerda/direita. Tendo em conta que por norma a questão não se coloca quando se fala exclusivamente de esquerda, porque não escasseiam as vezes em que se fala da esquerda, da nova esquerda, da esquerda unida, da terceira via, isso só pode querer significar que não faz sentido porque por esta altura já devemos (deveríamos) ser todos de esquerda. Deve ser o tal caminho progressista.

Contudo deixem-me deixar claro: Você nasce de esquerda ou de direita... bem, algo como 60%.

Está nos genes (ou na epigenética, o modo como os genes se expressam) e isso pode não implicar que somos espécies diferentes (óbvio) mas pelo menos implica que somos de géneros diferentes. Toda esta conversa presumivelmente terá começado com as os gémeos siameses separados à nascença e que mantinham elevada correlação ideológica um com o outro e com os progenitores. Se os pais eram de direita, podia ter sido criado pelo líder do partido Democrata lá do burgo que na idade adulta virava republicano. Jonathan Haidt terá clarificado as águas ao descobrir que as pessoas de esquerda regem, essencialmente, os seus postulares morais por unicamente dois dos cinco pilares que se encontra nos humanos em todas as sociedades. Começaram verdadeiramente a tocar as campainhas com ryota Kanai e Darren Schreiber. O primeiro descobriu que as pessoas de esquerda possuem uma Anterior Cingulate maior  e as pessoas de direita uma Amygdala e Right Entorhinal Cortex  maior e o segundo, Schreiber, fez a descoberta que faz toda a diferença: Com uma correlação de 0.80 consegue-se saber se alguém é de esquerda ou de direita meramente visualizando por imagiologia de ressonância magnética o cérebro em funcionamento durante processos (jogos) de decisão -  Se é de esquerda activa a Insula, se é de direita activa a Amygdala. E se tem alguma ilusão do impacto que tem o sistema límbico (emocional) nos seus processos de decisão então comece um longo caminho por António Damásio, Haidt, Joshua Green, etc.  Antes de sequer você ter noção o seu sistema limbico decide e posteriormente as partes mais evoluídas do cérebro tornam-se excelentes advogados dessa decisão.   Mas para perceber mesmo, mesmo, as diferenças no género existe outro axioma. Quem é de direita vê, sente, percepciona o mundo pela AOV (Amygdala- Orbifrontal córtexventromedial prefrontal cortex)  Quem é de esquerda pela IAD (Insula-Anterior Cingulate Cortex- Dorsolateral prefrontal cortex) . Descobrir o que cada uma destes componentes ou áreas do cérebro fazem é descobrir que todos os estereótipos sobre a esquerda e a direita são verdadeiros. Siga o AOV e terá a descrição de alguém de direita, siga o IAD e terá o comprovativo de todos as características de alguém de esquerda. E este blog é sobre os estereótipos não sobre as pessoas - Sim, se é de direita é egoísta, xenófobo e até racista. Se é de esquerda é um invejoso e hipócrita de todo o tamanho.

Tal como a barra de ferro que em 1848, em Vermont, atravessou o cérebro de Phineas Gage destruindo-lhe o VMPFC (ventromedial prefrontal cortex)  e mudando a sua personalidade, siga este blog e talvez, meramente talvez...!

 

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