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barradeferro

barradeferro

10 Nov, 2013

Não esquecer...

 

Para a Tina por nao ter respondido ao tina a 03.11.2013 às 15:18




“The Role of the Ventromedial Prefrontal Cortex in Abstract

State-Based Inference during Decision Making in Humans

Alan N. Hampton,1 Peter Bossaerts,1,2 and John P. O’Doherty1,2

1Computation and Neural Systems Program and 2Division of Humanities and Social Sciences, California Institute of Technology, Pasadena, California 91125

Many real-life decision-making problems incorporate higher-order structure, involving interdependencies between different stimuli,  actions, and subsequent rewards. It is not known whether brain regions implicated in decision making, such as the ventromedial

prefrontal cortex (vmPFC), use a stored model of the task structure to guide choice (model-based decision making) or merely learn action  or state values without assuming higher-order structure as in standard reinforcement learning. To discriminate between these possibilities,

we scanned human subjects with functional magnetic resonance imaging while they performed a simple decision-making task with higher-order structure, probabilistic reversal learning. We found that neural activity in a key decision-making region, the vmPFC, was more consistent with a computational model that exploits higher-order structure than with simple reinforcement learning. These results suggest that brain regions, such as the vmPFC, use an abstract model of task structure to guide behavioral choice, computations that may underlie the human capacity for complex social interactions and abstract strategizing.”





Sempre gostei deste estudo de Hampton de 2006. Penso que descreve bem o estereótipo da ideologia de esquerda e da Direita.  Descrimina muito bem os pathways da IAD (esquerda) e da AOV (Direita).  No fundo o que este estudo nos diz é que na AOV (Amygdala, Orbifrontal cortex e ventromedial prefrontal cortex) está muito mais do que meramente RL (reiforcement learning como os macaquinhos) e existem modelos abstractos bem mais complexos. E nessa complexidade da AOV está uma estruturante, inexorável, inabalável atenção, uma expectativa do positivo, à ocorrência dos expected outcomes que se concretizam e em última análise aos sucessos da vida e das escolhas. Simultaneamente mostra os caminhos da IAD (Insula, ACC e Dorsolateral prefrontal cortex) e a relação que tem com as expectativas de insucesso, com uma expectativa à priori do incorrecto, do insucesso e uma continua activação (que naturalmente pode ser útil) de mecanismo de mudança.

 


10 Nov, 2013

E as CADettes?

 

 

 

 

Na imprensa, atribui-se sempre a correlação entre Cads e características físicas atractivas. Mas não é de todo exacta. Veja-se Brad pitt. Um Dad que vive no meio de 6 filhos.

Aquilo que define um Cad (falo especificamente no contexto das relações entre sexos) é o maquiavelismo. Obviamente que se o homem for muito atraente conseguirá mais facilmente carregar em alguns botões femininos mas não é de todo essa a característica dominante.  Maquiavelismo - O emprego da astúcia e da duplicidade para atingir um fim.  Não é por mero acaso que nas descrições antropológicas de sociedades primitivas Cad, como os Yonomano, aparece inúmeras vezes a palavra maquiavelismo. Mas I digress

Quando observamos o comportamento de jovens do sexo feminino hoje em dia,  e na ausência de normas descritivas (ética normativa vs ética descritiva), estas tendem umas para um comportamento de pendor  CADettes outras de pendor DADettes quando na verdade muita da imprensa adora classificar as mulheres como um fenótipo único.  Se googlar  esta questão dos Cads vs Dads das primeiras coisas que encontrará é que as mulheres preferem os Cads para namorar e os Dads para casar. E seja pelos trabalhos de Kristina Durant seja de Susan Aitken tudo parece indicar que assim seja. Na verdade, na semana anterior à ovulação as mulheres sentem-se bastante mais atraídas por Cads.  E convém também dizer que como demonstrado nos trabalhos de Aitken, as mulheres são sempre capazes de identificar o elevado maquiavelismo dos Cads ficando assim demonstrado que é uma estratégia das mulheres e não propriamente serem ludibriadas pelos malandros dos Cads. São-no por opção.  Pior mesmo é que durante a ovulação considerarem que apesar de os identificar e saberem  não ser confiáveis verdadeiramente  acham que isso é para com as outras mas que não se vai aplicar a elas (!?).  

 

 

Ok, convém fazer um caveat lector, nunca evidenciado por quem escreve sobre estes assuntos – Quem ler atentamente o trabalho de Krisitina  Durante  até ao fim (que jornalista não faz!) ela mostra que toda esta conversa se aplica especificamente a CADettes (fãs de Cads) e não tem efeito evidente sobre as DADettes (fãs de Dads).  O fenómeno é observado em mulheres de elevado self-monitoring (mulheres influenciáveis pelo ambiente circundante), por norma marcadas por menarca (primeira menstruação) em idade precoce. Existiram elementos femininos nos estudos que ao não possuir aquelas características (elevada correlação com menarca mais tardia) eram absolutamente imunes aos Cads. Convém também dizer isto!    E, Curiosamente,  existe uma correlação muito forte entre ter essa menarca muito cedo e o tipo de pai que se tem.  Filha de Cad, tem-na cedo e desenvolve características de maturidade sexual muito precocemente. Filha de Dad (pai presente e de elevado investimento) não demonstra nem uma menarca cedo nem maturidade sexual. Ser filha dos primeiros parece preparar desde muito cedo as meninas para se sentirem confortáveis no namoro (icos) e na procura de parceiro desde tenra idade ao passo que a presença (física e psicológica) paterna elícita uma atitude feminina bem mais restritiva para com elementos do sexo masculino. E a relação destas diferentes atitudes com os restantes aspectos do resto das suas vidas já é sobejamente conhecido.

Aquilo que eu não sei é se o comportamento CADette é uma adaptação comportamental que resulta de uma aferição da realidade (ambiente familiar) que influencia a expressão genética ou se, como muitos defendem, se trata de um quase imperativo epigenético (expressão genética que vai junto com o código genético passado dos pais para filhos e que os determina como certos genes se expressam) .

Já agora convém lembrar que Cad germina na abundancia de recursos. Daí que seja essencialmente nas sociedades ocidentais que existam Cads. E Cad singra no mundo actual, é um sinal dos tempos … Mas não as CADettes! – Estas no essencial estão a pagar o preço. Muita da pobreza e problemas sociais actuais são profundamente marcados pelas dificuldades financeiras inerentes a famílias monoparentais (que é como quem diz ele não está lá e não contribui) e só não é muito pior devido à existência de métodos anticonceptivos e interrupções voluntárias de gravidez. Mas por exemplo nos estados unidos estas já correspondem (mães solteiras) a 30% das famílias americanas… Mas onde está o pai? É o preço do Liberalism social.

Assim, parece inacreditável, que tal como nas sociedades Cads primitivas onde se nota que no essencial o maior esforço de aquisição de recursos cabe às mulheres (cerca de 80%) à primeira oportunidade que Cad tem de singrar enquanto modelo toma as duas atitudes que lhes são intrínsecas: Primeiro elícita à “aldeia” suporte a sua prole (através da evocação de apoios sociais) e deixa para as mulheres o trabalho (o custo físico e financeiro) de criar os filhos sozinha.  E eles? - Votam no Bloco de Esquerda e acham que para “criar uma criança é necessário uma aldeia”… desde que não eles.

 

 

 

 

 

Muitos vos dirão que Dad é o produto do neolítico que levou ao domínio dos homens Dad após 50,000 anos de subalternização perante os Cads e por consequência o início da civilização humana.  Eu digo-vos antes que é o resultado do feitiço das mulheres :Foi o truque feminino da oxitocina que originou a civilização humana. Ou pelo menos será o contributo menos reconhecido. 

 

 

 

 

 

  Humm, Cads e Dads. Este será o primeiro de alguns Posts sobre este assunto. Só não sei quantos.

 

Sou grande fã de Cochran & Harpending (The 10,000 Year Explosion: How Civilization Accelerated Human Evolution) que defendem que os ultimos 10,000 anos, desde o desenvolvimento da agricultura,  provocaram um conjunto muito maior de adaptações genéticas para lidar com as alterações ao modo de vida do que hoje em dia ainda se diz.

 

Mas que é isto dos cads Vs Dads?

 

 Antes da revolução do neolítico (10,000 anos), ou seja da sedentarização da espécie pela agricultura, as sociedades penderiam ora para sociedades Cad (pai) ou para sociedades Cad (pulha). Nem vou contestar a pertinência da classificação mas é o que é, e ela deriva da classificação dada pelos antropologistas nos seus estudos das sociedades primitivas. Ora encontravam sociedades (poucas) com um pendor Dad ( Pai - elevado investimento parental) ou eram sociedades Cad (pulha – Marcadas por um reduzido investimento parental).  Os pigmeus (cujos homens passam 60% do seu tempo com os filhos ao colo)  e os bosquímanos (bushmans- os tais do filme os deuses devem estar loucos) são sociedades Dad e os Yonomani da amazonia e as tribos da papua nova-Guiné sendo Cads.

Mas estes são povos isolados. Com toda a admixture de ADN que ocorreu durante milénios nas migrações indo-europeias (essencialmente nestas) carregamos os genes, ou a capacidade de expressão genética, de uns e de outros. Mas nessa expressão uns são Cads (essencialmente) e outros são Dads (essencialmente) no modo como se exprimem os seus genes, os seus SNPS e alelos. - Uns são a expressão genética do paleolítico (cads) outros são a expressão genética do Neolitico (Dad).

Do ponto de vista das relações humanas muito se alterou: A vivência Cad, de elevada testosterona e vasopresina provocada pela excessiva vivência em grupo de homens do paleolítico, deu lugar à agricultura e ao cansaço masculino (Cad não se cansa… 80% do intake calórico é trazido pelas mulheres que trabalham de sol a sol) e permitiu às mulheres (algumas?) encher os homens de Oxitocina (que as mulheres são verdadeiras fábricas). Houve um momento, historicamente pivot em que figurativamente o homem se deixou abraçar pela mulher junto ao fogo na presença do filho recém-nascido... e essa explosão de oxitocina  criou o Dad moderno e gerou a família.  A oxitocina feminina criou laços entre o elemento masculino, ela própria e os filhos que só são criados pela Oxitocina. Este é o feitiço das mulheres. Os laços pair-bonding que a oxitocina cria inclui os filhos e a necessidade que aquele sente de estar junto dos elementos com essa quase inquebrável relação – Família. Só a agricultura trouxe distância entre os homens suficiente para que a oxitocina pudesse fazer o seu feitiço feminino pois homem é testosterona sendo que esta tem uma característica – Destrói a oxitocina!

Até à idade do bronze (3000 AC) houve esta prevalência das sociedades Dad, foi o primado das aldeias isoladas, pequenos redutos de pessoas onde todos se conheciam, onde todos cooperavam, sem deixar de estar centrados na família. Acredito que muitas das definições ancestrais de paraíso, do Eden, vem desta altura (para quem é direita), tanto como o imaginário do Eden, para quem é Cad vem do vivência do paleolítico.  Mas as populações humanas cresceram e dispersaram-se e ai entrou o outro lado da Oxitocina: Conjuntamente com a importância dos meus também se iniciou a competição com os outros  (Oxitocina não gosta do outsider) e competição é coisa que necessita da testosterona para vencer. Durante milénios assim foi (desde a idade do ferro). E são milénios em que as mulheres viveram esta contradição entre a necessidade de ter o investimento paternal e ao mesmo tempo não permitir que morra todo o espírito competitivo masculino de forma a ganhar mais recursos para a sua prole. Assim, cad somos todos sendo só necessário adicionar os nossos níveis de testosterona e colocar-nos em dinâmicas de grupos de homens. Mas alguns de nós estamos geneticamente expressos, por adaptação ao neolítico acredito eu, para ser mais sensíveis à oxitocina.

 

Assim, desde a idade do bronze que estas duas psicologias masculinas têm estado em competição e é aquilo que se designa a história da humanidade. Mas se olharmos com atenção o factor ao qual menos relevância se tem dado é à actuação das mulheres, quer como mães a sensibilizar a prole à Oxitocina quer ao intake desta nos compostos hormonais dos homens à sua volta.

 

Mas isto dos Cads e Dads dá para vários posts e talvez valha a pena elaborar um pouco mais.

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