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Hummm. Alguém esperava algo de diferente?
Alguém achava que em Portugal se conseguiria levar a bom porto um projeto da grandiosidade da operação Marquês?
Como assim esperavam? Viram a procuradoria a contratar consultores americanos? Alemães? – Não? E mesmo assim acharam que os tugas conseguiriam atingir os objetivos? – Risível.
Não vou falar de corrupção, nem sequer de competência. Isto de que padecemos tem que ser algo diferente. Tem que ser algo no nosso cérebro.
Em tempos tive um chefe estrangeiro que ficava intrigado com o modo como os Portugueses pensavam. Dizia ele que não se preocupavam com os 90% de um problema, mas ganhavam uma fixação pelos 10% que sabiam muito provavelmente não teria solução ou seriam de solução muito difícil. Ele irritava-se e dizia, façam os 90% que é o que interessa o resto logo se vê…! – Mas nada, vez após vez, após vez, os projetos atrasavam meses, até um ano porque se metiam a tentar fazer os 10% e, no entanto, os tais 90%, que muitas vezes era 99% dos benefícios, nunca era entregue muito menos a tempo. O coitado ficava desesperado. Nada funciona verdadeiramente.
Assim foi a operação “Sócrates”. Qualquer pessoa pensaria que deveria ser muito difícil provar, PROVAR, não é “eu acho”, “todos sabemos”, é PROVAR atos de corrupção.
Qualquer pessoa, melhor qualquer estrangeiro de um país funcional, teria ponderado que faria mais sentido avançar com o que se conseguia provar e o mais rápido possível. Sim, tipo Capone. Ainda por cima, e pelo que me disseram, nada impediria de continuar a procurar provas de outros crimes dos quais os personagens pudessem ser acusados. Mas não, é aquela coisa da fábula, da narrativa da incapacidade que o português tem em se concentrar nos entregáveis, no valor do tangível e concretizável.
Estava em Ponta Delgada e o taxista ou o dono do restaurante Saca-Rolhas (como é possível um arroz de cherne tao bom?!) indignavam-se com o pitoresco, com o anedótico, com o inultrapassável “eles”… mas não pediam consequências para quem teve “agencidade” no processo.
E no fundo toda a gente esperava que o Juiz Ivo rosa piscasse o olho aos Procuradores do ministério publico assim tipo, “eh pá” sabemos, todos sabemos, “que estes gajos fizeram a marosca não é?” e condenassem as pessoas.
E curiosamente com alguma coisa, uma fração das acusações, José Socrates estaria há muito tempo com os costados na prisão. E isto que caiu, foram as acusações (!) nem foi condenar o homem(s). Isso então ainda vai ser mais difícil. Passados 6 anos nem produziram um entregável que conseguisse sustentar as acusação (quanto mais condenar).
E agora? Ao final do dia isto agora deveria ter consequências. - Para quem? Para o Juiz Alexandre e o procurador Rosário Teixeira. Agora teriam que ser os dois flagelados, acossados, despedidos, cuspidos na rua, vilipendiados nas suas terras natais… algo! Alguma coisa, puxa, alguma coisa.
Garanto que da próxima vez, e quaisquer outros com este exemplo, antes de enveredarem por narrativas de super-herois e detetives de seriado americanos entregavam o que tinham que entregar a quem lhes paga os ordenados, os portugueses.
de outra forma, os entregáveis continuarão a ser os expectáveis...