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barradeferro

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Nada há a fazer...

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Estava ontem a ver televisão e não resisti. Este senhor, desta imagem mal-amanhada, é Vasco Malta responsável da organização internacional para as migrações (IOM) das Nações Unidas em Portugal.

 O segmento na CNN era sobre os resultados de uma sondagem realizada pela europa fora em que os mais jovens, a geração Z e os millennials parecem ser mais anti-imigração do que as gerações anteriores ou pelo menos tão anti-imigração quanto as gerações anteriores. Este facto só por si seria de extrema relevância tendo em conta que também se assiste na geração Z a uma ligeira, mas notória adesão à extrema direita sendo em contraciclo com todas as anteriores que foram sempre sendo mais à esquerda que a predecessora.

Entre as tangas do costume que nem já ligo particularmente muito, a determinado ponto o dito senhor Vasco Malta alerta com especial enfase que são tudo perceções e que essas perceções estão obviamente erradas. Ele saca dos números e esclarece o erro nessas perceções:
"460 milhões de europeus, mas só 14-18% são imigrantes de fora da europa. Por isso obviamente são poucas pessoas e a perceção das pessoas é obviamente alarmista e em grande medida uma manipulação da extrema-direita porque o número é “obviamente” baixo".

 Eu já escrevi, por inúmeras vezes, que de acordo com a literatura sociológica que li até hoje bastará 5% de diversidade para que os efeitos na coesão social, no “social capital” de determinada comunidade seja visivel e instantaneamente deteriorada. A redução da confiança social e a participação cívica entram em declínio acelerado.

Aos 10% de diversidade os problemas sociais tornam-se perturbadores de parte da sociedade e determinada zonas já estarão completamente descaracterizadas objetivamente deixando de “pertencer ao seu passado” recente.
Muito mais grave e tanto quanto sei, aos 20% de diversidade…foste.
Aos 20% de diversidade tanto quanto sei por norma já não há retrocesso e a conversão para outra coisa diferente já será inevitável independentemente das intenções da população autóctone.

 Lembrar, como também já escrevi antes, vários estudos de arqueo-genética (pelo menos dois que me lembre) nos dizem que a “carrying capacity” de uma sociedade ou cultura se manter identificável somente com diversidade abaixo de 8%-10%. Após esses valores aquilo que o registo arqueológico nos mostra quando se volta a encontrar um estrato posterior… É que já é outra cultura (!).
Isto, nos últimos 10 mil anos, foi repetido vezes sem conta. E nestes casos convém lembrar que não só já é outra cultura como os marcadores genéticos patriarcais (haplogrupos Y) na maioria dos casos indica uma substituição.

Durante a campanha eleitoral para as legislativas numa das entrevistas a André Ventura este dizia que o número de imigrantes em Portugal já era de 10% da população portuguesa e o entrevistador, visivelmente espantado, perguntava incrédulo “e isso é muito?”.
Há semanas ouvimos o candidato do Livre às europeias a dizer que a Europa se teria que preparar para receber perto de 200 milhões de imigrantes. 200 milhões. E ninguém, nem os pivots do debate nem os outros candidatos se deram ao trabalho que o contestar ou instintivamente nos seus cérebros se alertou para o disparate, num setting onde detetar o disparate no adversário é instintivo, significando que a substituição estará normalizada.
Enfim.

Temo que as pessoas nem tenham noção do que estão a comprar. E após comprar já não há volta a dar, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa que tudo é uma questão de políticas ou de movimentos mais ou menos orgânicos. Não é!  

Ao procurar um exemplo de diversidade nos 20%  ou pouco acima, fui dar a Marselha.

Marselha nos anos 50 era um bom exemplo. 70% franceses, 10% italianos, 5% espanhóis, corsos, etc.  uma sociedade vibrante, socialmente muito criativa e excitante, economicamente possante.

 

 

 

 

Com os movimentos migratórios do norte de Africa para França após os anos 50 Marselha não viu a maioria da população francesa substituída (!). – Na verdade bastou a diversidade passar os 20%, seja com magrebinos e até arménios ortodoxos para Marselha deixar de ter a mesma identidade que tinha quando comparado com os anos 50. 
O ponto a reter é que basta uma quantidade relativamente pequena de diversidade para provocar os efeitos “putnanianos” (Robert Putnam) em que as comunidades deixam de ser funcionais pelo menos nos parâmetros de participação e coesão Europeus.
A ideia que 20% de diversidade na Europa não é suicidio é que será a perceção que vai matar a Europa.
Aquilo que se está a trabalhar é para transformar toda a Europa nas Marselhas que já por aí se assiste. 
Podemos agora procurar justificações para este erro crasso nas "perceções" das nossas elites, políticas ou outras, mas seja intencional ou não 
o truque, ou o problema, está na perceção!

Nisso eles têm razão! É perceção - A perceção de toda esta elite que efetivamente detém o poder seja político ou comunicacional vai realmente ser a morte da Europa.