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CHEGAR aos 10%

por Olympus Mons, em 13.11.21

Que pena não encontrar infografia, para os 10% de intenções de voto no CHEGA! na ultima sondagem a ser publicada, a expresso/SIC.  Num dos posts abaixo tinha manifestado algumas dúvidas sobre a sondagem publicada anteriormente, há dias, com o CHEGA a 5% a par da IL e do PCP.  algo não cheirava bem...

Esta sondagem de hoje aproxima-se das votações que se perceciona estar no horizonte para o CHEGA do André Ventura. Estas sondagens dizem-nos que de uma maneira ou outra, a direita portuguesa vale 10-15 % dos votos.

Mas ao votar, vai-se ao CHEGA ou ao Iniciativa Liberal?  Qual a diferença?

Não oiço do iniciativa liberal nada mais do que aquilo que seria de esperar de um libertarian.  E libertarians não movem a agulha para lado nenhum. Não o fazem no resto do mundo e de pouco servirão para as “guerras ideológicas” do futuro. Entre o iniciativa liberal e o Bloco de esquerda existe uma diferença mínima na abordagem, por exemplo, à identidade dos portugueses. Nenhum dos dois entende ou pretende preservar minimamente aquilo que é suposto ser o bind and blind  (Jonathan Haidt) das pessoas ao identificar-se como portugueses. E quem não tem Bind and Blind vai ser comido, como sempre foram comidos ao longo de milénios. A diferença entre o IL e o BE é que o Iniciativa Liberal só identifica a liberdade como pilar moral e o Bloco a Fairness/Equality como pilar moral. Tudo o resto, cognitivamente não computam e ficam-se naturalmente pelas diferenças das narrativas e colocações ideológica na história. Mas cognitivamente ambos não vão lá, não sentem como real, porque não está nas suas naturezas. 

Por vezes o CHEGA é cansativo, é pesado, e muitas vezes desconfortável de assumir o nosso voto porque carrega sobre si uma carga negativa nas interações diárias com os interlocutores. A esquerda, como medida de poder, consegue esse feito extraordinário. - Acuso logo és. 
O CHEGA até pode ter pisado algumas vezes a linha mas André Ventura foi esperto ao obrigar toda a gente a cerrar a linha antes de pisar essas linhas. É um equilíbrio difícil nos dias de hoje entre afirmar que somos algo que é sustentado em capital social de equilíbrio difícil (como todo o capital social que é frágil, frágil) e não cometer erros que levem os outros a gritar xenófobos e racistas. Eu percebo como é difícil. Nesse sentido penso que André Ventura tem feito um trabalho notável a não negar o que pretende dizer mas também não cair nas inúmeras armadilhas que lhe são lançadas todas as vezes que há uma camara ou microfone à sua frente. Uma coisa é dizer que temos um problema com a comunidade cigana, outra é cair na armadilha de tentar descrever o que pretende fazer assente em pressupostos teoricos. Porque ao final do dia o que há a fazer é reconhecer que se uma comunidade, um grupo populacional é 0,2% da população e é 9% da população prisional e 4% dos recetáculos de ajudas do estado… algo está errado com esse grupo populacional que deve ser observado e interpretado com a intenção de corrigir. E a comunidade cigana é um grupo populacional perfeitamente delimitado, identificado geneticamente e culturalmente. -  Fingir é que não é solução para toda a gente, como é para a esquerda.

Penso que as próximas décadas serão clarificadoras. As próximas décadas, se calhar uma única década, vão testar os limites do multiculturalismo e da diversidade. Sim, acima de tudo nos EUA.  – Aquilo está para rebentar, figurativamente claro. E sempre que se argumentava que sociologicamente, sempre que observado empiricamente a diversidade era uma coisa horrível e sempre pronto a entrar em caos não perecendo gerar hormesis, antes pelo contrário parece entrar em espiral destrutiva, as pessoas do outro lado apontavam para os EUA como exemplo. Vão todos poder observar agora ao que leva a discussão do multi e da diversidade em oposição ao integrar e assimilar.

O CHEGA, tal como VOX em Espanha, tendo os defeitos que têm, são a última voz, o último bastião que protege as pessoas comuns da loucura das novas elites. Novas elites muito, demasiado, jacobinas, saídas por vezes do esgoto e impreparadas para a atenção e poder que subitamente percebem ter. 

Nesta guerra o Iniciativa Liberal é irrelevante, irrelevante, para o futuro de Portugal,  da Europa e do mundo. O CHEGA não é. 

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