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Descidas ao inferno

por Olympus Mons, em 07.03.22

Este é um dos estudos, meramente um, sobre o tema. Mas são vários os publicados sobre o tema e só coloco este como referência do post.  -  A capacidade de um soldado de fazer mal, de não querer saber, vai aumentando espontaneamente e inexorável com o passar do tempo.

Os mecanismos do neocórtex que mediam os variados processos de controlo sobre as piores emoções humanas vão sendo desligados com o passar do tempo. E o que desliga primeiro e de forma mais notavelmente no cérebro é o VMPFC e a ACC, como tão bem nos demonstra este estudo.

Quem me siga à tempo suficiente sabe que eu acredito que as pessoas de direita e esquerda vivem em mundos diferentes, efetivam o mundo em perspetivas diferentes. É como se vivessem em planetas diferentes. -  Como sabem, acredito que ser de direita é Amygdala-VMPFC-OFC  (AVO). Ser de esquerda é Insula-ACC-DLPFC (IAC).  

Este estudo demonstra que os soldados enviados para guerra sofrem de uma redução imediata do VMPFC e da ACC.

Isto é crucial para poderes matar o adversário. Leva um tempo relativamente curto na zona de guerra para que esse shutdown destas essenciais áreas de Brodmann no controlo emocional se torne efetiva.
Os soldados envolvidos na guerra da Ucrânia/Rússia estão nesta altura nesse processo. Daqui em diante pouco interessará se morrem civis, se são cometidas atrocidades ou sequer se alguém sofre ou não. Daqui para a frente, aquilo que nos sossega na socialidade humana já está a desaparecer nas estruturas cerebrais daqueles soldados. Mesmo quando acaba o stress do combate levarão quase um ano até que o VMPFC e a ACC voltem às dimensões iniciais. 

Já aqui disse que algum do romantismo que até ao momento tem sido nota dominante nesta guerra irão progressivamente ser substituído por um escalar da barbárie, das vítimas e do sangue.  Não tardará muito e o bombardeamento de Kiev ou outra qualquer cidades Ucraniana, com civis no meio ou não, será algo só travado por ordens muito superiores. A pressão dos soldados no terreno para soltar os seus arsenais já deve ser intensa. A visão de camaradas de armas mortos, os tanques a arder, as bombas a cair já terá retirado essa humanidade do processo cognitivo. Se o VMPFC não media os impulsos, quando chega ao processo de decisão no OFC o que sairá de lá é a coisa mais utilitária para os interesses e objetivos imediatos que no caso são militares. Se isso significar bombardear civis que estejam no meio, será uma decisão bastante fácil, natural e na verdade até incompreensível se alguém se opuser às intenções.

O shutdown do VMPFC desliga qualquer julgamento moral, especialmente em relação às intenções. Não há intenção de nada a não ser atingir um objetivo utilitário. Sem essas áreas de brodmann a funcionar, a 10 e 11, os soldados ficam frios, frios e utilitários nas suas ações e não processam como nefário as intenções. Para ser mais claro: Querer matar civis ou matar por acidente passa a ser igual!

O shutdown da ACC nos soldados fará com que não haja avaliação da sua performance interna e dos erros cometidos. Para soldado isso deixa de ser relevante. Para ser mais claro: Após matar civis ou chacinar inimigos não vai conseguir corrigir a sua atuação e vai repetir a receita da exata mesma forma sem qualquer correção.

Para quem esteja de fora, mantém essas estruturas a funcionar e o comportamento em zona de guerra torna-se incompreensível. Quem está envolvido nos teatros de guerra não tem esse privilégio. – Por isso era tão importante que a guerra tivesse parado nas primeiras semanas.

O problema da guerra é muito este que aqui descrevo. Quem estiver envolvido está a tornar-se numa pessoa diferente. Muito diferente daquilo que era ainda há semanas.

Temos que nos preparar. Mal ou bem os soldados russos tiveram no início cuidado e reserva com as populações e com os ucranianos em geral. Nesta altura vamos entrar no outro lado da guerra.

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2 comentários

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De Anónimo a 08.03.2022 às 07:56

Já sabe desta descoberta?
https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ultimas/corpos-foram-mumificados-em-portugal-h%C3%A1-8-mil-anos/ar-AAUJwxP?ocid=msedgntp

Maria Rebelo
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De Olympus Mons a 08.03.2022 às 17:19

Olá, Não ainda nãot tinha lido.

Duas coisas me deixam sempre surpreendido. Uma é este fenómeno da mumificação, o outro é da trepanaçao, que é aquela operaçao ao cranio para aliviar a pressão ou para remover osso partido...
Em portugal encontramos casos com mais de 6 mil anos.

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