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Fábrica de maluquinhos

por Olympus Mons, em 21.01.23

Capture.PNG 2023 rcp8.5.PNG

Nem sei porque me surpreende… aliás, nem sei porque ainda me dou ao trabalho.
talvez porque já não faça sentido. Já ganharam porque insistem na mentira?
Se desde o inicio deste ano temos já 400 estudos publicados com base no RCP8.5, cerca de 20 ao dia como podemos esperar que os miúdos vão fazer qualquer coisa de útil com a vida deles ao invés de andarem aos berros que não há planeta B, dias de greve escolar ou atirar sopa a obras de arte centenárias. – Para quando uma interdição de se publicar seja o que for com esse cenário estratosférico?

A realidade é tão simples: Emissão de 35Gt de CO2 ao ano com crescimento de 1% não atingiremos sequer a duplicação de CO2 na atmosfera, mas sim ficaremos, na pior das hipóteses, em 540ppm. Isso dará no pior dos cenários um cenário RCP de 3.8 Wm2 isso não dará nunca um aumento de temperatura acima de 2C. - E isto é o pior cenário! Que de pior já não tem nada. 2C sobre temperatura pré-industrial, altura em que estavamos numa Little Ice age, não é nada e não vai ter impacto nenhum!

E reparem, diga-se o que se disser isto já foi uma grande vitória! Podemos passar a vida a dizer mal dos políticos mas isto conseguido é inacreditável até agora. – Os combustíveis fosseis vão acabar mais tarde ou mais cedo por isso começar a reconversão energética para formas de energia sustentáveis para além dos fosseis e mantendo a bolha de qualidade de vida que 7 mil milhões de pessoas já estão dentro de, com os restantes mil milhões a caminho de entrar nessa bolha que foi criada pelo capitalismo assente nos combustíveis abundantes e baratos. – Ninguém contestará que é melhor mudar ao longo de 100 anos do que deixar começar a escassear e depois tentar mudar.  Mesmo com 100 anos para mudar não é propriamente fácil.

Por último, tive dúvidas que a China e India tivessem noção do que tinha que ser feito. Mas felizmente eles também não têm combustíveis fósseis por isso a posição deles é bem clara: “Amigos deixem-se de tangas e digam lá como é que se faz, porque por nós queremos é mais energia seja ela de onde for”.

 Até ao momento, pelas contas acima, suportadas pelos cenários da IEA (International Energy Agency), estamos no Ocidente a conseguir restringir os nossos consumos na medida em que permite que o resto do mundo cresça sem que as emissões expludam. Já conseguimos reduzir o crescimento a 1% ano.  Mesmo que assim fique chegaremos às 40Gt de CO2 lá para 2040 e depois lá para 2050 a redução deverá ser brutal devido às novas tecnologias. E isto é o pior cenário. Já este ano a IEA teve que rever a utilização de energia Solar porque quando foi fazer update aos projectos de solar no Ocidente para o triénio que aí vem ficaram de boca aberta. Vai ultrapassar o Carvão como fonte de energia em 2026. – Isto era impensável. 

Mas, se esta é realidade, porque se insiste em permitir em 2023 que se publique 20 estudos ao dia sobre alterações climáticas assentes num cenário que é semelhante a sentar à mesa de um jantar e as pessoas a comentar que o Super-homem vem aí jantar, que traz o amigo Homem-aranha que namora com a irmã da Maria… a pessoa fica de boca aberta a pensar, mas este pessoal é doido? 

Não é?

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5 comentários

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De Zé Manel Tonto a 21.01.2023 às 18:55

Eu diria que é por interesse financeiro.

Ninguém faz ciencia nas universidades. E um trabalho como outro qualquer. Há que produzir o que o patrão quer vender ao cliente.

Se os patrões que financeiam as universidades querem estudos com RCP de 8,5 para amedrontar o gado, os cientistas produzem esses estudos.

Quem não produz esses estudos não é convidado para conferencias em sitios porreiros, daqueles que é preciso emitir muito CO2 para lá chegar.
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De Olympus Mons a 21.01.2023 às 19:52

Sim. Carrega nos modelos os RCP até ao 6.0, puxas o gatilho e não acontece nada de relevante. Com o 6 já faz bang, com o 8.5 faz Kaaboooom!

Óbvio que eles usam o 8.5
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De O apartidário a 21.01.2023 às 19:06

E consta que vem aí a fusão nuclear, capaz de (acreditando nos cientistas dessa area) produzir energia com grande capacidade e mais segura que a fissão nuclear.
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De Olympus Mons a 21.01.2023 às 19:50

Não a tempo de ajudar.
Mas sim - Chegará a altura em que depois de farilhar o planeta inteiro com o solar e as eólicas ... alguma tecnologia, provavelmente os reatores de fusão, serão finalmente a solução de energia abundante!

Vai ser curioso não é ? – Muitos, correctamente, argumentarao que não havia necessidade desta maluqueira toda durante 70 anos porque a tecnologia iria sempre solucionar tudo! Não sem razão. Mas as sociedades humanas não podem gerir o risco dessa forma. 😊

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De Elvimonte a 22.01.2023 às 00:25

Um apontamento interessante sobre fusão nuclear.

"With Carl Weggel Leading Its Design, Kronos Fusion Energy’s Aneutronic Clean Energy Solution Will Revolutionize Energy Generation For The Coming Century

ARLINGTON, Va., — The Department of Defense (DoD) is looking for future electrical solutions via hybrid and all-electric technologies. Kronos Fusion Energy Defense System, a division of Kronos Fusion Energy Incorporated, is working to make the next technological leap to provide limitless power generation to the military at the point of need and provide a long-term solution to military power and fuel requirements. Kronos is on a mission to commercialize fusion energy through its compact, affordable, universally available aneutronic solution.

Kronos with their daring commercial fusion-energy generator, S.M.A.R.T (Superconducting, Minimum-Aspect-Ratio Torus), aims to give the U.S. energy independence while allowing our military to continue domination globally.

Kronos Founding Partners/Board Members General (RET) Gustave F. Perna, Major General (RET) Robin Fontes, and Major General (RET) Paul Pardew, are pursuing military applications in propulsion (land, sea, air, space), basing, and tactical power. These efforts will not only support DoD clean energy goals but also directly impact improving the U.S. Military’s warfighting capabilities."

(https://www.veteransnewsreport.com/2022/08/26/revolutionary-aneutronic-fusion-kronos/)

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