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From the Correspondence of the London Post

por Olympus Mons, em 28.09.22

Eu gosto de escravatura.  Eu gosto do tema, claro.
Por um lado sempre imaginei o tramado que seria ser despojado dos meus direitos como humano, por outro a minha primeira imagem do tema foi Ben-Hur como escravo no barco e percebi que escravatura era ofício, pese embora oficio do fundo da escala.

Recorrendo-me de Ibn Batuta, o aventureiro marroquino do século XII que nos mostrou escravatura desde o interior de África até à China este tema fica perfeitamente enquadrado. Metade do tempo passou ele a falar de escravos e escravatura e bem fez filhos a torto e a direito às várias escravas que lhe foram sendo oferecidas (nenhum sobreviveu). - Uma das descrições que ele faz é da escravatura branca, do norte do Cáucaso, de sítios onde hoje é a Ucrânia, repúblicas do Cáucaso e a Rússia e que eram vendidos na Turquia e nos mercados do Egipto.
Já até ao século anterior, século X, os vikings além dos eslavos também ainda faziam uns biscates por ali antes dos entregar a todos como escravos junto ao mar Cáspio.

Escrevo este post sobre mais uma das várias, imensas, escravaturas que houve. Burros e idiotas dos americanos é que acham que a escravatura foi coisa de colonos europeus. Eu gosto de entender todo o tipo de escravaturas e como muitos outros nos tem avisado temos que ir criando registo, lastro digital, porque chegará o dia em que as petas dos politicamente correto não deixarão espaço algum para a realidade, para a verdade, histórica ou outra. - Este é sobre o tráfego Circassiano no século XVII.

O tráfego de escravos Circassiano foi dos que até mais tarde ocorreu. E havia a profissão normal de mercadores de escravos. Era uma profissão. 
Uma das coisas que muita gente se esquece é que o tráfego de escravos transatlântico foi o tráfego de um bem que era valiosíssimo. O nascimento de um bebé em escravatura era o nascimento de um bem valioso. – Muita da história e das histórias de escravatura antes e durante o transatlântico, antes e depois da escravatura transatlântica, foi a história de uma ignomínia de pessoas escravizadas como bens de valor reduzido ou mesmo em casos valor nulo, como esta que vou escrever.

Lembre-se que nos EUA a escravatura foi ilegalizada em 1865.
Por volta dessa altura (1856) ocorria junto ao Mar negro um dos momentos mais aberrantes da escravatura. Porque foi uma altura em que devido a um excesso de oferta o valor dos escravos bateu no zero. E que escravos? Estas mulheres.

Podem ler este link da descrição de um jornalista sobre o destino das Circassian Beauty, onde as mulheres eram vendidas e revendias por meia dúzia de tostões nos mercados de Istambul (constantinopla). Vendidas, abusadas e muitas devolvidas aos mercados de escravos para serem revendidas ao próximo pé rapado que passou a ter dinheiro para ter escravos que eram Circassian beauty.

O genocídio dos Russos a este pessoal de 1800 a 1870 foi brutal. Descrições desta altura, feitas pelos próprios Russos é de bradar aos céus. – Qualquer escravo da costa de Africa levado para os EUA teve uma experiência, por muito aflitiva que fosse, nada comparada com o que estes escravos e refugiados passaram nos portos e nas travessias do mar negro. Até cabeças decepadas davam à costa.
Quando nós falamos de crueldades… o jornalista nesta peça fala sobre algo que era do conhecimento geral à época e que chocava as sociedades ocidentais mas era assunto sem qualquer relevância naquela parte do planeta. A escravatura negra já tinha mais de mil anos ali – Que os bebés negros nascidos das escravas eram imediatamente mortos pelas famílias onde serviam. Infanticídio às descarada.

https://lostmuseum.cuny.edu/archive/horrible-traffic-in-circassian

Compare isso com o facto de, sim, os donos das escravas nas plantações americanas também seriam obrigadas a ter sexo … mas também é reconhecido que por norma, por norma, estes bebés passavam a ter direito a tratamento especial e muitos deles a ter privilégios próximo de serem brancos, sendo conhecidos muitos dos casos em que até à universidade chegaram, acabando como advogados ou padres com ativismo pela igualdade! Eram os chamados filhos da plantação e era-lhe dado oportunidades.  Mulatos eram tratados de outra maneira!

Não meço a história pela minha moralidade no século XX/XXI. Isso é coisa de criança. Mas temos que ter muito cuidado com versões alternativas da realidade histórica. Circassian é uma nação, é uma língua, é um povo que existe espalhado por vários países, desde a Turquia, Síria ou Egipto e claro nas montanhas do cáucaso.  Muitos dos olhos claros que por ali se encontra vem dessa escravatura e dos refugiados do século XXVII. Contudo existe uma diferença para com a escravatura negra. É que rapidamente esta gente se tornou elite. Na Turquia os serviços de inteligência está cheio desta gente, fundaram a cidade de Amman na Jordânia ou no Egipto como elite comercial. 
Já o mesmo aconteceu com os indianos “escravos” levados pelos britânicos para África onde à terceira geração já eram a elite rica.

O que quer que procuremos sobre os efeitos da escravatura como drive geracional, não nos podemos esquecer que muita gente foi escravizada ao longo da história e alguns ainda hoje se debatem em se normalizar nas sociedades para onde foram levados e outros rapidamente se tornaram elites. – É cegueira ideológica e racismo do mais puro não ver as pessoas pelo que elas são e quase obrigar pessoas com temperamentos diferentes a comportarem-se como clones ou réplicas de pessoas de outras origens que se parece assumir como "os normais", como a matriz. O mundo tem que rapidamente começar a ver toda a gente no mundo. Ver toda a gente como iguais, como seres fascinantes pela quase impossibilidade de existências, mas quantos mais e quanto mais diferentes melhor desta coisa fascinante que é ser humano.

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1 comentário

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De Zé Manel Tonto a 29.09.2022 às 22:43

"quase obrigar pessoas com temperamentos diferentes a comportarem-se como clones ou réplicas de pessoas de outras origens"

Até que ponto é que se permite o comportamento diferente?

Recordo-me do post sobre o Smithsonian, e a definição de whiteness, que incluia coisas como a pontualidade, trabalhar de forma séria, família nuclear, etc.

Qual a conclusão lógica de aceitar comportamentos, ou temperamentos diferentes vindos de pessoas de determinada raça?

É que as restantes pessoas irão adaptar as suas interacções.
Se a expectativa para qualquer trabalhador é chegar a horas ao trabalho, mas a sociedade começa a dizer que raça x não tem a pontualidade como parte do seu comportamento, o empregador aceita que uns cheguem a horas, e outros não?

Não será isso o racismo das baixas espectativas? "Coitado, é x, temos que dar o desconto..."

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