Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Infelizmente

por Olympus Mons, em 26.09.22

Nem me lembro bem onde, mas alguém disse há dias que populismo é: todas e quaisquer ideias diferentes das nossas mas que é uma chatice que sejam populares. – Nada mais verdadeiro.

Vimos a ascensão da direita ideológica na Suécia e agora em Itália quando ela já é estabelecida na Hungria ou na Polónia.  também assistimos à força dessa direita em países como a França ou Áustria.
Quando olhamos para este mapa da itália não resta dúvidas da escolha da democracia naquele país. O Azul é a direita, a tal extrema direita que mete medo.

Capture.PNG italy.PNG


 E como digo de início a democracia é boa enquanto dá resultados que nos agradam, mas assim que os outros ideológicos começam a ganhar já é uma chatice. E não é tudo igual. A esquerda, que se acostumou a ser “dona disto tudo” na Europa durante os últimos 50 anos, é bem mais perversa nesta conversa dos outros mas nunca eles serem tóxicos. Está estabelecido para além de qualquer dúvida.

Muitos destes partidos nasceram da extrema-direita, lamentavelmente, mas também convém recordar que a coragem de quebrar as tais metanormas é bem mais frequente nos extremos e por isso na génese destes partidos mais frequentemente do que seria desejável está esta génese de gente pouco recomendável que os irá perseguir durante toda a sua existência.  E pouco recomendável porque é gente que grunhe, mas não sabe defender as suas posições ou criar uma rasto racional que sustente aquilo que tao emocionalmente berram!

Nos próximos tempos teremos que levar com a conversa dos Iliberais, da beleza das democracias liberais modernas que depois não explicam o que é, dos valores da Europa que também não te dizem muito bem quais são para que não os apanhes a eles nas curvas da real politique. É aquela coisa da liberdade de imprensa mas levaram meia dúzia de dias a cancelar a licença da Russia Today na europa não foi? É europa dos valores mas depois o que não falta é pessoas a terem problemas com a justiça e com a policia a aparecer à porta pelo delito de opinião.  Pois, a PIDE é que era um monstro. Já para não falar do cancel culture. Mas depois o Orban é que é mau sem que me expliquem muito bem porquê… para já só percebi que é porque o partido do poder controla editorialmente muitos meios de comunicação… mas já alguém ouviu falar do partido socialista português e da Imprensa em Portugal que depois até é considerada das mais livres da Europa??

Ao final do dia vamos todos dar ao mesmo lugar, à mesma componentes neurológicas que são bias, que são truques neurológicos em que só conseguimos ver e ligar ao que nos dá jeito ou que gostemos e tudo o resto é impuro.
Aas coisas são o que são e vamos ter uma Europa nas próximas décadas muito marcada por estas posições polarizadas. Novamente infelizmente vamos seguir um bocado o destino dos EUA.
Existirá uma diferença. É que os EUA não terão as pressões demográficas que a Europa terá.  A conversa será muito nesses termos e muitas das derrotas da direita no debate que se seguirá estará relacionada com a incapacidade de combater o argumento que sem mais jovens que sustentem a pirâmide demográfica a Europa está tramada. Isto é real.
E não estou a ver nenhum partido da direita ideológica na Europa a dizer que essa é a maior ameaça existencial à identidade europeia e por isso vamos legislar para que , sei lá, a partir do X filho não pagas impostos sobre rendimentos desde que tenhas um ordenado X vezes o ordenado mínimo!  - Não me parece que alguém tenha essa coragem. Aliás a partir de X número de filhos desde que seja contribuidor nominal acima da média do país até começas a receber dinheiro. Isso sim, resolvia o problema. É como explica o outro ter filhos numa sociedade urbana passa a ser meramente um ónus financeiro ao passo que numa sociedade agro-pastoril é trabalho for free. Visto assim de forma racional, teríamos que mudar isto para que o paradigma seja outro, não é?

Aliás esta conversa que grassa pelo mundo fora que upps, afinal a população mundial deverá estabilizar antes dos 9 mil milhões e até podemos começar a ver uma redução na população mundial bem antes, bem antes, do fim deste século é de tirar qualquer pessoa do sério.

Como se passa do fim do mundo por excesso de população para afinal não vai haver população suficiente? Aliás vai haver reduções na população em zonas mais desenvolvidas como a Europa e na Ásia que são instrumentais para o mundo culturalmente mais estável...mas não vai haver esse problema nos EUA. As elites Motherfuckers daquele país podem ter muitos déficits mas estúpidos não são. O modo como os EUA estão a conectar a sua economia à américa do Sul, especialmente México, praticamente garantindo a contratação da sua futura mão de obra é imbatível à escala do planeta…Mas ao preço da sua morte cultural. E as consequências dessa morte da América ainda não estão nada claras!
E a morte da América é a morte da borga, da Orgia hedonística mas não é o fim do mundo. Já  a morte da Europa, a europa das nações e não das nações-estado, é algo muito parecido com o fim do mundo.

Ao final do dia fica a pergunta para todos os Europeus – Vale a pena sacrificar a tua identidade, vale a pena sacrificar a construção civilizacional do Ocidente pós iluminismo para salvar as economias? Ao final do dia será só essa a pergunta que verdadeiramente interessa. Infelizmente penso que todos sabemos qual a resposta que a esmagadora maioria irá dar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Zé Manel Tonto a 26.09.2022 às 19:18

"A conversa será muito nesses termos e muitas das derrotas da direita no debate que se seguirá estará relacionada com a incapacidade de combater o argumento que sem mais jovens que sustentem a pirâmide demográfica a Europa está tramada."

Esse problema é impossível de resolver em democracia com sufrágio universal.

Pode cortar as pensões, e dizer aos reformados, e aos adultos no activo que estão quase na reforma: amanhem-se, não há dinheiro.

Mas estes são a maioria dos votantes, e mesmo que não fossem, uma parte substancial dos mais jovens votava com eles para o impedir.

Reduzir impostos a quem ganhe mais que X salários minimos, e tenha acima de determinado numero de filhos? Esqueça.

Nem queira saber a rebaldaria que vai aqui no Reino Unido porque os rendimentos acima de 150k£ vão deixar de ser taxados a 45%, e serão "apenas" a 40%.

A classe média e os pobres não querem saber que o seu escalão tenha baixado de 20% para 19%, e que o aumento da segurança social de 1,25% aprovado há 6 meses vá ser eliminado.

O pobre pode pagar menos, e até pode vir a viver melhor, mas se vê o rico a pagar menos, fica furioso.

Há uma coisa que se pode tentar (mas também não dá com sufrágio universal).
O que é que a ONU, ONGs, e restante cambada recomendam a países pobres, com altos niveis de natalidade, para baixar a natalidade, e controlar a população?

A receita inclui sempre, mas sempre, aumentar a escolaridade das mulheres, e a sua integração no mercado de trabalho.

Ora, se isso é verdade quando o resultado é tido por positivo, também tem que ser verdade quando o resultado é tido por negativo, ou seja, continuar a incentivar as mulheres jovens a seguir estudos, estarem na universidade até aos 25, algumas até aos 30, e irem trabalhar a seguir, só pode resultar em decrescimo da natalidade.

Mas claro que, não chego ao ponto de sugerir restringir, mas não incentivar, é derrota eleitoral na certa.

Há um podcaster americano que eu sigo que diz que "não é possivel os politicos resolverem o problema da criminalidade nas cidades porque os eleitores são os próprios criminosos".
Da mesma forma não é possivel os politicos resolverem os problemas da natalidade, e sustentabilidade da segurança social, porque os próprios eleitores são a raiz do problema.
Imagem de perfil

De Olympus Mons a 26.09.2022 às 21:37

Então todos esses problemas se resolverão por si próprio.

e compete a cada um de nós imaginar o mundo como um jogo de xadrez e jogar o jogo de forma a que sirva melhor o seu interesse pessoal.

Assim, morre a civilização.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D


Links

Blogs