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Mais um...!

por Olympus Mons, em 18.01.14

Ontem ouvi este senhor a falar na televisão sobre o estudo de sua autoria. Aliás uma pequena busca pelos conteúdos jornalisticos na Net e …

 

Quanto mais instruídos e ricos, menos solidários são os portugueses

Estudo da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto Luso-Ilírio para o Desenvolvimento Humano vai ser apresentado na quinta-feira e mostra ainda que pessoas que recebem mais de 4 mil euros por mês são tão infelizes como quem recebe menos de 500.

 

Ou

Lourenço Xavier de Carvalho. "A continuar assim, corremos o perigo de formar ladrões competentes"

Sociólogo demonstra na sua investigação que quanto mais escolarizado e rico é o português, menos valor atribui à justiça, à honra ou à solidariedade

 

Até aqui tudo bem. Ou tudo mal.  Mas deixem-me ver se entendi o estudo:

O estudo diz que as pessoas que ganham até 500 euros, logo não são contribuintes (não verdadeiramente) estando sim muito mais perto de serem receptores da solidariedade (que não estamos a falar de caridade) consideram que deve haver muita solidariedade. Isto lembrando que 66% dos contribuintes suportam meramente 5% do IRS… Já , por outro lado, os que ganham mais de 4,000€ (50,000 mil euros anuais) e que são os 5% que sustentam 75% do IRS em Portugal (se já era assim antes desta crise, imaginem agora deve estar aí nos 80% e muitos) não concordam.  Pois, que malandros.

Mas mais curioso, ao contrário de outros estudos internacionais (por exemplo Marist poll ou o de Princeton em 2010) que demonstram que é realmente a rondar esses valores dos 50,000 anuais que as pessoas são mais felizes, sendo mesmo considerado o valor para se ser genuinamente feliz, no caso português não decorre de todo dessa forma sendo na verdade tão felizes como as pessoas que ganham 500 euros mensais (!).  Mas ainda mais curioso é que na mente do referido senhor que coordenou o estudo, ou dos jornalistas que compuseram os textos na imprensa, nunca lhes ocorreu que esta anomalia comparada com outros estudos destes portugueses  poderia ter algo a ver com o meu parágrafo acima. Do ponto de vista da mente de um homem de esquerda, e não tenho dúvidas de que ele o é, temos que solucionar o problema trabalhando na educação dos jovens. Aliás estamos para aí a formar ladrões competentes (como ele diz) porque não aceitam entregar ao estado mais de 50% do que ganham para serem solidários e ficar todos felizes!  Malandros com certeza. Tão malandros que até são infelizes!

 

Está claro que não são infelizes porque como o ordenado que lhes é pago não é decido por um bola saída de uma tômbola como o Euro milhões e que quem lhes paga os 4,000€ não quer verdadeiramente saber que o estado lhe fique com mais de 50% e exige o trabalho e responsabilidade proporcional se sentem defraudados pelo estado, pela justiça e pela democracia, não, é porque são mal formados. E a solução dada pelo senhor na televisão é prescritiva na forma e conteúdo que é educar estas pessoas a aceitar a situação descrita. Aliás reeducar. Diria mais, esta situação é tão má que caso não entendam vamos a campos de reeducação e pronto.

 

 

 

 

Para a eventualidade de alguém de esquerda , daqueles hard-core (do fenotipo Raquel varela, Daniel Oliveira ou o autor do estudo),  passe aqui pelo Blog e a pequena percentagem destes que ler o texto até esta parte gostaria de explicar o seguinte  -   A razão pela qual nunca criarão uma sociedade funcional, a razão pela qual a chegada ao poder de grupo de pessoas que só funcionam com pilares ético-morais normativos e prescritivos (vamos reeducar!) é que lhes faltará sempre, sempre (!) os outros pilares 3 (ou 4) descritivos.  E as pessoas no mundo onde terão que governar e que computam com os 5 botões do equalizador moral são mais de metade da população. Aliás as pessoas de esquerda sabem bem isso. Por isso gostam tanto de movimentos (de cidadania ou outros) mas não passam disso. A esquerda só será uma opção civilizacional, repito,  c i v i l i z a c i o n a l, quando além de marinar nessa imensidão de ética e moralidade normativa e prescritiva (querendo impor o que pensar, como vestir , o que dizer…) também se dedicar a criar, a promover,  a existência de uma  moral  descritiva, um conjunto de entidades descritivas  (o que as pessoas pensam ser correcto)  que una não só os que são de esquerda como todos os outros (boa sorte, claro) e dessa forma verdadeiramente mudar o mundo. Isso implica, a confecção dessa massa crítica descritiva, que comecem por viver o que professam.

 

Moralidade ou ética descritiva é empírica. Não é abstracta.  Tem que ser observada… Isso é a ética que é binding e que a esquerda não consegue interiorizar. O falhanço é brutal e total.  Ou seja, não falta gente de esquerda que ganhe 4 mil euros (na academia então é frequente), ou  3 mil, ou 2 mil, e que tem que começar a dividir essa valor por gente que ganhe o ordenado médio (750 euros)  ou o mínimo em Portugal.  Isso criará uma estrutura de identificação entre essas pessoas (os de dão e os que recebem) e a existência dessa harmonia (vamos ver) será observada, será um value… um valor observado dentro na Value Theory. Porque se não for binding é porque não é real, mas se for binding e com o passar do tempo, sendo uma coisa funcional (vamos ver) acaba por ganhar tracção e vamos ter empresários, professores universitários, médicos, actividades liberais bem pagas, voluntariamente (!), todos nessa coesão social de spread the wealth.

 

A esquerda tem que calar a boca e fazer. Fazendo é observado e aceite como um valor. Liderar através do exemplo.

 

Nota : In sociology, value theory is concerned with personal values which are popularly held by a community, and how those values might change under particular conditions. Different groups of people may hold or prioritize different kinds of values influencing social behavior.

 

 

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4 comentários

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De Olympus Mons a 20.01.2014 às 14:30

Há relação entre felicidade e dinheiro, há. Pelo que vi na televisão (foi tudo muito rápido) lembro-me que havia ali um layer do meio muito feliz.


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