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Memória

por Olympus Mons, em 28.11.21

Nem sei se já escrevi isto. Mas se já, apeteceu-me repetir.

Não tarda muito e toda a narrativa de eventos na vida dos humanos como a escravatura serão ditados (e ditados como ditadura) por pessoas como Reni-Eddo-Lodge a autora deste livro. 

Mas, para este post, nem ela nem o livro que é uma fábula sem qualquer, qualquer, aderência à realidade, interessa para nada. Este livro tem tantas, tantas mentiras e alucinações completamente disparatadas que nao fosse escrito por uma jovem negra e era matéria de escárnio durante décadas. Aliás, estas coisas junta-se aos exemplos hoje em dia recorrentes de racismo desta gente que se considera progressista. - Assim como, coitada é de raça negra por isso temos que dar desconto.
Para mim esta é a pior forma e a mais ofensiva forma de racismo.

O que interessa é:
A escravatura terá surgido no fim do Neolítico, na transição para a idade do Cobre (calcolítico) quando se encontra muitas ossadas com fraturas de Parry que são faturas defensivas (antebraços) e fraturas occipitais e ainda flechas cravadas na coluna vertebral (execução à queima-roupa nas costas). Depois, parou. No essencial reduziu ou pelo menos baixou imenso estas características nos inhumations.

Significa isto que se instalou no mundo aquilo que milénios depois a lei islâmica parece saber definir como ninguém. – A escravatura é sempre permitida sempre que a alternativa for pior. Melhor não pode ser dito. Logo como a alternativa seria matar a pessoa, a escravatura seria sempre permitida. Ok, faz sentido tendo em conta como a escravatura surgiu mesmo no planeta. – Para que matar o gajo se ele pode trabalhar para mim à borla.

Já sabemos que na idade do bronze, quando surge a escrita e por isso temos relatos, a escravatura é uma profissão. Fora o conteúdo filosófico-moral associado à idade pós-iluminismo, a verdade é que ser escravo não seria muito diferente de muitas outras profissões da época, nomeadamente ser agricultor, pedreiro ou pastor. – Era tudo uma choldra de vida.

Por exemplo, até ao principio do século XX, sim século XX, na Islândia cerca de 25% da população ainda era “escrava”, no sistema de vistarband. – Se não possuísses terras então tinhas que te entregar como escravo durante um ano numa quinta onde trabalhavas de sol a sol como escravo. – Não podias sair da quinta sem autorização do dono, logo és escravo e trabalhas por te sustentarem (alternativa era morreres à fome). Este é só um exemplo. Por todo o lado existia até há bem pouco tempo sistemas de serfedom. Mas adiantando.

Nem vale a pena perder tempo com a antiguidade. Com Hititas e Minoans, com Egípcios e Persas, com Gregos e Romanos, etc.

Bem mais interessante será nesta mesma altura perceber que o colonos Bantu, africanos, colonizavam o resto de africa e só Deus sabe com que genocídios e escravaturas (quando a arqueologia chegar a África saberemos). Sabemos sim que logo depois, desde os primeiros séculos AD pelos relatos dos Norte-Africanos que o tráfego de escravos era o sal da terra. Sabemos pelos relatos na China da dinastia Tang e Song (600-1200 AD) que não eras um nobre como deve ser se não tivesses alguns exóticos escravos Kunlun que eram escravos africanos trazidos por mercadores árabes. E claro que escravos, de outras áreas da China, não faltava por toda a China.

Aliás, nesta mesma altura (800-1000 DC) os vikings faziam escravos por essa europa fora. Nada lhes escapava principalmente o seu prato favorito dos Slavs (eslavos) daí a palavra inglesa de Slaves, e especialmente curioso como desciam os rios Don e Volga para vender os escravos branquelas aos árabes. -  Depois como já escrevi no post sobre Ibn Battuta, em 1200, ele ao chegar delta do rio Don nos oblast do mar de Azov, na parte norte do mar negro, descreve os escravos e escravas branquinhas, as muito alvas crianças escravas que tinham um ar profundamente triste e que todos eles acabavam vendidos nos mercados de escravos no Egipto.

E isto continuou, continuou.  Nos séculos XXIII e XIV era a escravatura do Crimean Khanate e da grande Horde Nogai que faziam raids atrás de raids pela europa de leste a dentro, Ucrânia, Rússia, polónia, Hungria, etc. para caçar escravos que depois eram vendidos nesses mesmos mercados otomanos e árabes, mas também a venezianos e afins na europa ocidental.  E lá continuou. Só na polónia na primeira metade do século XVI foram levados mais de 200,000 escravos.  Sim, na mesma altura em que os Africanos começaram a ser levados no mercado transatlântico.

Tantos e tantos fenómenos de escravatura poderia eu aqui descrever.

Contudo fico-me pelo que gostaria de dizer na cara dessa pateta Reni-Eddo-Lodge, que era:
Pateta, se eu fosse um jovem negro apanhado nas milenares malhas da escravatura africana e me perguntassem se queria ir com as caravanas para o norte ou com os barcos para as Américas… eu atirava-me ao mar, subia ao barco negreiro pela ancora, aguilhotava-me ao barco e dizia a quem quisesse ouvir. – Fuck you all, daqui não saio, daqui ninguém me tira, que com aqueles outros é que eu não vou nem morto!

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2 comentários

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De Elvimonte a 30.11.2021 às 15:37

Isto até pode ser considerado off topic. Visito quase diariamente 3 blogs , um deles o Barra de Ferro. Na página inicial do meu navegador Chrome apareciam até hoje esses 3 blogs e mais alguns links. Para meu espanto, o link para o Barra de Ferro deixou hoje de aparacer nessa lista, algoritmo - e não noblesse - oblige. Uma autêntica PIDE do pensamento.

Muito chateado o algoritmo - essa PIDE do pensamento - deve ter ficado com este post, a dar razão a algo que escreveu há algum tempo: um dia este blog pode já cá não estar.

Quando o fogo das anti-aéreas se intensifica é porque se está sobre o alvo. Bem haja, que é muito raro eu aprender algo de novo, o que por vezes acontece com os seus escritos.

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De Olympus Mons a 01.12.2021 às 13:11

Viva Elvimonte.
Poucas dúvidas tenho que este blog será apagado num futuro próximo. Não tenho expectativas muito elevadas sobre o fascismo, e o FCE é fascismo igual aos outros.

Eu também fico pasmado com a quantidade de shadow banning e outras coisas afins que me acontece neste mundo digital.

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