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Números pequenos

por Olympus Mons, em 13.06.21

Realidades alternativas.

Todos os discursos de referência e de estado por exemplo de Marcelo Rebelo de Sousa , veja-se o do 10 de Junho, não deixa de falar da imigração e da multiculturalidade.  O que nunca se encontra é toda a discussão coletiva sobre o que as pessoas desse país realmente querem.

Muitas pessoas não tem a noção que um dos fenómenos mais relevantes para o nosso tempo é exatamente a facilidade com que as pessoas operam como se a realidade fosse algo que de todo se conseguiria provar como observável no mundo. A facilidade com que as pessoas criam uma realidade alternativa e depois dizem ser a sua verdade e como tal a verdade sob a qual dialogam consigo. Como se houvesse a verdade deles e, por conseguinte, até se enervam com a nossa verdade. No entanto só existirá mesmo a verdade.

Nesse sentido vivemos num mundo em que a informação é trabalhada para a aceitação do que eles decidem ser a realidade e nós temos todos que fingir que concordamos e que o aceitamos sob o risco de ser chamados de racistas, xenófobos, preconceituosos, quadrados e toda a espécie de impropérios.
Olhe com atenção para o mundo comunicacional que o rodeia e percebe que mudou de universo.

Vivemos sob a ditadura dos números pequenos e do enfastio criativo, do exaurir das vezes em que se consegue recriar as histórias com imaginação. Isto é válido tanto para a ficção como para o marketing.

Já aqui falei como o nosso mundo sensorial é rodeado de homossexualidade, e por muito correto que tenha sido a sua aceitação nas sociedades modernas a verdade é que são 1% da população. 4% são confusos no início da sua sexualidade e depois estranhamente caminham com a idade para a heterossexualidade. Contudo não se consegue hoje em dia assistir a narrativas visualmente sem homossexuais.
Com audiovisuais provindos de algumas sociedades ocidentais não se consegue ver uma série ou um filme sem deparar com uma realidade de casais e relações multirracial. No entanto, por exemplo numa sociedade com grande variedade racial e cultural como Reino Unido 0.2% da sua população asiática são casados ou vivem com alguém de etnicidade diferente. Cristo, 0.2%. Já analisando casais Brancos/negros são 0,9% dos casais do país!  

Curiosamente seria de esperar que nos EUA, devido á maior pressão da multiculturalidade que seriam um número dramaticamente diferente, mas na verdade só é ligeiramente maior, 1.5%, porque existe um 3% de casais de marido caucasiano e esposa de raça negra e mesmo assim o que é considerado alguém de raça negra nos EUA será considerado como branca em algumas partes do planeta. 0.8% de esposo negro e esposa branca ou 0.3% em que o marido é Asiático e a esposa negra ou 0.4% em que a esposa é branca. – Num mundo em que se alerta para o racismo dos caucasianos é extraordinário como as outras etnicidades conseguem ter níveis de casais multirraciais ainda menores.

A possibilidade de alguém se apaixonar por uma outra pessoa de cor diferente da sua e viver esse fenómeno sem qualquer tipo de Constrição e sem atos rogatórios é uma coisa imprescindível a um mundo em que se vai de Londres a Nairobi em 8 horas de voo.

Oh,  e não tenho dúvidas que esta alteração cultural em curso irá ter impacto nestes países onde existe essa promoção. Não tenho dúvidas que o nível de casais interétnicos irá subir em flecha durante os próximos anos. E não sei dizer se é bom ou mau. Não faço a mínima ideia dos impactos para essas sociedades nesta altura e também ainda não formei Ideia sobre o sucesso ou insucesso dessas relações. Mas não é a realidade atual nas sociedades que esses media tentam criar Verossimilhança, certo?

Porque esperam que as pessoas ancoradas num mundo real e não virtual se sintam confortáveis com tal situação?
Uma realidade hipotética não é a realidade. É uma versão possivel do tempo a decorrer no espaço. Nada mais.
 E, reparem, o meu post não é com o evento em curso em si. Mas sim com o facto de nesta realidade das sociedades atuais sermos alimentados nas nossas atividades lúdicas com uma alteração á realidade observável no nosso dia a dia. É como se a realidade tenha efetivamente desaparecido dos meios audiovisuais.

Pode ser que o futuro seja assim. Mas também pode ser que seja o oposto. Estas coisas costumam ter reações opostas num futuro breve.
Da mesma forma, nesta atual alteração cultural, será uma realidade observável o facto de que essa miscigenação não será observável de todo na Asia nem será observável em África. Os Asiáticos ficarão de forma homogénea como estão tal como os Africanos. Mas definitivamente será observável em valores muito relevantes, se calhar a maioria em algumas regiões do continente americano, onde efetivamente se assistirá a essa maior miscigenação. Com uma curiosidade que é os perdedores deste fenómeno, como já é observável por exemplo no aumento da miscigenação no Brasil, serem as mulheres negras que parecem ficar relegadas para um grupo populacional que não consegue arranjar relações duradoiras.
Sim, como sempre, haverá grupos populacionais ganhadores e perdedores.

Fica pois a curiosidade: Fora de conversas de políticos como Marcelo Rebelo de Sousa, que irá escolher a Europa fazer?

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4 comentários

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De Anónimo a 13.06.2021 às 07:27

"Reino Unido [...] casais Brancos/negros são 0,9% dos casais do país! "

Estava a pensar exactamente nisso ontem, quando vi um anuncio na tv Britânica.

Casal interracial, com criança interracial. Não é o primeiro que vejo.
Casais que são uma percentagem tão pequena da população são apresentados em imagens publicitárias com tanta frequência.

Se querem dar numa de multicultural, porque não um casal de negros, ou de chineses, ou do subcontinente Indiano?
As minorias étnicas são cerca de 13% da população, não seria estranho aparecerem alguns desses casais nos anúncios.

Na melhor das hipóteses, as agências publicitárias estão só a tentar marcar pontos na diversidade (o anúncio tem um branco, e uma negra, ninguém os vai chatear por falta de diversidade).
Na pior, se calhar os que dizem que somos maluquinhos da conspiração por achar que há uma conspiração, estão ao leme da dita.

A mim a raça da outra pessoa não me incomoda. Eu prefiro uma mulher negra conservadora a uma mulher branca comuna. Mas que isto tudo levanta questões, levanta.

Zé Manel Tonto

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