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O pesadelo de Putin

por Olympus Mons, em 03.03.22

Só porque nesta coisa das perspetivas e histórias convém ir tentando perceber as coisas fora das narrativas oficiais. Sabem que o tenho repetido desde sempre neste blog.
Convém fugir à história da vitimização e do "appeal to emotion"  que está por todo o lado. Todo o lado. Isto é mesmo a certeza que todos nós não passamos de crianças aos olhos daquela gente (mas quem será aquela gente que manda?) que nos molda o dia com informação. Como testava o grande Professor Grandão (quando os meus filhos eram pequenos) que passava logo no início do ano o Bambi para perceber quem era emocionalmente sólido e quem tinha problemas emocionais que ele teria que ter atenção. Os miúdos de desatavam num pranto ele sabia que havia ali dificuldades, os, como os meus filhos, ficavam impávidos ele sabia que era gente emocionalmente estável. Pelo menos descobri anos depois que era essa a lógica dele.

É assim o mundo de hoje, eles, o tal eles, sabem que o pessoal é emocionalmente instável e por isso toca a criar produto que venda a esse segmento do público.

Mas claro que escrevo sobre esse assunto só porque, e hat-tip para o Freddie Sayers do Unherd por ir tentando fugir ás narrativas fáceis e ir procurando algo de mais profundo e neste caso até intrigante, para desenjoar do tal massacre de apelo á emoção.
Num dos seus programas ele notava, e perguntava ao perito, por que raio os misseis russos pareciam sempre falhar. O míssil na praça de Kharkiv na verdade num edifício tão grande falha e acerta é no passeio. O da torre de televisão, apesar de as imagens que mostram parecer revelar que aquilo atingiu a verdade é que falha o alvo e por bastantes metros. Mas como não convém à narrativa oficial do grande Urso frio, mau e maquiavélico, assim tipo assassino profissional imbatível, ninguém aborda estes temas.

Reparem, os russos têm queimado os seus misseis de cruzeiro, mais de 400, o que faz com que o seu inventário está a chegar ao fim, que são misseis que parecem ter os sistemas velhos de GPS que não são particularmente precisos se comparados com os sistema modernos do ocidente e tem sido um desastre. Que a força aérea está desaparecida em combate o que não era nada de esperar tendo em conta o tipo de operações que estão a realizar (aparentemente com aviões é tudo mais preciso) e que a partir de agora se não aparecer a força aérea terão que aumentar a utilização de artilharia o que é imensamente menos preciso e mais mortal para os civis, sendo que pode revelar que os russos não querem perder os seus melhores aviões nesta guerra porque terão dificuldade em repor…. Estão a ver, tudo coisas que não deixa de ser uma perspetiva que usualmente nas guerras é tema, mas que nesta parece não ter qualquer tempo de antena. Especialmente essa parte que o raio da tecnologia russa, pelo menos a usada até agora, não parece ser nada de ponta e até é bem assim terceiro-mundista.

Depois, será que a moral dos russos é mesmo assim tão má? Kherson caiu… mas esta cidade levou 6 dias a cair, sendo que está junto á Crimeia e não acredito que fosse um dos pontos de enfoque da resistência ucraniana.

 Será que a nível tecnológico a Rússia na verdade não é assim tão temível como temos ideia? Uma coisa será fazer protótipo de misseis hipersónicos, outra é ter arsenal operacional de misseis de última geração. Será que é aquela história de quem não tem dinheiro na verdade não tem mesmos state of the art? – Fica essa dúvida, não é?

Percebo os receios que muita gente tem de que tudo isto vá descambar ainda mais porque Putin não pode de todo sair desta guerra com estas evidências de que a Rússia, além de ter uma economia menor que a Espanha ou o estado do Texas, afinal o seu terrível poder militar poderá até nem ser assim tão terrível por falta de estruturas operacionais e de eficácia do arsenal mais antigo. Este nesta altura será o pesadelo de Putin. O que torna tudo mais perigoso ainda, porque ele pode despoletar coisas como artilharia pesada, o tal shelling em massa, ou força bruta dos tanques sobre os centros urbanos como fez na Tchetchénia. Isto poderá agora entrar verdadeiramente na parte bárbara da guerra e tudo pode descambar ainda mais.

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