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Partido Dejá vu

por Olympus Mons, em 28.01.22

Por vezes vejo a dificuldade das pessoas ao meu redor em perceber o que é politicamente o IL.

Já manifestei a ideia de que o IL não traz nada de novo ao pêndulo. IL é uma versão do PSD mas não tanto na formula que as pessoa acham, visto ser um pedaço do PSD mais á direita mas também, e para mim mais importante, um pedaço do PSD mais à esquerda que o centro do PSD.

Mas, mais importante que isso tudo, é aquilo que o IL representa nível de fenótipo humano. Parte do que assisto como fenómeno político relativo ao IL é claramente criação da Imprensa e das elites urbanas, as mesmas elites urbanas, que acharam e em parte acham ainda piada ao BE. - São os mesmos.

Mas gostava de explicar de outra forma. Da forma Haidtiana.
Nos estudos de Jonathan Haidt havia inicialmente as pessoas que só tinham (valorizavam) pilares sociomorais normativos (pessoas de esquerda) e pessoas que valorizavam todos os 5 tanto os normativos como os descritivos (pessoas de direita).  

Mas havia um glitch nos dados. Havia pessoas que não se enquadravam nem num nem noutro e eles voltaram ao drawing board e perceberam que eram pessoas que verdadeiramente só possuem uma afinidade com a liberdade (liberty) como pilar moral, daí que sejam libertarians, e para o efeito a teoria Haidtiana dos pilares morais teve que acrescentar liberty como o 6 pilar moral. Fora a liberdade individual, os Libertarians, os ILs, estão-se verdadeiramente a cagar para qualquer outros dos pilares morais essenciais às sociedades humanas, sendo caracterizados por uma forte tendência utilitarian assente na razão e por isso assente no erro de Decartes.  Na verdade os ILs desta vida denotam pouca valorização em todos, todos, os outros pilares morais: Harm/care, Fairness/cheating,  Loyalty/betrayal, Authority/subversion; sanctity/degradation.

Não se iludam. – tirando o apelo á liberdade, que concordo é um déficit em Portugal, o IL vai votar ao lado do BE e do PS em inúmeras coisas, curiosamente não porque acredite fortemente mas unicamente porque como se consegue colocar a questão como uma de liberdade e isso será sempre o suficiente para um libertarian. Mas não se iluda, se você quiser saltar de uma ponte um libertarian está pouco a marimbar-se nem isso elicitará qualquer reacção da parte deste. A adesão de um libertarian mesmo ao Harm/care é baixíssima, mesmo quando comparado com um chimpanzé.  Isto é pessoal que positivamente se está a marimbar. O utilitarian está-lhes no sangue e qualquer ilusão que esta gente irá perceber aquilo que nos une e nos cega enquanto seja o que for, enquanto identidade, enquanto país, enquanto civilização é pura ilusão.  Fica-lhes que num mundo de harm/care e fairness/Justice muita das questões podem ser colocadas sob a forma de liberdade ou opressão e neste mundo de esquerda (porque a esquerda também adere ao pilar da opressão muito rapidamente) os IL conseguem entrar dentro do mainstream com facilidade porque não estão a tentar introduzir nos conteúdos, na linguagem, os outros pilares banidos, os tais que bind and blind e que ao final do dia são o que cria capital social.

Tradicionalmente as pessoas da família política do IL, sentam-se politicamente entre as famílias políticas do PS e do PSD. Muita gente acha que o IL (e de certa forma aceita-se) é a ala de direita do PSD mas a verdade é que uma leitura mais atenta, uma observação mais atenta da sua atividade, mostra que por norma, na Europa, eles atuam entre os socialistas e os Populares e não há direita como se pode pensar. Não tenho dados que o suportem, ainda, mas tenho para mim que muito do crescimento do IL assenta em pessoas que votaram no PS ainda não há muito tempo e que agora querem mudança e a sua passagem segura não é votar no PSD mas sim votar no IL. – Sociologicamente para pessoas de esquerda votar no IL não ofende em nada as suas sensibilidades.
Aliás, até acho que o IL poderá ser, ainda mais, a surpresa destas eleições porque se apresenta como a coisa de cara lavada, sei que muito promovido pela imprensa, mas ainda assim um partido em perfeita consonância como o socialistão e com o regime e aí assenta a propaganda free que obtém por parte dos opinion makers do regime.  Como coisa nova num país sociologicamente de esquerda deve conseguir muito mais do voto jovem do que os restantes partidos. Existem ainda muitos jovens que vão votar e que possuíam ainda há pouco tempo dúvidas sobre em quem votar sendo que acho que uma inclinação notória deverá pender para os IL. O suficiente para bater os 5%? Talvez.

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6 comentários

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De Anónimo a 28.01.2022 às 16:53

"Parte do que assisto como fenómeno político relativo ao IL é claramente criação da Imprensa e das elites urbanas, as mesmas elites urbanas, que acharam e em parte acham ainda piada ao BE. - São os mesmos." Pois... não são só as elites urbanas, é mesmo um fenómeno urbano. E como parte significativa da população se concentra em grandes meios urbanos, é natural que este tipo de partidos apele aos interesses dessa população mais citadina. Enquanto as suas "bolhas de conforto" forem mantidas, no pasa nada!
Como dizia o saudoso Medina Carreira, enquanto tivermos uma parte significativa da população dependente, directa ou indirectamente, do Estado, não haverá grandes mudanças.

Maria Rebelo
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De Olympus Mons a 28.01.2022 às 21:08

Olá Maria.
Ao final do dia, pouco interessará quem ganha e qual a votação. Entre o Socialismo A e o Socialisto B temos 75% da populaçao. O resto pouco interessa.

Vem aí algum apertão orçamental devido às regras europeias preocupados com a Italia e a França daí que vá ter piada ver o PS a tentar dourar a pilula.

Já sabem em quem vai votar? :)
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De Manolo a 28.01.2022 às 21:57

O elefante na sala sentou-se, de tanto esperar que alguém repare nele. Chama-se Basuka...
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De João a 29.01.2022 às 05:27

Leio o seu blog desde há imenso tempo, inclusive lembro-me também de ficar largos intervalos de tempo sem publicar, com pena por vezes.

Considero-me liberal e consigo entender os princípios conservadores. Embora considere que sejam muito diferentes. Considerar que o liberalismo é algo de 'direita' (ou de 'esquerda') é simplesmente não entender o liberalismo. Dou um exemplo - tanto um conservador como um liberal defendem que o Estado saia da economia e deixe o mercado funcionar, embora por razões completamente díspares. Um conservador quer conservar o mercado pois é uma instituição que tem influência na vida das pessoas e que se mostrou funcionar ao longo do tempo - foi surgindo espontaneamente na sociedade e a intervênção do estado mina as próprias fundações de tal instituição. Pensam inclusive assim para outras instituições na sociedade, sejam elas igreja, família, etc.. E aceitam de bom grado qualquer 'ajuda' que o Estado possa dar a estas instituições se estiverem alinhadas com este fomento (é ver as ajudas estatais à agricultura, como tanto defendem - algo que se desenvolveu muito próximo das famílias desde sempre).
Por outro lado, um liberal defende a liberdade e vê o estado como um "impostor", que impõe. O Estado só obriga ou proíbe. Não há nenhum instituição na sociedade que moralmente, possa fazer o mesmo que o Estado e ser considerado 'bom'. Daí que queira que este se afaste da vida das pessoas e assim do mercado.
Como vê, apesar de estarem muitas vezes alinhados a nível económico, estão-no por razões completamente diferentes. Aliás, os conservadores, que aderem muitíssimo à religião, anseiam por um regime autoritário (não fosse o céu (ou universo) um regime autoritário de um ditador só - "Deus é o todo poderoso que a todos nos devemos submeter").

Li este texto e senti pena. Primeiro confundir libertário com liberal, ou então confundir valores políticos com valores pessoais. Eu defendo a liberdade como o valor político principal. Na minha vida quotidiana, não. Há outros valores mais importantes.

E Haidt aplica a sua 'fórmula' à política americana. Se aplicasse a Portugal, falharia redondamente - uma evidência que não tem muito valor tanto as conclusões, como as premissas no panorama humano. Embora esta seja apenas a minha opinião.

Obrigado pelo blog.
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De Olympus Mons a 29.01.2022 às 14:32

Viva Joao,
Obrigado pelo comentário.
relativo a este:

a. Haidt não estudou os americanos. Haidt estudou todas as culturas (EUA, SA, EU, Asia), durante anos, e foi assim que construiu os pilares morais.
b. O Joao, basicamente confirma o que eu escrevo. Por isso fico confuso. Um libertarian (que é um liberal, só não sendo usado esse nome porque nos EUA tomou um significado diferente) só valoriza a liberdade como pilar moral por isso ao não aderir aos pilares que são descritivos de um lugar (logo de direita) na verdade não pode ser considerado de direita pese embora como tem aversão ao estado por vezes engane as pessoas nesse sentido e pareça ser de direita. Aliás como eu explico no post…
c. Sim. As pessoas de direita mostram uma necessidade grande de hierarquias logo são consideradas autoritárias. Mas isso não é necessariamente mau. As pessoas de direita dizem, “pois, pois, mas fazes o que dizemos se não levas no focinho”… as pessoas de esquerda criam uma tanga e ai de ti que não repitas a tanga deles como uma religião. Prefiro a primeira. Prefiro calar a boca a ser obrigado a repetir como se fosse minha uma tanga qualquer que sirva os propósitos.
d. Joao, o que separa uma pessoa de esquerda de uma pessoa de direita, mais que tudo o resto, é se essa pessoa é autoreferencial ou não. Quando o Joao diz que uma coisa são os seus valores políticos outro são os seus valores pessoas (“a minha vida quotidiana”)… ui, ui, não é?


Se o joao tiver oportunidade leia um pouco mais sobre Haidt e os pilares morais. Eu penso que é muito revelador o trabalho dele, porque a única maneira de não nos voltarmos todos a meter-nos em valas comuns é se entendermos que as pessoas nos espectros políticos realmente processam a realidade de forma muito diferente … mas ao final do dia a verdade e realidade existe e é dura e crua.
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De João a 29.01.2022 às 18:14

Quanto ao que digo dos valores políticos vs valores pessoais, refiro-me que posso perfeitamente defender que alguém possa escolher usar drogas e que politicamemte, eu não tenho moral para usar a política pra lhe dizer o que fazer com o seu corpo (o estado obriga e proíbe). No entanto, não uso e usarei uma boa parte da minha energia pra convencer alguém a deixar ou não usar drogas.
O que é diferente de defender para os outros algo que faço diferente na minha vida.

Boas eleições 😄

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