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Personagens de filmes noir.

por Olympus Mons, em 20.01.23

Nunca escrevi sobre o Major General Agostinho Costa.
E não o fiz por diversas razoes.

Uma porque também não gosto do kayfabe, da narrativa que é feita sobre a guerra na Ucrânia que penso não traduz de todo a essência da guerra. Mais do que as posições políticas que a sustentam é o modo como exigem que entremos a bater no peito no barco do script escrito sem contestação que me chateia.  – Para mim é simples: Ou os Russos levam na boca agora, ou os meus filhos ou até os netos acabarão numa frente de batalha qualquer.  Por isso, só me resta agradecer aos Ucranianos a disponibilidade para morrer numa trincheira.

 Segunda porque continuo a ter a mesma posição de sempre.  – Ucrânia tem que aceitar perder parte do seu território em troca da liberdade. Reparem bem no que estou a dizer, que pior que tudo é uma solução mechimoche em que pouco se concede aberta e publicamente e muito, muito, fica acordado debaixo da mesa que só muito mais tarde se saberá. Reposições e cedências económicas do ocidente, concessões em posicionamentos estratégicos que muito caro saem a prazo (Merkel que o diga).  Em troca da paz a Rússia tem que aceitar que a Ucrânia são os novos limites da Europa “ocidental” e que a Europa enquanto conceito dá um pontapé no rabo de São Petersburgo que como sabem foi criado para criar uma ponte com a Europa ocidental que os russos sempre consideraram essencial à sua sobrevivência. Não quero é negociatas entre a Europa e os russos.
Repito o que sempre disse: Os ucranianos devem ceder a Crimeia e o Donbass em troca de poder definir o seu futuro! Se os russos ficarem com aquelas regiões e os ucranianos estiverem a caminho da união europeia e com um pé na NATO, a Ucrânia ganhou! – Isto era o que melhor poderia acontecer.  A todos nós. Simples assim a minha posição sobre esta guerra.

Agora, escrevo este post por caus do Major General. Não por causa do conflito.
Este homem, tão central ao aparato teórico de defesa nacional não esconde o que é. – Este é o exército que temos em Portugal, este é o exército que saiu do 25 de Abril, este é o Exército do sistema, do regime, das meta-normas que determinam o novo regime igual ao anterior regime. Neste caso, umas formas armadas… Comunistas!

Todos ouvem o homem, uns dias mais pró-russo outros menos, por isso não vou alongar. Para mim o icónico neste personagem, aquilo que me ficou na retina mais que tudo o resto, foi o “glee” nos olhos dele quando dizia aqui há uns largos meses atrás que Bakhmut cairia em questão de dias. Aquele brilhozinho nos olhos, aquele olhar de adepto na antevisão do jogo da liga dos campeões… aquilo não engana. 
Mas este é só mais uma das vertentes deste regime em que vivemos. Tanta gente cria uma equivalência, falsa equivalência, deste regime com liberdade e democracia, mas isso é um erro. Este regime é nada mais que um estágio de uma população que não estaria realmente preparada para ser totalmente democrática, mas que assim se tornou contra a vontade (na minha opinião) de pessoas como o Major-general Agostinho Costa.  Aliás essa será uma concordância que teria, eventualmente se tivesse alguma motivação política, com o dito personagem na forma – Mas tenho para mim que para ele o regime em Portugal seria outro bem diferente, até o oposto do que aquele que eu preconizaria.

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3 comentários

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De Elvimonte a 23.01.2023 às 01:18

Os filmes negros e os seus personagens estão muitas vezes para além da percepção da realidade oferecida ao nosso entendimento. Convém por isso afastarmo-nos da árvore para que consigamos ver a floresta.

Geo-estratégia dos EUA para a Eurasia
"The U.S. goal of preventing the emergence of regional hegemons in Eurasia, though long-standing, is not written in stone — it is a policy choice reflecting two judgments: (1) that given the amount of people, resources, and economic activity in Eurasia, a regional hegemon in Eurasia would represent a concentration of power large enough to be able to threaten vital U.S. interests; and (2) that Eurasia is not dependably self-regulating in terms of preventing the emergence of regional hegemons, meaning that the countries of Eurasia cannot be counted on to be able to prevent, through their own actions, the emergence of regional hegemons, and may need assistance from one or more countries outside Eurasia to be able to do this dependably."
("Renewed Great Power Competition: Implications for Defense — Issues for Congress", US Congress
https://crsreports.congress.gov/product/pdf/R/R43838/71)

Objectivos da NATO
Lord Hastings Lionel Ismay was NATO’s first Secretary General, a position he was initially reluctant to accept. By the end of his tenure however, Ismay had become the biggest advocate of the organisation he had famously said earlier on in his political career, was created to “keep the Soviet Union out, the Americans in, and the Germans down.”
(https://www.nato.int/cps/en/natohq/declassified_137930.htm)

Doutrina Wolfowitz
(Paul Wolfowitz, then-under secretary of defense for policy, supervised the drafting of a 1992 policy statement on America's mission in the post-Cold War era, called the "Defense Planning Guidance".)
"Our first objective is to prevent the re-emergence of a new rival. This is a dominant consideration underlying the new regional defense strategy and requires that we endeavor to prevent any hostile power from dominating a region whose resources would, under consolidated control, be sufficient to generate global power. These regions include Western Europe, East Asia, the territory of the former Soviet Union, and Southwest Asia."
(https://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/iraq/etc/wolf.html)

Doutrina Brzezinski
"For America, the chief geopolitical prize is Eurasia...and America's global primacy is directly dependent on how long and how effectively its preponderance on the Eurasian continent is sustained."
("The Grand Chessboard - American Primacy And It's Geostrategic Imperatives", Zbigniew Brzezinski, page 30, Basic Books, 1997)

(continua)
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De Elvimonte a 23.01.2023 às 01:26

(continuação)

A táctica ou um roteiro para a guerra
"Overextending and Unbalancing Russia" - relatório RAND, 2019
(The RAND Corporation is an American nonprofit global policy think tank that offer research and analysis to the United States Armed Forces.)
- Expanding U.S. energy production
- Imposing deeper trade and financial sanctions
- Increasing Europe’s ability to import gas from suppliers other than Russia
- Providing lethal aid to Ukraine
- Increasing support to the Syrian rebels
- Promoting liberalization in Belarus
- Flip Transnistria and expel the Russian troops from the region
- Diminishing faith in the Russian electoral system
- Creating the perception that the regime is not pursuing the public interest
- Encouraging domestic protests and other nonviolent resistance
- Undermining Russia’s image abroad
- Reposturing bombers within easy striking range
- Reposturing fighters so that they are closer to their targets
- Deploying additional tactical nuclear weapons
- Repositioning U.S. and allied ballistic missile defense systems
- The United States might goad Russia into a costly arms race by breaking out of the nuclear arms control regime
- Shifting nuclear posture toward SSBNs
- Checking the Black Sea buildup
- Increasing U.S. forces in Europe, increasing European NATO member ground capabilities, and deploying a large number of NATO forces on the Russian border
(https://www.rand.org/pubs/research_briefs/RB10014.html)

Tudo isto é factual e está disponível on-line, embora o seu conhecimento público seja restrito. Há ainda um outro relatório cuja autoria é atribuída à RAND, o que ela nega. Esse relatório não se encontra disponível no site da RAND, mas pode ser visto em https://nyadagbladet.se/wp-content/uploads/2022/09/rand-corporation-ukraina-energikris.pdf.

Apesar da alegada autoria do relatório ser plausível pelo conteúdo, à luz da geo-estratégia dos EUA para a Eurasia, dos objectivos da NATO e das doutrinas Wolfowitz e Brzezinski, pela forma e pelas gralhas existentes no texto não me parece ter como proveniência a RAND.

Garantias de não-expansão da NATO
"Declassified documents show security assurances against NATO expansion to Soviet leaders from Baker, Bush, Genscher, Kohl, Gates, Mitterrand, Thatcher, Hurd, Major, and Woerner
Washington D.C., December 12, 2017 - U.S. Secretary of State James Baker’s famous “not one inch eastward” assurance about NATO expansion in his meeting with Soviet leader Mikhail Gorbachev on February 9, 1990, was part of a cascade of assurances about Soviet security given by Western leaders to Gorbachev and other Soviet officials throughout the process of German unification in 1990 and on into 1991, according to declassified U.S., Soviet, German, British and
French documents posted today by the National Security Archive at George Washington University."
(https://nsarchive.gwu.edu/briefing-book/russia-programs/2017-12-12/nato-expansion-what-gorbachev-heard-western-leaders-early)

(continua)
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De Elvimonte a 25.01.2023 às 00:47

(continuação)

Acordos de Minsk
Os Acordos de Minsk (I e II) tiveram como signatários a Ucrânia, a Rússia, a Alemanha e a França, estes dois últimos países como promotores e fiadores. Destinavam-se, alegadamente, a colocar fim à guerra civil que se tinha iniciado na Ucrânia em 2014 na sequência do golpe de estado que conduziu à deposição do presidente eleito Viktor Yanukovych. Contudo, em Dezembro último, a ex-chanceler alemã Angela Merkel confessou que o objectivo não era bem esse.
"Merkel’s confession could be a pretext for an International Tribunal
Speaking in her interview for “Die Zeit”, published on December 7, German ex-Chancellor Merkel said the following: “The 2014 Minsk Agreement was an attempt to buy time for Ukraine. Ukraine used this time to become stronger, as you can see today. Ukraine in 2014-2015 and Ukraine today are not the same.” According to the ex-Chancellor, “it was
clear for everyone” that the conflict was suspended and the problem was not resolved, “but it was exactly what gave Ukraine the priceless time.”
(https://moderndiplomacy.eu/2022/12/13/merkels-confession-could-be-a-pretext-for-an-international-tribunal/)

O que já se sabia por uma entrevista dada anteriormente pelo ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko, na qual afirmava:
"The Minsk agreements bought Ukraine time, including to build its army, by freezing the conflict with Russia."
(https://www.irishtimes.com/news/world/europe/ukraine-s-ex-president-petro-poroshenko-the-army-is-like-my-child-1.4885308)

Resolução 2202 do Conselho de Segurança da ONU
"Unanimously Adopting Resolution 2202 (2015), Security Council Calls on Parties to Implement Accords Aimed at Peaceful Settlement in Eastern Ukraine
By resolution 2202 (2015), the Council called on all parties to fully implement the “Package of Measures for the Implementation of the Minsk Agreements”, adopted on 12 February 2015 in Minsk, Belarus. Firmly convinced that the resolution of the situation in eastern regions of Ukraine could only be achieved through a peaceful settlement to the current crisis, the Council welcomed the declaration by the Heads of State of the Russian Federation, Ukraine, France and Germany in support of the “package of measures” and their continuing commitment to implement the agreements.
In addition, the package called for carrying out reform in Ukraine with a new constitution entering into force by the end of 2015. That document had to provide for decentralization, as well as adopting permanent legislation on the special status of certain areas of the Donetsk and Luhansk regions in line with eight measures until the end of 2015."
(https://press.un.org/en/2015/sc11785.doc.htm)

(continua)

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