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barradeferro

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Fica-me a impressão que o nome de Chauvin irá ficar mais vincado na história do que o de George Floyd. Passado o kayfabe contemporâneo haverá reckoning na história que irá provavelmente trazer a decisão sobre Chauvin como pedra angular de algo. Não consigo ainda antever a extensão, mas assim será. 
Considerar um polícia culpado de assassinato por cumprir com procedimentos da polícia considerados como de restrição moderada vai ter consequências. 

Isto tudo começou provavelmente com Michael Brown em Ferguson Missouri. E assim assistíamos a pivots de televisão, fonte do novo mundo orwelliano, a levantar as mãos em directo “hands up, don’t shoot!, Hands up, don’t shoot!”. Aliás ainda hoje nas manifestações do BLM se consegue ver este gimmick em ação. BLM nasceu nesse incidente.
 E, após a absolvição do polícia Darren Wilson, e as manifestações, violência e looting por todo o lado, cedo se percebeu que nunca tinha existido Hands up nenhum e que o policia atuou corretamente ao disparar.  Em Março do ano seguinte (2015) até o Washington Post fazia um editorial a dizer que nunca existiu. E Eric holder (negro), Attorney General de Obama lançou uma investigação e fez um relatório a dizer que o julgamento tinha chegado ao veredicto correto. E depois veio outro Attorney General, Lorreta Lynch (negra) e lançou novo inquérito. Novamente o mesmo resultado… Nada disto adiantou. A imprensa nunca corrigiu a sua imagística inicial da vitimização de Michael Brown por isso o público nunca percebeu a verdade.

Na altura pensou-se, e fez-se laudas, ao sistema judicial americano que tinha resistido à pressões e tinha conseguido tomar a decisão que tomou. Assim pensou a direita e até pessoas ligadas ao partido democrata mais moderado, e isso foi um erro. Porque o problema é que a direita comete o erro de achar que só porque está certa, tem a verdade, que não tem que se preocupar mais porque “facts matter”. Tanga. Ou melhor, a Tanga é que matter.

 As acusações de racismo não pararam e isso foi importante. Porque talvez tenha sido um dos eventos onde melhor se percebeu que a verdade, a realidade, não tinha verdadeiramente poder nenhum sobre a narrativa. – Numa nação em que o presidente era negro, o Attorney General era negro, o Mayor era negro, o Juiz era negro, os júri era maioritariamente negro…mas o sistema era racista e tinha inocentado o polícia branco.

Pois… Derek Chauvin
O júri nem precisou de 10 horas para o considerar culpado de assassínio em segundo e terceiro grau, e de manslaughter.  E qualquer pessoa, achava eu, que tivesse visto o vídeo todo, os 20 minutos, ficaria siderado com esta decisão. Eu ainda aceitaria a decisão de manslaughter considerando negligência ao não perceber que as dificuldades de George Floyd … mas daí a assassinato (!?).
O que é mais curioso é que devido a esta decisão muito mais gente irá morrer. Magotes de gente irá morrer. Magotes de negros irão morrer.  Estão a ver, diga-se o que se disser, os incidentes mostram que as pessoas de raça negra demonstram muita dificuldade em obedecer às ordens da policia. Sobreviver à polícia nos EUA é tão fácil como colocar as mãos no volante, dizer ao policia se se tem alguma arma no carro, sair do carro quando a policia manda e levantar as mãos quando a policia manda. É muito difícil? – Pois, agora, nos próximos anos, ou mesmo meses, estejam atentos aos confrontos entre a polícia e jovens negros.  - Aliás, já começou a aumentar os casos em que os jovens negros ao ser interpelados pela polícia escalam a agressividade por achar, corretamente, que a polícia terá receio de exercer violência sobre eles.  – Isto leva à morte dessas pessoas. Digam o que disserem, se o polícia achar que está em perigo de vida vai disparar - É instinto de sobrevivência e mais nada.
Já aqui mostrei que desde a morte de George Floyd, um evento que acontece em média 9 a 13 vezes por ano nos EUA INTEIROS (negro desarmado morto por polícia), e dos protestos nas ruas, dizia eu desde a morte de Floyd, o número de mortes diárias nos EUA passaram de 37 por dia para 50 por dia. Isto é POR DIA!. São mais 13 George Floyds todos os dias.  --- Mas, se não está na narrativa, who gives a fuck, certo?

Já qual vai ser a resposta Judicial ao apelo de Chauvin às instâncias superiores vai ser outra história digna de se ver. Quer dizer, seria digno de se ver no Burundi. A diferença do Burundi para os EUA está a diminuir a olhos vistos.-  Por exemplo tanto Évariste Ndayishimiye como Joe Biden não percebem a necessidade de separar os poderes executivo do judicial pois não?
Fosse um tal de trump a dizer o que este disse...

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