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Por onde andam as pessoas sã do planeta?

por Olympus Mons, em 18.07.22

Existem pérolas. Existem ainda menos em Portugal, mas esta é, na minha opinião, uma delas.

O CLIMA DO SUL DE PORTUGAL NO SÉCULO XVIII - Reconstituição a partir de fontes descritivas e instrumentais, de Taborda, Alcoforado e Garcia, do centro de estudos geográficos de Lisboa e publicado em 2004.

Capture. capa seculo.PNG

Fosse hoje e não seria publicado. Mas em 2004 o fascismo cultural e esquerda ainda não era tão prevalecente em Portugal como é hoje em dia.

Primeiro e sem conseguir resistir a referir isso, foi uma excelente lembrança que houve uma altura em que a língua portuguesa fazia sentido, porque era escrita como se falava. Depois, provavelmente no século XIX, os maluquinhos ganharam a guerra civilizacional e complicaram a língua portuguesa ao nível a que ela é hoje em dia. Mas é refrescante ler que mês era mez, e que presencial era prezencial, etc.

Lembrar que os termómetros chegaram a Portugal ainda no século XVII (nos últimos anos).

Este trabalho, que é uma delícia de ler, não seria publicado hoje.  Escrever coisas como esta:

“Trigo et al. (2002), que estudaram o impacto da Oscilação do Atlântico Norte sobre as temperaturas extremas no continente europeu (período Dezembro-Março de 1958-1997), concluem que durante a fase positiva da NAO, grande parte da Europa ocidental e central regista anomalias térmicas positivas, chegando mesmo o aquecimento à Península Ibérica, no caso das temperaturas máximas. Na realidade, os valores elevados de temperatura registados, por exemplo, no mês de Março de 1734 e de 1781 (tal como no de 1997), verificaram-se no contexto de uma fase positiva da NAO, cujo índice apresentou valores de, respectivamente, +1.16, +0.4 e +1.35 (Luterbacher et al., 2002c”

Lembrem-se que está previsto dentro de 10 anos tanto o NAO como o PDO e o AO após 50 anos com sinal positivo irão entrar à fase negativa (por exemplo La ninas muito mais frequentes e poderosas que El nino que conseguem aquecer o planeta todo) e logo se verá com os "botões do clima" todos off o que se vai passar mesmo.

Também falam abertamente do Maunder Minimum, do LIA (little Ice Age) referindo que em Portugal estes estavam terminados no início de 1700 e tinha começado o aquecimento global…

Isto já não é, não deixam ser,  escrito ou dito na loucura do fascismo das alterações climáticas já está num estágio político muito mais avançado. Logo a verdade morreu à léguas.

Oiçam. Este trabalho publicado tem delicias como estas:

Capture 1784.PNG

Verão de 1784!? – KIDYOUNOT!

Isto seguiu-se a uma década de 1750 em que o problema era o frio. 

“Na dácada de cinquenta, caracterizada por um mÇximo relativo de alusÑes a situaÉÑes de “frio” e em que não foram encontradas referÅncias a “calor”. Na História Universal dos Terramotos (Mendonça, 1758, citado por Carvalho, 1996a, p.55), é referido que 1753 e 1754 foram anos com “excessivos frios que gelaram as aguas, não só as estagnadas como as correntes”. Existem também referências a frios “summamente excessivos” 104 e “a estaçam fria” 105 em Lisboa (Janeiro e Abril de 1753) e a “Nordeste rigissimo” e a ”excessivo frio” 106 em Salvaterra (Janeiro de 1754).”

Estão a ver que o clima era muito estável não era? Foi o CO2 de veio destabilizar o clima não foi? Aliás uma das consequências das alterações climáticas são os extremos não não? Pois no século XVIII era exatamente igual! -  E a seguir ao céu vai cair devido ao calor vem anos muito frios de seguida, logo…

“O mez de Janeiro [...] nos tem feito experimentar hum tempo extremamente frio, notavel entre muitos annos passados pela continuaçaõ do gelo por sinco dias, de sorte que o termometro desceo 3 degráos abaixo do ponto de Congelaçaõ do que naõ há muitos exemplos neste Clima.”115

Depois noutros anos, assiste-se a anos quentes e:

Também a Gazeta de Lisboa, certamente conhecedora das observações meteorológicas de Pretorius, se refere, no nº 33, de 17 de Agosto de 1784 (p.n.n.), a esta temperatura nos seguintes termos: “[…] se sentio aqui o calor mais excessivo de que se conserva lembrança, chegando a obsevar-se às 3 horas da tarde o thermometro de farenheit no gráo 106. O Hygrometro mostrou hum gráo de seccura muito extraordinário [“

E, no século XVIII em Portugal assiste-se ao Aquecimento Global e estes gráficos mostram essas alterações climáticas no modo como são reportados na “imprensa”, nos registos eclesiásticos e outros:

Capture calor_frio 1700.PNG

Como mostram os gráficos, durante o século XVIII falava-se muito do frio no início (1700-1720) mas depois, devido às alterações climáticas, deixou-se de falar de frio e começou-se a falar de calor!  Mas se for à década de 50 volta-se a falar de frio, para depois continuar o aquecimento global!

Mas se pensam que esta coisa de falar do clima e culpar tudo no clima é loucura moderna? Não, não, é tudo a mesma choldra. No século XVIII as alterações climáticas eram responsáveis pelos terramotos! – Sim, verdade!

Mas não só, tal como hoje em dia.

“A este propósito, atente-se nas observações que faz Joaquim da Assumpção Velho, um dos pioneiros da meteorologia instrumental em Portugal, no final dos registos meteorológicos de 1785 e 1786, na relação que, implicitamente, estabelece entre, por um lado, as características climáticas daqueles anos e, por outro, a qualidade da produção agrícola e as enfermidades que então grassaram entre a população de Mafra (Velho, 1799a, 1799b).

E claro, ainda mais após o de 1755, os terramotos estavam relacionados com as alteraçoes climáticas...

"...megasismo de Novembro de 1755 não terá também contribuído, em Portugal, para o incremento das investigações em meteorologia? É sabido que certos estados da atmosfera eram, então, considerados como prognósticos da ocorrência de um  terramoto (Carvalho, 1996a). Sendo assim, melhores e mais detalhados conhecimentos das condições atmosféricas poderiam, em certa medida, permitir progressos no sentido de mais eficientemente se prever um eventual sismo, minorando, desse modo, o número de vítimas.

Era mesmo assim nessa altura,

"..Jacob Crysostomo Pretorius, outro dos pioneiros da meteorologia instrumental em Portugal, estabelecia assim a ligação entre as condições atmosféricas e os tremores de terra de 27 de Novembro de 1791 e de 22 de Novembro de 1793: “[dum e doutro] saõ identicamente as circunstancias as mesmas; depois de huma Seccura de varios mezes, vem de repente huma taõ copiosa chuva, que naturalmente tapa a vaporaçaõ, destes vapores subterraneos elasticos”. E continuando: “Acho tambem notavel, que no mesmo dia 22 de Nov. da manhã sedo se vio huma grande coroa da Lua, dalli a chéa do Rio, dalli hum vento furioso do sul; o Azogue no Barometro desceo logo depois do Abalo 2 Linhas” (Pretorius, 1793, fl.169vº-170).

 

Uma nota final:  
vivemos no apogeu de uma geração que acha que o mundo começou quando as mãezinhas os pariram e que vivem num mundo de lala land. As pessoas do século passado,  ou de há dois séculos ou mil anos não eram estúpidas ou, em boa verdade, em nada diferentes. Não as pessoas de agora não são os reis da cocada são sim só uma versão mais burrinha, naive e manipulável.

Um dia gostaria de assistir a um debate entre adultos sobre qual é a melhor estimativa do ECS (estimated Climate Sensivity) com a duplicação do CO2 na atmosfera. Uma conversa séria. Será 1.4-1.8C? será 2C a 2.5C? qual será mesmo a realidade?
Ou conversas recorrentes de qual o valor mais correto, ou aproximado, de RCP que estamos nesta altura? Devia haver um relatório anual que nos dissesse a este ritmo estaremos num cenário de 3.9RCP ou 4.6RCP, ou o que fosse e que  por isso devíamos então usar como conversa o cenário 4.2 (ou outro) e não como hoje se faz o 8.5 que é só uma coisa estapafúrdia!

Este desejo de voltar a viver num mundo real e não num mundo de gente com desarranjos mentais que são presidentes, cientistas, primeiros-ministros, milionário e bilionários. -  Onde andam as pessoas sã do planeta?

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5 comentários

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De Anónimo a 18.07.2022 às 12:56

Que maravilha.
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De Paulo Cunha a 18.07.2022 às 19:37

Presente
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De Zé Manel Tonto a 18.07.2022 às 20:24

Muito bom.
É uma pena que se eu partilhar isto os NPC vão dizer que é "anti ciência", e que as alterações climáticas antropogénicas estão provadas.

Veja que eu já tive crentes das alterações climáticas que, quando confrontados com o fimda pequena idade do gelo, ainda antes da revolução industrial começar, dizem quesim, que foi actividade humana, de cortar florestas para obter terrenos agricolas que causou esse aquecimento.

Mostre-se a esta gente artigos cientificos de 1970 a dizer que viria aí uma nova idade do gelo no ano 2000, e nem assim eles colocam à consideração que as alterações climáticas podem não ter nada a ver com a actividade humana.

Mas até fico contente que daqui por 10 anos a coisa possa arrefecer. É que eu gosto do frio (se for com neve, então, ainda melhor), e muito me vou rir da malta das alterações climáticas antropogénicas nessa altura.

Eu sou sacana que chegue para guardar uns screenshots do que esta maklta publica hoje nos facebooks e afins, e daqui por 10 anos atirar-lhes isso à cara.

Ao contrário dos "cientistas" de 1970, os chicken littles de hoje estõ tramados. É que a internet não esquece.
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De Jornaleco a 18.07.2022 às 22:37

O meu vizinho disse-me ontem, numa conversa, que a esquerda nunca governou em Portugal.

Hahahhahahahah.

Jornaleco



Nós somos governados por burros malvados.

Que nada percebem da matéria "ciência". Nadinha.

Um bom cientista tem e quere e sabe verificar todas as suas afirmações, acima mencionadas. Só que os "nossos" burros malvados e podres não o sabem fazer.

Por isso resta-lhes a tal crença, que eles dizem desprezar.

Hahahahah.

Quem seguir a pista do dinheiro, da tal "green energy" e saber pôr perguntas inteligentes e inquietantes, descobre a cabala.

Provas não faltam. Nunca faltaram.

Os marxistas verdes vão levar novamente nos cornos. Como o paizinho deles.
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De Jornaleco a 18.07.2022 às 22:42

As eólicas causam seca.

E esta?

Jornaleco


Quem na Alemanha (actual) ter a coragem de criticar o governo esquerdista doido actual e dizer a verdade, que eles são uns criminosos e incompetentes, é agora um caso para a PIDE marxista (STASI).

Aqui não deve ser muito diferente.

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