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barradeferro

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Haplos Yamanya.png

Nem sei bem quantos posts escreverei sobre este assunto. Talvez só este, talvez vários.

Aliás, nem sei bem como escrever sobre o assunto. Isso porque o objeto deste post é extremamente importante para mim, mas pode não ser para os outros. Acho eu.

Vamos criar um pouco de contexto.

 

Quem somos nós? Até há bem pouco tempo, cerca de 20 anos, a ideia de "nós" – e "nós" pode ser qualquer grupo populacional – era moldada pelas interpretações de arqueólogos e historiadores. O que é ser europeu? E indiano? E africano?

Hoje, acredito que a identidade de um grupo pode ser resumida ou determinada pela homogeneização dos SNPs e alelos do ADN dessas pessoas. Porque a heterogeneidade, definitivamente, não é a norma. A diversidade não é funcional a este nível; um grupo atinge determinada homogeneidade e nessa altura a comunalidade do temperamento cria uma cultura que se manifesta em comportamentos mais ou menos descritivos daquele grupo. Assim, eles se identificam uns com os outros.

Por exemplo, o que é ser português no sentido mais amplo, ou no sentido acima descrito? – Uma população com 4.400 anos. Sim, 4.400 anos. E já vão entender por que isso é importante. Há 4.400 anos, chegou à Península Ibérica uma população carregada de admixture genética das estepes da Ucrânia, a componente Yamnaya presente em todos os europeus ou, se preferir, em todos os indo-europeus, desde populações da Ásia Central até Portugal. Esta população chegou e tudo o resto cessou. Tal como em toda a europa foi esta identidade Bell Beaker que criou o Europeu. O Europeu genético, o europeu cultural.

Essa população cheia de Genética Yamnaya (e este série é toda sobre eles) chegou à Península Ibérica na mesma época em que chegou ao Reino Unido, via Bell Beakers (ou campaniformes). No nosso caso, e também no caso dos espanhóis, os homens desse impressionante grupo que entrou na Ibéria eram os DF27 (R1b-DF27), enquanto no Reino Unido eram os L21. Todos irmãos.

No entanto, poucas pessoas sabem que os DF27 dos espanhóis hoje têm uma mutação chamada Z195, que os portugueses não possuem. E essa mutação Z195 tem a mesma “idade” (TMRCA) que o pai DF27. Todos os espanhóis, incluindo os bascos, são Z195, o que é inexistente em Portugal. Claramente, espanhóis não geraram descendência com portugueses nos últimos 4.400 anos. Isso é intrigante, considerando a disseminação total dos Z195 na Espanha e sua ausência em Portugal.

 Isso significa que Portugal não é um país devido a eventos históricos como a batalha de Ourique ou os feitos dos condes; Portugal é um país porque os “espanhóis” sempre consideraram que além daqueles rios e montanhas, mandam os que lá estão, e pronto. Se pensarmos bem, isso é fascinante.

 Até mesmo os celtas, os celtas do sul da Alemanha, Áustria, Boêmia e Hungria (1000-100 a.C.), eram geneticamente portugueses (Ok, ibéricos). Todos nós aprendemos sobre a chegada dos celtas como algo exógeno, mas, na verdade, eles eram curiosamente iguais a nós geneticamente. Aliás, o ressurgimento nas ilhas britânicas das componentes EEF (Early Eastern Farmers) e WHG (Western Hunter-Gatherers) na Idade do Ferro é agora atribuído a esses celtas vindos da Europa Central, que, na verdade, eram geneticamente próximos dos ibéricos.
Só de pensar que os celtas de Hallstatt, na Áustria, eram na verdade geneticamente ibéricos... Curiosamente, esses celtas que lutaram ferozmente contra os romanos eram geneticamente "iguais" aos... romanos. Ainda hoje, a distância genética entre portugueses, espanhóis e norte-italianos é praticamente zero!

Isto pode explicar uma das estranhezas da pré-história portuguesa. Porque é que vemos os celtas a entrar por Portugal nos séculos VIII e VI a.C pelo corredor que leva ao Alentejo, entrando na terra dos ferozes Turduli, e a seguir vemo-los a passear todos juntos e sem problema pelas terras dos lusitanos, pelas terras dos Turduli Veteres (Porto), atravessando o Douro até à Galiza. Está explicado. – Olharam para os celtas a chegar e perguntaram: “Primo, que te traz por aqui?”.

E pronto… Não escrevi nada do que queria escrever.

Aliás o que me motiva a escrever esta serie só marginalmente tem a ver com isto que escrevi até aqui, porque o que eu quero escrever é sobre a origem destes tais Yamnaya e não sobre estes eventos de pessoas carregadas de admixture genético Yamnaya mas … 2,000 mil anos depois.

Aliás nem é sobre os Yamanya que eu quero escrever!

É sobre mim, é sobre uma das mais perplexidades da minha existência que é a minha batalha dos últimos 10 anos contra todos.  E estes todos inclui Harvard ou até o Max Planck Anthropology em Leipzig para agora ter razão e nem por isso ter qualquer crédito por ter sido a voz isolada a colocar um pin no sitio (cultura) exata que deu origem a “nós” como entidade pelo menos linguística e genética.
Enfim, tento no próximo post desta série.