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Reality is a bitch

por Olympus Mons, em 21.01.22

A realidade é uma cabra insidiosa.

Tenho para mim que não adianta lutar contra uma narrativa se não souberes a verdade, e em alguns casos é obviamente impossível de declarar que temos a verdade, ou mesmo só porque consegues elaborar uma hipóteses alternativa.  Uma questão de honestidade intelectual.
Jurei também a mim próprio que não deixaria que as minhas obsessões arqeo-genéticas inundem, como aconteceu no passado, este blog.

Quer isto dizer que não adianta, aliás como nas questões relacionadas com as alterações climáticas, lutar contra as ondas. Quando a onda é enorme mais vale submergir e sair mais tarde do lado de lá da onda.

Mas existem coisas que vale a pena porque são comunicáveis.
Quando Reich, Haak, Johannes Krauser, Petterson (estão a ver o nomes e apelidos, certo) nos “mostram”, aliás com a ajuda de por exemplo o Rui Martiniano em Dublin, que apesar de todo o carbon dating nos dizer que os potes Bell Beaker (campaniforme) mais antigos de todos serem os da região de Lisboa (Torres Vedras, Oeiras) e também de longe onde são mais abundantes (basta ir pelos nossos museus ver) dizem-nos eles que “estranhamente” os Bell beakers originais da Iberia não eram as pessoas que se transforam nos pais genéticos de todos os Europeus. A europa existe há muito tempo, a Europa é os Bell Beakers, até por isso nós nos associamos como arqueiros e a imagem deste senhor da imagem nos é tao familiar como Europeus.
 Dizem eles que foi algo como uma religião que pessoas saídas da Península Ibérica passaram a um novo grupo na europa central e que esse grupo, esses sim os Bell beakers (de segunda geração) na sua essência os tais filhos do R1B_L51 e cheios da componente das estepes da Ucrânia (30-40%), essa nossa componente Yamnaya, a tal última componente genética da formação dos Europeus, teve uma explosão demográfica .Tanto um portugueses como um sueco são essencialmente feitos deste admix.

E pronto este é a verdade que é aceite por todos e ai de quem se atreva a levantar dúvidas.

Depois, depois aparecem papers como este. Nick, o famoso Nick Petterson de Berkeley, um dos nomes acima mencionados, tem este pre-print no biorxiv (https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2022.01.18.476710v1.full.pdf)

Não vou entrar por este paper a dentro mas é genial o modo como se está a conseguir fazer zoom-in às datas de origem genética de alguns destes eventos genéticos que são a formação dos grupos populacionais. Não vou sequer entrar pela maravilha que é quando eles afirmam que esta componente Yamnaya na verdade surge primeiro cerca de 4500BC e essa componente criada nessa altura é o que vemos depois ser os tais yamanya (3500BC). Especialmente a componente de agricultor do Irão, na forma CHG, que combina comos Eastern Hunter gatherer e forma assim essa componente das estepes ou Yamnaya porque isso reforça as minhas crenças. -  Ainda hoje em dia considero que a urheimat dos proto-indoEuropeus foram os Shulaveri-Shomu. Novamente vou esperar o desenrolar do tempo e da verdade.

Não, não. A parte no topo da cereja é na linhas 448 até á linha 452.  Está lá, esta pérola das pérolas, este diamante dos diamantes!

Capture steppe Iberia.PNG

E tanta porrada eu levei por me opor à versão oficial.

Eh pá. Kid you not. – Quando eles modelam, nas milhares de samples de indivíduos que eles tem o ADN sequenciado, qual então é o ADN Yamanya mais antigo encontrado na europa? …. Sai-lhe um gajo em Mallorca, espanha, no meio do mediterrâneo, que está relacionado com os Bell Beakers, ainda antes dos Bell Beakers sequer existirem e tem uma data de 3200BC (3600-2800BC), que é quando a Ibéria se enche de pessoas. Os Bell beakers surgem depois em 2800BC em Oeiras e depois a sua explosão na europa ocorre de 2600bc em diante. Pouco depois encontramos na bohemia (republica Checa), na Alemanha e subitamente 90% dos britânicos são descendentes deles.

…. Isto nem encomendado. É como uma chapada na cara das assumidades todas.
Isto só dá para grizar até às lágrimas.

PS: sorry a quem achar estes assuntos assim mais chatos.

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3 comentários

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De Rui Silva a 22.01.2022 às 08:14

Caro Olympos,
Não são nada chatos. Eu gostava era de ter mais referencias para poder estudar o assunto e tentar perceber. A materia é fascinante.
Rui Silva
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De Elvimonte a 22.01.2022 às 15:49

Em tempos apanhei um paper cujo link ficou numa máquina que há muito entregou a alma ao criador. Baseado numa análise de marcadores genéticos cujos pormenores já não recordo, esse paper mostrava que a Península Ibérica tinha constituído um refúgio durante a última glaciação, o que faz todo o sentido. E a partir desse refúgio, no final da glaciação, migrações tinham ocorrido para todas as partes da Europa, nomeadamente para Leste.
É claro que a janela temporal dessas migrações com origem na Península Ibérica será muito anterior à cultura Bell Beaker. Mesmo assim, não deixa de ser curioso como a referência a esse ancestral refúgio é sempre omitida.
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De Anónimo a 24.01.2022 às 13:30

Bom... também não tenho grandes conhecimentos sobre este tipo de matérias....No entanto, parece que outros chegaram as conclusões similares indo por outras vias, tais como a via histórica. E nesta via restam algumas pontas soltas que não encaixam bem e que são demasiado coincidentes. Como por exemplo, as supostas ligações antigas (segundo algumas opiniões, por via marítima - eixo atlântico norte) entre esta parte Ocidental (Ibéria) e a parte mais a leste (ex: actuais Ucrânia e Geórgia).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gal%C3%ADcia_(Europa_Central)
https://en.wikipedia.org/wiki/Kingdom_of_Iberia

Maria Rebelo

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