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Self Check-out

por Olympus Mons, em 07.05.22

Uma das coisas mais perigosas para a Europa (não, não é o Putin) é a desatenção sobre o que se tornou os EUA e provavelmente a total incapacidade de interpretação a que se assiste.

Deixem-me revelar-vos uma observação durante algumas décadas.

Eu passava pelos EUA, aeroporto de JFK, Newark ou Logan Boston e aquilo parecia normal. Isto final dos anos 90.  Como era miúdo talvez tivesse desatento.  Eu, tal como acredito a maioria dos americanos primeiro nos referidos aeroportos, seja depois no commute a caminho dos locais de emprego, os americanos saiam dos seus bairros de brancos (na sua essência, ou com uma percentagem baixa de asiáticos) e de SUV chegavam aos locais de emprego onde também eram no essencial brancos os seus colegas.  Isto era realidade que eu observava na pequena réplica que tinha da vida deles.

Depois, ali por volta de 2007, lembro-me de me sentar no aeroporto (acho que JFK) e reparar na distopia que aquilo era. Até para mim que acredito que o mundo é muito como é e pronto, lembro-me perfeitamente de observar um mar de pessoas de cor nos trabalhos mais desqualificados, onde pessoas que tratavam da limpeza, do lixo eram todos de raça negra. Olhava para os empregados dos restaurantes e cafés e eram hispânicos com claro admixture genético não-europeu e depois um mar de brancos a correr de um lado para o outro para apanhar aviões. Aquilo era chocante. Lembro-me de ter pensado, como é que isto socialmente funciona?  - Que tanga, que narrativa, este pessoal vive para papar isto assim? Bizarro!

Depois, outro momento pivoteal, já na década passada, penso 2011, tinha que chegar a Chicago e ia lá com um bilhete ID (borla) da United e o voo de lisboa atrasou, logo perdi o voo de conexão, tal como me tinha acontecido muitas outras vezes.
Cheguei a Newark e reparei que todos os empregados de Check-in eram negros o que era uma total novidade. -  Ou seja tinham subido na escala profissional, mas a verdade o que tinham á sua frente era mesmo máquinas de self-checkin e rapidamente percebi o significado.
Esperei na fila e quando chegou à minha vez, expliquei à senhora o sucedido e que ela me desse um novo cartão de embarque no próximo voo para Chicago. Eu explicava e ela apontava para máquina de self checkin. Bizzaro. Desisti e, como tenho experiência e era da área, fui procurar um balcão de “irregularidades” . Novamente a senhora, também negra, comportou-se da mesma forma e lá acabou por dizer que o escritório backoffice da United era “ali”. Assim que chego à porta diz que fechou às 17H.  Sentei-me um bocado a olhar para aquele mar de balcões de check-in e tentei mais uma vez. Mesma reposta e “next, next please”. 

Com isto tinha passado uma hora. Eu confesso que sentia uma angústia, como se estivesse num país africano atrasado e não no país que tinha inventado a quase totalidade dos processos funcionais nas companhias aéreas. - Sabem o que fiz? – fui para um local com visibilidade sobre o aeroporto e procurei. Lá ao fundo (no balção de large baggage) vi uma senhora branca e loira.  -  Ela sorriu, wait a minute, mexeu no computador, e passado um minuto, “have a nice flight” e deu-me o cartão de embarque para o próximo voo.

Um dia escreverei mais profundamente sobre o significado desta minha história e das observações.  Mas não agora. Aliás, convém dizer que mais tarde deu-se uma ligeira reversão porque aquilo estava a chegar ao nível do Botswana.

Mas para este post, aquilo que eu acredito é que não fui só eu que observei o fenómeno de 2005, foram também muitos americanos. Imagino que o que me… perturbou, também terá sido observado por um número de americanos e decidiram tentar retificar… optando pelo caminho errado.

Qual o moral da história? – Que a opção pela diversidade e inclusão forçada é feita ao preço da total disfuncionalidade, de um arrasar “carpet bombing” da qualidade, da eficácia e de algo que se assemelha imenso a um retrocesso civilizacional.
Esta opção, de que a inclusão é Paramount e a ela se deve sacrificar tudo, mas mesmo tudo, encontra-se na bibliografia da sociologia. Isto não é destempero ou não planeado. - 
Aquilo que nos é relevante, é que a Europa não são os EUA.

Ou pelo menos não no que consigo apurar porque não terá a maioria das suas cidades com 30% de pessoas de cor, ou mais de 50% de pessoas de etnicidades não autóctone (europeia) com as dificuldades inerentes a esse fenómeno, que para se claro resultam do imperativo de ser inclusivo com esse mar de pessoas. – Podes proteger os direitos de minorias mas se elas deixam de ser minorias (>25% já foste) tens que perceber que tens que te reinventar. – Acredito que a Europa ainda não passou para lá do rubicão.
Quer dizer, talvez londres ou Paris.

Até isso é curioso. Na maioria dos países da Europa não é possível saber em concreto através de censos, não é?
E talvez tenhamos que considerar que estes sítios, Paris e Londres, terão os mesmos problemas que os EUA enquanto país. Aliás, pelo menos Londres tem, porque só uma minoria se identifica como inglês branco (os tais autóctones) mas não considero que os problemas de uma cidade, mesmo que seja a capital, tenha que definir totalmente a vivência do país. Londres tem menos de 15% da população do país ou que as cidades de frança onde este problema se poe também não serão mais que 15% da população do país.

Voltando ao início, os EUA como já aqui escrevi inúmeras vezes tem um problema existencial e de “transtorno dismórfico corporal” porque a sua identidade já não se coaduna com a diversidade étnico-cultural da caras que povoam toda a sua urbe. Os EUA optaram por importar 100 milhões de pessoas em 30 anos. E, essa  a razão pela qual este post se chama Self Check-out. Foi opção.

A Europa, pese embora a estupidez suicidária que por aí graça, não são os EUA e tem que passar a deixar de copiar a América Alemã, porque a América alemã já não existe. Está lá agora a América Latina e isso tenho dúvidas que seja de copiar.
Não pela Europa, o alfa e o ómega do mundo.

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2 comentários

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De Olympus Mons a 08.05.2022 às 16:27

Sim. Botswana não será o melhor exemplo. :)

Realmente não conheço nenhum hindu que nao seja completamente aderente à autoridade. äs vezes até parece estranho.

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