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Tilly... Não sejas Silly

por Olympus Mons, em 28.12.20

Deparei-me com alguns vídeos do João tilly sobre as nossas origens, repleto de referências por parte dele que são tudo patranhas e tangas , desde os Lusitanos até túrdulos e afins, como se fosse tudo invenção tiradas do Wikipédia… Não é.
Confesso que detestei o blasé com que ele abordou essa questão. Além disso está errado! Do better!

Por Exemplo este vídeo, mas existem outros:
https://www.youtube.com/watch?v=QsUzd7b1ZEs

Como sei que ele até tem uma audiência  relevante, e num país onde a ausência de conteúdos é gritante, não resisti a retificar alguns dos conceitos que ele ali verbaliza. 

 

Lusitanos é um nome. Mas foi de Lusitanos que foram chamados os povos que por aqui vivam. Não muda quem são, só um nome que designa algo. Para Estrabão, o geógrafo Romano, era tao clara e definida esta identidade que menciona, corretamente diga-se, que o rio Tejo nasce nos celtiberos e passa pelos carpetanos, vetões e depois Lusitanos, sendo claro que os lusitanos existiam e ela assim eram chamados. E não era uma invenção dos Romanos. Também refere Estrabão (Strabo) que quando se referiam a eles, s gentes daquela miríade de tribos que se espalhavam naquela zona, os antigos (não contemporâneos) os chamavam de Lusitanos e a sua região foi definida por Estrabão como tendo uma extensão de 555 KM (bastante preciso, temos que concordar). 

Aliás, muitos séculos antes de estrabão (século I AC) e das invasões Romanas, já Périplus ou Avieno (Século VI AC), distinguiam Oestriminis (os mais a ocidente) de Cónios no sul no baixo Alentejo e no Algarve. Ou seja, já havia essa destrinça entre os povos que habitavam o Sul (como os Turdetanos, Cónios, etc) e os restantes mais a oeste. Os restantes são por exemplo os Túrdulos, entre outros, que eu acho que até melhor (ou tanto quanto os Lusitanos) representariam a identidade de Portugal, e que à chegada dos romanos já se espalhavam por estas terras que deram lugar a Portugal não só na parte a Este do Alentejo e pelo sul da Estremadura a dentro, a norte dos turdetanos (na Andaluzia).  Continuo a dizer que os Túrdulos estão sub representados na nossa história: túrdulos Bardili (setúbal) Oppidani (lisboa) veteres (Gaia). Contudo duvido que fossem verdadeiramente distintos (genéticamente e culturalmente) das centenas de pequenas tribos que estavam por todo o lado em Portugal e que seriam os tais Oestriminis. Por isso, sim, somos descendentes dos Lusitanos…e dos outros todos à volta que nem na história se registou os seus nomes, que viviem aqui, onde hoje é Portugal.

Mas esta conversa seria longa e não dá para ser descrita num post. Fica, contudo, algumas referências que talvez aos poucos vá desenvolvendo aqui, sem abusar para não chatear. No século XXI, são coisas como estas abaixo que interessa seguir:

- A Língua dos Lusitanos, é um dos maiores mistérios linguísticos do mundo, não sendo catalogada para além que era Indo-Europeia. - A razão é porque tinha arcaísmos que não lembra nem ao menino Jesus.  Já há muito que as línguas, muito antes do Celta por exemplo, tinham deixado cair o -P e os lusitanos ainda se referiam ao Porco como Porcom, ou tantos outros arcaísmo que só se encontra paralelo nos Indo/iraniano arcaico. Ainda hoje usamos a palavra “ainda” que se procurarem encontram:  ETIM a- + inda, f.arc., de orig. até hoje não explicada satisfatoriamente.  Só nós e os galegos (ainda), os Lusitanos (Indi) e o proto indo-europeu original usava isso para definir a palavra "e" ou em inglês "and". O mistério dos arcaísmos próximos do PIE (Proto-Indo-European a mãe de todas) da língua dos lusitanos continua por ser explicada.

- Os europeus pertencem ao Haplogrupo genético R1b (R1b-M269-L23-L51…).  O Pai de todos os europeus (cerca de 80% dos europeus) foi o senhor L51 (ainda não descoberto onde vivia) que nasceu há cerca de 5800 anos, ou seja 3800 BC.

Já encontramos muito do “filho” o P312 (3000-2800 BC) por todo o lado e, como sabemos, nós na península ibérica somos definidos pelo “neto” o DF27. Os “irmãos”  e “tios” do DF27 , como o S21, L21, U152, etc compõem assim o resto da europa ocidental. Ora Portugal tem algumas peculiaridades. Primeira, “todos” os espanhóis são descendentes de um filho do DF27, o Z195 (que terá conhecido o “pai” porque tem a mesma idade genética) mas os Portugueses, estranhamente, não. É estranho que vivendo lado a lado durante 4400 anos, nunca os de lá (espanhóis) passaram para o lado de cá para procriar… Depois, apesar de em Portugal ser tudo pelo meio caminho e poucochinho (como sabemos) a verdade é que os estudos feitos até hoje (que deviam ter ido mais fundo) também nos dizem que sim, somos DF27, mas em proporções peculiarmente baixas para a península Ibérica, com uma percentagem enorme de Portugueses que só possuem o gene do “tetra avô” M269.  Aliás só tem paralelo este valor tão alto na Normandia (aguardo que em PT se faça mais estudos sobre isto).  Ora, se os R1B vieram para a Península ibérica com a idade do bronze (2400 BC) e com a componente genética yamnaya (estepes da Ucrânia) nos contextos Bell Beaker (como manda a atual ortodoxia), porque raio existem tantos portugueses com haplotypes tão antigos (M269!) e ainda por cima no sitio dos Lusitanos que são os tais que tinham uma língua Indo-Europeia com tantos arcaísmos que nem a conseguem catalogar?  Humm, se calhar descendemos ainda mais dos Lusitanos do que aquilo que achamos. E dos Túrdulos, ou Bracari, etc.

Para terminar… Sim os Portugueses descendem dos Lusitanos (e de outros exatamente iguais a estes que por aqui viviam) e são um grupo com identidade própria e milenar pelo menos no que concerne à parte do ADN patriarcal (Cromossoma Y). Autosomal (todos os genes) somos iguais aos galegos, muito parecidos com os espanhóis e parecidos com o norte de Itália com SNPs e polimorfismo muito parecidos.  De resto, o Fst (fixation index), ou seja a distância genética entre todos os europeus, entre um Português e um Sueco, é tão baixa que até impressiona. Porque todos os europeus são, globalmente, feitos dos mesmos componentes genéticos, somente tendo proporções diferentes desses mesmos componentes.

Esta era uma conversa que teria centenas de posts, espero não ter aborrecido ninguém.

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2 comentários

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De Anónimo a 30.12.2020 às 08:20

Optimo post. Não aborreceu nada. Este assunto é fascinante, pelo menos para mim q sou da area das engenharias. Gostaria até q aprofundasse.
Cps
Rui Silva
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De Olympus Mons a 30.12.2020 às 19:25

Viva Rui, vou escrevendo algumas coisas de vez em quando sobre este assunto.
Abraço e boas entradas.

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