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Velharias

por Olympus Mons, em 17.05.21

Capture imigrante.PNG

Existe uma dissonância da realidade que sinceramente não sei como resolver cognitivamente.

Eu vi, ouvi, li sobre a situação dos emigrantes no Alentejo e começou como uma coisa pouco menos que de escravatura século XXI. Eram, pelo que ouvia, maléficas redes de tráfego humano ilegal, parecido com tráfego de prostituição, que escravizavam os enganados imigrantes. No auge do frenesim, ligo a televisão e vejo um jornalista que entrevista um destes jovens vindos da índia. Entre a conversa do escravo e a conversa do jovem vai um oceano de distância. Ele mostrava com orgulho a casa onde viva (conjuntamente com outras pessoas) com vista para o mar e recebia 800 euros de ordenado (pago diretamente a ele pelo empregador), que gastava 100 na casa, 100 em comida e conseguia mandar para casa o equivalente a 2 a 3 ordenados de lá! O jornalista ainda tentou fazer a tanga do explorado mas até o ar de espanto do jovem foi revelador. Ele estava ali, bem, orgulhoso do que tinha conseguido e feliz da vida. No entanto, ligo a televisão à noite e lá estão as elites do costume a carpir a cenaça dos coitadinhos e encharcados eles próprios de superioridade moral, a banhar-se no virtue signaling.  -  Parece isto ser uma constante esta realidade alternativa em que uma elite, por norma urbana, vive e projeta como se houvesse uma convenção entre nós todos, piscando o olho, que nós todos sabemos que a realidade não tem muito a ver com o kayfabe que é projectado digitalmente mas que temos todos que fingir gostar do show.

Lembrei-me de escrever isto porque tenho estado a assistir nos últimos dias aos eventos no conflito Israelo-palestiniano. Por um lado, noto um certo enfado da esquerda pela narrativa oficialmente esquerdoide, um enfastio por ter que repetir a mesma mantra dos últimos 50 anos como se duvidassem da eficácia do que é já é velho.

Contudo, e dito isto, também reparo que se mantém a Suspension of disbelief  que tanto jeito dá. Como se o bombardeamento do edifício da imprensa onde se alojavam a AP, Aljazerra, Reuters…e um centro de Inteligenzia do Hamas não fosse algo que o IDF só fizesse com super, hiper provas.  Bombardear o edifício da imprensa é a última coisa que os Israelitas quereriam. E logo de seguida também temos que fingir que estes órgãos de informação não estão em conluio com terroristas do Hamas. O patético que é a AP vir dizer que não fazia ideia de que o Hamas tinha um centro de informação operacional no edifício… ganda jornalistas.

Capture gaza IDF warning.PNG

Nesta distopia entre realidades e Kayfabe e apesar do esforço da google, Youtube, etc, ainda se vai conseguindo ver vislumbres da realidade como esta conversa entre o agente da IDF e o palestiniano que vai ter a casa explodida por um míssil.
para mim a parte mais curiosa é quando ele pergunta se o míssil vai vir por trás ou pela frente, porque na parte de trás há um descampado e não afetará as outras casas. Quando o agente do IDF lhe diz que não sabe vejam a cara dele, tipo “estes burros!”.

https://www.youtube.com/watch?v=sumq8ktYOTI

Vale a pena ver o vídeo todo para perceber que quando a entidade que manda o míssil e quem vai ter a casa atingida por um míssil consegue ter este tipo de diálogo… É outro nível. O que quer que se passe entre aquela gente já parece mais conversa de disputa de vizinhos que se odeiam mas estão habituados a viver lado a lado, do que guerra entre inimigos. - Espero mesmo que o soldado da IDF lhe tenha ligado depois como prometeu para explicar porque a casa tinha sido atacada.

Ao final do dia, eu quero mesmo é que me demonstrem que as criancinhas sem vida da ordem que nos mostram a toda a hora, novamente o truque do costume, não morreram porque o Hamas disparou rockets do sítio onde elas estavam. É que se foi esse o caso (como eu sei que foi), até porque também vejo ocasiões onde ataques são cancelados porque identificaram crianças nas imediações mesmo que sejam alvos legítimos, então se todos as carpideiras não se preocupam com aquelas crianças o suficiente para desmascarar o Hamas então eu, como essas carpideiras, também gostaria de I dont give a shit!

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