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Who we are...

por Olympus Mons, em 18.03.22

Uma curta, só para lembrar o que deve ser lembrado especialmente agora que o nosso Presidente regressou de Moçambique.
Mas a verdade é que já li o estudo há algumas semanas e nao queria deixar passar mais tempo.
Que toda a gente é descendente e um violador e de uma mulher violada é bom que se comecem a habituar.  Que toda a gente é descendente de um colonizador e de um colonizado costumava também ser um dado, uma verdade. 

No entanto parece que temos que voltar a frisar o que em tempos era óbvio, até por raciocínio lógico. Quando assistimos a um recrudescer das tangas pós-modernas de que até a verdade é a construção que jeito der na altura, convém começar a carregar na realidade sempre que a oportunidade se apresentar.

Capture beleza.PNG

https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2022.02.07.478793v1.full.pdf

Convém assim e devido a isso ir lembrando, nomeadamente aos Angolanos e Moçambicanos, mas aos africanos em geral, que eles também são descendentes de colonizadores. Os Europeus colonizaram a América, os Bantus colonizaram África. A mesma coisa.  

Acima é um estudo de há uma semana, sobre os Bantu de Angola e de Mozambique.  Já aqui falei sobre a colonização Bantu de África que não foi assim há tanto tempo. Neste caso, acima, reforça o estudo que essa colonização Bantu foi feita com muito pouca admixture com as pessoas que antes viviam nessas regiões, que a supremacia Bantu, nomeadamente nos últimos dois milénios, teve interligações entre as populações de Angola e de Moçambique durante especialmente o ultimo milénio trazendo alguma ligação entre as duas comunidades. Isso quer dizer que esse povo colonizador se identificava bem entre si como iguais, fomentava as ligações entre si e, e, dos que por lá viviam pouco restou. Das populações ou da genéticas deles na maioria das populações nao ficou nada de monta. Algumas destas pessoas habitavam aquelas zonas há mais de 100 mil anos! É a vida, é assim, por todo o lado do planeta -  Estão a ver, assim como os Europeus na América que pouco ou nada fica da genética indígena nas populações europoides da atualidade.

Este estudo conta com a colaboração, ou ela é a principal autora do estudo. Já nem sei se Sandra Beleza e a mãe ou a filha, mas pese embora mais antigos, li bons estudos de Beleza et al especialmente do tempo dos papers mitocondriais (mas penso que esta é a filha, que está na University of Leicester, Department of Genetics & Genome Biology, Leicester, UK).

E se alguém ainda tinha dúvidas sobre o estudo sobre o ADN de Shum laka, neste estudo acabadinho de sair da prensa e com muito mais genomas por toda a África não deixa margens para dúvidas:

"

Ancient DNA and deep population structure in sub-Saharan African foragers
...Demographic transformations in the past approximately 5,000 years have fundamentally altered regional population structures and largely erased what was, by the Late Pleistocene, a well-established three-way cline of eastern-, southern- and central-African-related ancestry that extended across eastern and south-central Africa. "

https://www.nature.com/articles/s41586-022-04430-9#Sec7

E prontos, deixem-se de tangas. Descendentes de colonos e colonizadores somos todos. A realidade é mesmo uma bitch.
Como tudo na vida e muito em pendulo, e o dito haverá de vir para ou outro lado e nesse caso o estabelecimento de novas regras de, chamemos-lhe assim, conversa entre pessoas será bem diferente do que é hoje em dia. E muita gente nas novas gerações alicerça a sua identidade em pilares de vitimização e para essa gente a bordoada vai doer.

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10 comentários

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De Anónimo a 23.03.2022 às 20:08

https://aventar.eu/2022/03/23/cristina-rodrigues-do-pan-ao-chega-e-um-saltinho/
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De Anónimo a 24.03.2022 às 16:28

Pois, pois... é a vida! E muito ainda iremos ver...
Maria Rebelo
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De Anónimo a 24.03.2022 às 16:32

Peço desculpa desde já pelo estendal de comentários que vou inserir aqui. Já pareço o Jornaleiro (hehehehe). Vou fazer por partes para ser menos penoso.

Creio que é importante revermos a cronologia dos acontecimentos para tentarmos perceber minimamente o que se está a passar actualmente.

E vou novamente insistir na análise crítica que Medina Carreira fez durante anos nas TV’s portuguesas:
O crescente peso do endividamento e da despesa pública, bem como da carga fiscal no mundo ocidental, resultante da progressiva desindustrialização desta parte do mundo, em favor da região asiática, contribuindo assim para o aparecimento de novas potências mundiais – nos anos 90 começou por ser o Japão e agora a China.

Relembro que a terceirização da nossa economia chegou a ser defendida como o novo motor de crescimento e desenvolvimento. No entanto, tal não aconteceu. Pelo contrário, enquanto a capacidade de produção diminuía, o endividamento aumentava, logo seria uma questão de tempo para que esta “bolha” rebentasse. A importância que se tem dado ao lado social, nomeadamente através de políticas públicas assistencialistas, não é inocente – tem servido para comprar (sem aspas) uma certa paz social, atirando mais para a frente uma ruptura, que a meu ver, é e será inevitável.

A vida neste 3º calhau a contar do Sol, é cíclica (qualquer organismo vivo, nasce, vive e morre), com períodos de maior crescimento e avanços, seguidos de outros de crise e retrocessos.

Há séculos que estudiosos destas matérias tentam descobrir quais os factores fundamentais para explicar o aparecimento e queda de impérios (quem diz impérios, diz qualquer outra forma de organização política e social). Neste ponto, até dou razão a Marx, quando este fala sobre a importância da detenção do modo de produção como forma de domínio. É que o actual sistema político, económico e social (imperial) é sustentado por um determinado modo de produção, mais conhecido por Capitalismo – que já deve ir, segundo dizem por aí, na sua versão.4.
Este modo de produção tem na sua génese o aparecimento de um novo paradigma filosófico (Renascimento, Iluminismo, etc.) que abriu a caixa de pandora ao desenvolvimento tecnológico e industrial mais rápido quando comparado com os períodos anteriores, que a meu ver, está hoje em risco de abrandar de forma abrupta.

O actual modo de produção orientado para o consumo, seja de produtos, seja de serviços (se conseguimos produzir em massa, temos que vender e consumir em massa para manter a máquina a funcionar) está a atingir o seu ponto de saturação. E como tal, é natural que haja a necessidade de REINICIAR todo este processo.

Aqui estou de acordo com alguns autores (mais à esquerda) que defendem que o crescimento infinito é impossível. Há-de chegar o dia em que já não dá para crescer mais, como qualquer organismo vivo que um dia morre.
Este crescimento único na história (isto crendo na versão oficial e formal) permitiu o aumento populacional, logo o aumento de consumidores que permite manter a máquina a trabalhar. No entanto, nestas últimas décadas temos assistido ao surgimento de vários sinais de que algo não está bem.

As sucessivas revoluções industriais (apoiados na descoberta de certas matérias-primas e fontes de energia) que contribuíram grandemente para o aumento significativo das condições de vida de um modo geral, também trouxeram grandes desafios e problemas sérios de difícil resolução a curto prazo. E, neste momento actual parece que está tudo a começar a escassear…

Estamos a assistir em directo ao início de uma nova era.
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De Anónimo a 24.03.2022 às 16:34

1ª parte - Breve Cronologia
Crises do Petróleo (1970-1980) – quando a máquina começa a falhar por falta de energia
Ausência de combustíveis em 1973-74, durante a crise do petróleo.
Aconteceu em 1973 em protesto pelo apoio prestado pelos Estados Unidos a Israel durante a Guerra do Yom Kippur, tendo os países árabes organizados na OPEP aumentado o preço do petróleo em mais de 400%. Em março de 1974, os preços nominais tinham subido de 3 para 12 dólares por barril.

1988 - Massacre de Halabja – O começo do declínio americano?
O ataque com gás venenoso em Halabja ocorreu a 16 de março de 1988, durante o fim da Guerra Irão-Iraque, quando foram utilizadas armas químicas pelas forças do governo iraquiano na cidade curda de Halabja, no Curdistão iraquiano.
O incidente, que foi oficialmente definido como um acto de genocídio contra o povo curdo no Iraque, foi e ainda continua a ser considerado como o maior ataque de armas químicas contra uma área com população civil na história.
Aí as armas químicas! Pois, quem ficou com elas afinal?

As sucessivas crises de endividamento, seguidas de conflitos e guerras
Data 2 a 4 de agosto de 1990
A Invasão do Kuwait, também conhecida como a Guerra Iraque-Kuwait, foi um grande conflito entre a República do Iraque e o Estado do Kuwait, o que resultou em sete meses de uma longa ocupação do Kuwait pelo Iraque, que posteriormente levou à intervenção militar directa por forças lideradas pelos Estados Unidos na Guerra do Golfo.

Maria Rebelo
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De Anónimo a 24.03.2022 às 16:36

2ª parte
Guerra do Golfo
(2 de agosto de 1990 até 28 de fevereiro de 1991) foi um conflito militar travado entre o Iraque e forças da Coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos e patrocinada pela Organização das Nações Unidas, com a aprovação do seu Conselho de Segurança, através da Resolução 678, autorizando o uso da força militar para alcançar a libertação do Kuwait, ocupado e anexado pelas forças armadas iraquianas sob as ordens de Saddam Hussein.
Tensões Iraque-Kuwait (fronteiras, petróleo e dívida)
A decisão de Saddam Hussein em invadir o Kuwait foi essencialmente uma tentativa de lidar com a contínua vulnerabilidade da sua economia e o seu consequente impacto nas finanças públicas. Ao fim da Guerra Irão-Iraque, em agosto de 1988, a economia iraquiana estava de facto à beira do colapso e também internamente havia tensões sectárias pelo país. Os maiores credores da dívida da nação eram a Arábia Saudita e o Kuwait. O governo do Iraque tentou fazer com que estes países perdoassem parte do débito, mas estes se recusaram.

1993 - NAFTA Rectificação EUA e tentativa de manter a máquina a funcionar, exportando o comércio livre AKA globalismo e democracia para todo o mundo
O Presidente Clinton aprova legislação bipartidária implementando o Acordo de Comércio Livre Norte-Americano, criando a maior zona de comércio livre do mundo. Aumentaram as exportações para o Canadá e México (Assinado em 12/8/93)

1994 GATT Rectificação – formalização do globalismo actual
A Administração Clinton-Gore com uma maioria bipartidária no Senado aprova legislação de implementação do Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio (GATT). Este acordo permite aos trabalhadores e empresas americanos competir num sistema comercial global mais livre, mais justo e mais eficaz. (PL 103-465, assinado a 12/8/94)

Crise económica do México de 1994 (adesão posterior à NAFTA)
A crise económica do México de 1994, mais conhecida como Efeito Tequila, foi repercutida mundialmente. Foi provocada pela falta de reservas internacionais, causando a desvalorização do peso, durante os primeiros dias da presidência de Ernesto Zedillo.
Tratou-se de uma crise da balança de pagamentos associada à especulação financeira e fuga de capitais [carece de fontes], resultantes de uma crise política interna do México. Até esse momento, a economia mexicana era uma referência para o sistema financeiro internacional, por ser considerado um país moderno e alinhado às reformas do consenso de Washington, tendo recebido grande quantidade de investimento externo.
Com a crise política resulta numa crise de confiança e na desestabilização da economia e uma fuga dos investimentos para o exterior.

Maria Rebelo
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De Anónimo a 24.03.2022 às 16:43

3ª Parte
Em 1994 Sir James Goldsmith publica The Trap, um livro que detalha os seus pensamentos filosóficos e políticos, fazendo uma crítica ao domínio do Neo-Liberalismo nos governos do Primeiro Mundo. Neste texto critica a ideologia dogmática do Comércio Livre, e a promoção do modelo social americano do “Melting Pot”, sendo este copiado pelo resto dos governos do Primeiro Mundo através da migração estrangeira em massa, impulsionada por uma perseguição de vantagens económicas a curto prazo, que afirma ser fatalmente errado no conceito social e trazer consigo grandes perigos para a sociedade. Como alternativa económica, defende uma restauração do Liberalismo Clássico, e um regresso ao Mercantilismo. Também defende a prevenção, através da acção governamental, das migrações em massa de populações de áreas mais pobres do globo para o Primeiro Mundo, impulsionadas pela motivação económica, que previu como uma inevitabilidade da escalada demográfica da população do Terceiro Mundo e das ideologias governamentais Neo-Liberais e Socialistas do Primeiro Mundo.
Sir James Goldsmith fundou e financiou o Partido do Referendo no Reino Unido, modelado pela Majorité pour l'autre Europe, com o objectivo de procurar um referendo para a sua saída da União Europeia.
Em 1994 foi eleito em França como membro do Parlamento Europeu, representando o partido Majorité pour l'autre Europe, e subsequentemente tornou-se o líder do grupo eurocéptico Europa das Nações no seio do Parlamento Europeu.

Crise asiática de 1997
A crise financeira asiática de 1997 foi um período de crise financeira que atingiu grande parte do Sudeste e Oriente asiático a partir de julho de 1997 e levou a temores de um colapso económico mundial devido ao contágio financeiro.
A crise começou na Tailândia em 2 de julho, com o colapso financeiro do baht tailandês depois que o governo tailandês foi forçado a flutuar a moeda devido à falta de moeda estrangeira para apoiar o seu câmbio fixo com o Dólar dos Estados Unidos. A fuga de capital ocorreu quase imediatamente, dando início a uma reacção em cadeia internacional. Na época, a Tailândia tinha adquirido um fardo de dívida externa. À medida que a crise se espalhava, a maior parte do Sudeste Asiático e o Japão viram suas moedas em queda, desvalorizou os mercados de acções e outros preços de activos, e um aumento vertiginoso da dívida privada.

O papel do FMI
A extensão e a gravidade dos colapsos levaram a uma necessidade urgente de intervenção externa. Visto que os países que entravam em default estavam entre os mais ricos do mundo, e como centenas de mil milhões de dólares estavam em jogo, qualquer resposta à crise provavelmente seria cooperativa e internacional. O Fundo Monetário Internacional criou uma série de bailouts ("pacotes de resgate") para as economias mais afectadas para permitir-lhes evitar o calote, vinculando os pacotes a reformas monetárias, bancárias e do sistema financeiro. Devido ao envolvimento do FMI na crise financeira, o termo FMI tornou-se sinónimo da própria crise financeira asiática. Alguns sugeriram que o papel do FMI e de outros interesses poderosos representava uma forma de neo-colonialismo económico.
FMI e as Reformas económicas
O apoio do FMI tem implicado uma série de reformas económicas, o chamado "pacote de ajuste estrutural " (SAP). Os SAPs conclamam as nações em crise a reduzir os gastos e déficits do governo, permitir que bancos e instituições financeiras insolventes quebrem e aumentar agressivamente as taxas de juros. O raciocínio era que estas medidas restaurariam a confiança na solvência fiscal das nações, penalizariam empresas insolventes e protegeria os valores monetários. Acima de tudo, foi estipulado que o capital financiado pelo FMI teria que ser administrado de forma racional no futuro, sem partidos favorecidos recebendo fundos de preferência. Em pelo menos um dos países afectados, as restrições à propriedade estrangeira foram bastante reduzidas.
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De Anónimo a 24.03.2022 às 16:44

4ª parte
Crise russa de 1998
Também conhecida como a Moratória russa de 1998, foi a crise que resultou de uma desvalorização do Rublo e na declaração da moratória (interrupção dos pagamentos externos) até a renegociação da dívida externa.
A Rússia passou por uma profunda crise económica nos anos 1990, com altas taxas de endividamento, desemprego e inflação e baixos índices de crescimento económico (PIB). Em grande medida este processo foi resultado de uma transição acelerada e mal-sucedida de uma economia planificada para uma economia de mercado, a meio de um colapso político da União Soviética. A crise da economia planificada soviética tem início nos anos 1970, mas foi "maquilhada" com a alta no preço das commodities agrícolas e minerais, especialmente do petróleo, após a crise petrolífera de 1973 e a crise petrolífera de 1979-1980. Estes produtos eram exportados em grande quantidade pela então URSS, que também tinha aumentado as exportações militares para os países do Terceiro Mundo. Com uma economia aquecida e excesso de moedas fortes nas contas do país, os efeitos negativos da economia planificada não eram percebidos como sérios. Entretanto, a queda no preço das commodities agrícolas, minerais e energéticas (petróleo, gás natural) a partir de 1984-1985, deixou claro os limites daquele modelo. A Perestroika era um plano ousado para realizar uma transição controlada para uma economia de mercado, que fracassou devido ao colapso económico do país ainda nos anos 1980.

1999 Crise económica da Argentina
A crise económica argentina foi uma crise financeira que afectou a economia argentina durante a década de 1990 e início da década de 2000. Macroeconomicamente falando, o período crítico começou com a queda do PIB real em 1999 e terminou em 2002 com o retorno do crescimento do PIB.

2002 Crise económica sul-americana
A crise económica sul-americana de 2002 foi um conjunto de perturbações económicas que se desenvolveram em 2002 em países da América do Sul como Argentina, Brasil e Uruguai.
A economia argentina sofria um déficit sustentado e de dívidas pendentes extremamente altas, e uma das suas tentativas de reforma incluiu a fixação das suas taxas de câmbio em dólares americanos. Quando o Brasil, como seu maior vizinho e parceiro comercial, desvalorizou a sua própria moeda em 1999, a colagem argentina ao dólar norte-americano o impediu de igualar essa desvalorização, deixando os seus bens comercializáveis menos competitivos com as exportações brasileiras.
Junto com o desequilíbrio comercial e o problema da balança de pagamentos, a necessidade de crédito para financiar os seus déficits orçamentários tornou a economia argentina vulnerável à crise económica e à instabilidade. Em 1999, a economia da Argentina encolheu 3,3%. O PIB continuou a diminuir: 0,8% em 2000, 4,4% em 2001 e 10,9% em 2002. Um ano antes, no Brasil, o baixo nível de água nas hidroeléctricas, combinado com a falta de investimentos de longo prazo em segurança energética, forçava o país a fazer um programa de racionamento de energia, o que afectou negativamente a economia nacional.
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De Anónimo a 25.03.2022 às 07:55

5ª Parte
Grande Recessão (2007-2008)
Crise financeira de 2007–2008[1] é uma conjuntura económica global que se sentiu durante a crise financeira internacional, e precipitada pela falência do tradicional banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, fundado em 1850. Em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras faliram, no processo também conhecido como "crise dos subprimes".
Segundo George Soros, a crise foi precipitada por uma "bolha" no mercado de habitação e, em certos aspectos, é muito similar às crises que ocorreram desde a Segunda Guerra Mundial, em intervalos de quatro a 10 anos. Entretanto, Soros faz uma importante distinção entre esta crise e as anteriores, considerando a crise actual como o clímax de uma super-expansão ("super-boom") que ocorreu nos últimos 60 anos. Segundo Soros, os processos de expansão-contração ("boom-bust") giram ao redor do crédito, e envolvem uma concepção errónea, que consiste na incapacidade de se reconhecer a conexão circular reflexiva entre o desejo de emprestar e o valor das garantias colaterais. Crédito fácil cria uma procura que aumenta o valor das propriedades, o que por sua vez aumenta o valor do crédito disponível para financiá-las. As bolhas começam quando as pessoas passam a comprar casas na expectativa de que a sua valorização lhes permitirá refinanciar as suas hipotecas, com lucros.

Crise da dívida pública da Zona Euro
A crise da dívida pública europeia, muitas vezes referida como crise da Zona Euro, é uma crise financeira que, para alguns países da Zona do Euro, tornou difícil ou mesmo impossível, o pagamento ou o refinanciamento da sua dívida pública sem a ajuda de terceiros.
Para além das medidas políticas e programas de resgate implementados para combater a crise da dívida pública europeia, o Banco Central Europeu (BCE) também contribuiu com a redução das taxas de juro e proporcionando crédito barato superior a um trilião de euros, para manter os fluxos monetários entre os bancos europeus. Em 6 de setembro de 2012, o BCE também procurou acalmar os mercados financeiros anunciando apoio ilimitado e sem custos a todos os países da Zona Euro com programas de resgate ou preventivos do FEEF/MEE, através da redução do juro associado a transações monetárias definitivas (Outright Monetary Transactions).
A crise não só gerou efeitos adversos nas economias dos países mais atingidos, como também teve impacto político significativo na governação de 8 dos 17 países da zona euro, levando a mudanças de poder na Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha, Eslovénia, Eslováquia e Países Baixos.
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De Anónimo a 25.03.2022 às 08:49

Para não vos maçar mais com estes lençóis de comentários, vou encurtar um pouco com a síntese dos últimos eventos mais relevantes:
2010-211 Primavera Árabe
2011 Guerra Civil Síria
2011 Guerra Civil Líbia
2013 Crise na Venezuela
2014-2016 Crise económica brasileira (início em 2014)

2014 Revolução Ucraniana

2015 Crise migratória na Europa

2015-2016 Impeachment de Dilma Rousseff

2016 Trump é eleito presidente dos EUA

23 de junho de 2016 – Referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (reler o papel de Sir James Goldsmith). Quando me lembro que já houve quem imputasse aos coitados dos velhos pensionistas como a causa do sim ao Brexit, é de rir… Os ingleses sempre tiveram um pé dentro e outro fora da Europa – são uma ilha, meus senhores! E têm lá gente que pensa a longo-prazo.

2018 Guerra Comercial EUA/China
Protestos no Chile em 2019-2020 – Tubo de ensaio para o verão quente de 2020 nos EUA (alguém ainda se lembra ou soube do que se passou lá durante este período até Biden ser oficialmente o vencedor?!)

Janeiro de 2020 EUA e China assinam acordo comercial (recordo aqui uma conferência onde Medina Carreira participou e onde afirmou que alguém dos EUA deveria falar com a China para tentar chegar a um acordo sobre não ficar com o monopólio da produção mundial como forma de reequilibrar o mundo actual – pelos vistos alguém tentou, mas deu no que deu)

Em 31 de janeiro de 2020, às 23h00h UTC, ocorre a saída formal do Reino Unido da União Europeia

Março de 2020 A pandemia de COVID-19, doença respiratória causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).
A pandemia causou instabilidade social e económica global significativa, incluindo a maior recessão global desde a Grande Depressão. Tal levou a uma escassez generalizada de suprimentos exacerbada pela corrida às compras, interrupção da agricultura e escassez de alimentos, além de diminuição das emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Muitas instituições educacionais e áreas públicas foram parcial ou totalmente fechadas, e muitos eventos foram cancelados ou adiados. A desinformação circulou nas redes sociais e nos meios de comunicação de massa. A pandemia levantou questões de discriminação racial e geográfica, igualdade na saúde e o equilíbrio entre os imperativos da saúde pública e os direitos individuais.
Em 25 de maio de 2020, G. Floyd, suspeito de ter utilizado uma nota falsificada de US$ 20,00 para comprar um maço de cigarros, morre em Minneapolis, Minnesota.
Maio a Novembro de 2020 - Verão Quente nos EUA [actividade intensa dos BLM em várias estados americanos]

Novembro de 2020 Biden é eleito presidente dos EUA

Novembro de 2020 - PEQUIM, 15 NOV (ANSA) - Um grupo de 15 países da Ásia-Pacífico assinou neste domingo (15) o maior acordo de livre comércio do mundo. O tratado é capitaneado pela China, que consegue ampliar a sua influência comercial e reduzir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, mas também inclui Austrália, Coreia do Sul, Japão e Nova Zelândia. Além disso, fazem parte do acordo os 10 membros plenos da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean): Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietnam. A chamada Parceria Económica Regional Abrangente (Rcep, na sigla em inglês) representa cerca de 30% do produto interno bruto (PIB).
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De Anónimo a 25.03.2022 às 08:57

Esta breve resenha, pode servir, para quem assim o entender, para uma análise e reflexão mais profundas. Fonte a Wikipedia (por uma questão prática e de fácil acesso).

A leitura que faço é que, apesar de não crer que tudo esteja já pré-determinado e combinado, ele há demasiadas coincidências. E estas coincidências têm sido uma constante, pelo menos, desde os anos 70 – ciclos de crise de divida de 10 em 10 anos com forte impacto na mudança de regimes políticos, levando a um mundo mais uniforme e global. Como é que isto poderia acabar bem?
No meio destas crises, as placas tectónicas geopolíticas vão se agitando. Relembro a acção crucial dos EUA, através do GATT, na deslocação do modo de produção capitalista industrial e mais intensivo para a região do pacifico. Será que as águias de rapina americanas não sabiam que iriam alimentar o dragão e os tigres asiáticos? Andamos todos a dormir?! E o urso? Alguém acredita que iria ficar eternamente a hibernar?! Ainda mais depois do colapso da União Soviética?
Sobre os acontecimentos dos últimos 2 anos, aconselho uma visita a um canal brasileiro sobre o mundo militar – há muitos por onde escolher - Hoje no Mundo Militar. Atentem à cronologia dos inúmeros títulos dos vídeos e vão perceber que já TODA a gente sabia que um eminente conflito na Europa estava a desenhar-se. Vão também dar-se conta da crescente militarização de vários países, nomeadamente Brasil (que parece estar a preparar-se para ser uma potência militar), Argentina (alô Malvinas), Venezuela (alô Amazónia), Grécia (alô Turquia), Sérvia (ui, ui!), Suécia (busquem na net um vídeo de 2018 de uma TV australiana sobre um tal kit de sobrevivência criado pelo Estado sueco e distribuído por todo o país – atentem bem às justificações dadas pelas autoridades) e pasmem-se o Japão (quando o este país decide voltar a ter um exército e armamento é porque algo de grave está prestes a acontecer – digo eu).

Enfim, há que diversificar as nossas fontes de informação para termos uma visão mais ampla. Ah, e termino com mais uma pequena sugestão – hortas, sabem o que é?! Podem ser muito úteis…

Mais uma vez peço desculpa por este estendal de comentários. É apenas um desabafo de alguém que tenta perceber o que se passa...
Maria Rebelo

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